Um homem de 30 anos foi encontrado morto na manhã desta quarta-feira (6) em um quarto de aluguel localizado na rua Sérgio Roberto Ribeiro Silva, bairro Jardim Flamboyant, em Três Lagoas. A vítima, identificada como Wesley Ortolane Castro, natural de Rondônia, já se encontrava em avançado estado de decomposição quando a Polícia Militar chegou ao local, por volta das 6h20.
A ocorrência teve início após a proprietária de um bar que funciona na esquina da rua Sérgio Roberto Ribeiro Silva com a rua Osmar Tácito de Lima acionar o telefone 190. A comerciante mantém pequenos cômodos nos fundos do estabelecimento para locação e relatou ter percebido forte odor vindo de um dos quartos, além de suspeitar que o ocupante estivesse sem vida. Uma equipe da Rádio Patrulha foi enviada imediatamente, confirmou a morte e isolou a área até a chegada da Polícia Civil e de peritos criminais.
Em depoimento às autoridades, a locatária disse que, na manhã de terça-feira (5), ouviu um grito vindo do quarto onde Wesley residia. Ela afirmou ter se dirigido até a porta, chamado pelo inquilino e, diante da ausência de resposta, retornado às atividades depois que o ambiente voltou ao silêncio. No dia seguinte, ao notar que o morador não havia saído para trabalhar, a proprietária decidiu verificar novamente o cômodo. Sem retorno às suas chamadas, utilizou uma chave reserva para abrir a porta e encontrou o corpo caído logo atrás, completamente nu e sem sinais vitais.
Segundo a mulher, o quarto fora inicialmente ocupado por dois homens que apresentaram nomes no momento da locação. Um deles teria deixado o imóvel poucos dias depois, o que dificultou a identificação do ocupante remanescente. A polícia não localizou documentos pessoais no interior do cômodo. Posteriormente, a identificação oficial de Wesley foi confirmada no Instituto de Medicina e Odontologia Legal (Imol) por um irmão, também oriundo de Rondônia.
De acordo com a perícia técnica, não foram observados indícios de violência ou de arrombamento que sugerissem ação criminosa. A principal hipótese levantada é de morte natural, possivelmente causada por um infarto fulminante. Os peritos acreditam que o mal-súbito pode ter ocorrido ainda na manhã de terça-feira, momento em que o vizinho teria ouvido o grito de socorro. A posição do corpo, próximo à porta, indica que Wesley tentou deixar o quarto em busca de ajuda, mas caiu antes de conseguir abrir a saída.
A investigação policial também apurou que Wesley realizava pequenos trabalhos eventuais e recorria ao Centro de Referência Especializado para Pessoas em Situação de Rua (Centro POP) para obter refeições. A ausência de documentos e a rotina fora de horários fixos contribuíram para o atraso na confirmação de sua identidade.
O corpo foi removido do local e encaminhado ao Imol de Três Lagoas para exame necroscópico. No instituto, um irmão reconheceu a vítima e informou que ambos haviam chegado à cidade há poucos dias. Ele declarou ter perdido contato com Wesley e desconhecia o endereço onde o irmão estava hospedado até ser informado pela polícia sobre o falecimento.
As equipes da Polícia Civil colheram depoimentos da proprietária do imóvel e de moradores da vizinhança para complementar o inquérito. Os investigadores aguardam o laudo detalhado da necropsia, que deverá confirmar a causa exata da morte. Até a conclusão dos exames laboratoriais, a linha de trabalho permanece focada em morte natural, sem indícios de homicídio.
Enquanto isso, a Delegacia de Polícia Civil de Três Lagoas prossegue no levantamento de informações sobre a passagem de Wesley pela cidade, incluindo eventuais locais de trabalho e possíveis contatos pessoais, para notificar formalmente os demais familiares em Rondônia. O resultado da perícia médica deverá ser anexado ao inquérito e encaminhado ao Ministério Público para as providências cabíveis.
A proprietária do bar foi orientada a regularizar a documentação de locação dos quartos, a fim de manter registro atualizado dos ocupantes. O imóvel foi liberado após a retirada do corpo, e a investigadora responsável informou que novas diligências serão realizadas apenas se surgirem elementos que contrariem a hipótese de morte por causas naturais.
Até o fim da tarde desta quarta-feira, a Polícia Civil não havia divulgado novas informações sobre o caso. O laudo conclusivo do Imol deverá ficar pronto nos próximos dias e será decisivo para encerrar ou ampliar as investigações.









