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Ex-prefeito de Campo Grande refuta envolvimento em contratos investigados e defende ex-secretário

O vereador e ex-prefeito de Campo Grande, Marquinhos Trad (PV), utilizou a tribuna da Câmara Municipal para negar qualquer participação de sua gestão em contratos de manutenção viária atualmente investigados pelo Ministério Público Estadual (MPMS) na Operação Buraco Sem Fim. A manifestação ocorreu nesta semana, logo após a deflagração da operação, no dia 12, que apura suspeitas de desvios e sobrepreços em serviços de tapa-buraco executados na capital sul-mato-grossense.

Negativa de vínculo com a empresa investigada

No pronunciamento, Trad afirmou que as reportagens sobre a operação teriam induzido à interpretação de que os contratos alvo da investigação remontariam ao período em que comandou a prefeitura, entre 2017 e 2022. O parlamentar contestou a associação e declarou que a empresa apontada como foco central da apuração não recebeu nenhum contrato de manutenção de vias pavimentadas durante os cinco anos e quatro meses de seu mandato no Executivo municipal.

“Durante a minha gestão, essa empresa não foi contemplada em nenhum processo de tapa-buraco”, disse o vereador, reiterando que não houve pagamento ou contratação do grupo empresarial citado pelo MPMS enquanto esteve à frente da administração da cidade.

Processos licitatórios mencionados

Trad explicou que, ao assumir o cargo de prefeito em janeiro de 2017, optou por manter contratos firmados pela gestão anterior, todos validados pelos órgãos de controle. Em 2018, segundo ele, a prefeitura realizou nova licitação para serviços de recuperação asfáltica. A empresa alvo da operação participou do certame, mas não venceu nenhum dos lotes oferecidos, de acordo com o ex-prefeito.

Conforme o relato do parlamentar, o cenário mudou depois de sua saída do Executivo, em março de 2022, quando deixou o cargo para concorrer ao Governo de Mato Grosso do Sul. A então vice-prefeita Adriane Lopes assumiu a administração e, naquele mesmo ano, abriu novo processo licitatório na área de infraestrutura viária. A partir dessa concorrência, a empresa em questão passou a ser contratada pelo município.

Valores e aditivos contratuais

O ex-chefe do Executivo municipal apresentou números para embasar sua defesa. Ele informou que o primeiro contrato celebrado pela atual gestão com a empresa teve valor estimado em R$ 10 milhões. Posteriormente, segundo Trad, quatro termos aditivos elevaram o montante para mais de R$ 52 milhões.

Ao destacar os sucessivos acréscimos, o vereador buscou demonstrar que as alterações contratuais ocorreram quando ele já não ocupava cargo na Prefeitura de Campo Grande. “O contrato começou em R$ 10 milhões e hoje passa de R$ 52 milhões”, afirmou, acrescentando que todos os reajustes foram assinados depois que deixou a prefeitura.

Defesa de ex-secretário

Durante o discurso, Trad saiu em defesa de Rudi Fiorese, ex-secretário municipal de Infraestrutura e Serviços Públicos, que foi alvo de mandado de prisão temporária na operação do MPMS. O parlamentar classificou como “injusta” a forma como o nome de Fiorese vem sendo tratado e sustentou que o ex-integrante da administração não assinou nenhum dos aditivos que ampliaram o valor do contrato questionado. “Ele não assinou nenhum termo aditivo”, declarou.

Situação processual de Marquinhos Trad

O vereador também afirmou não ser alvo de qualquer procedimento judicial ou investigativo relacionado à Operação Buraco Sem Fim ou a outros fatos. Para respaldar a declaração, apresentou documentos que, segundo ele, comprovam a inexistência de inquéritos ou ações judiciais contra seu nome. “Não sou investigado. Não sofro nenhum procedimento inquisitorial ou judicial”, reiterou.

Contexto político e eleitoral

Ao encerrar a fala, Trad atribuiu a repercussão pública do caso a disputas políticas locais e ao calendário eleitoral. Segundo o parlamentar, as tentativas de vincular sua gestão aos contratos investigados estariam relacionadas à busca de desgaste eleitoral antecipado. Ele sustentou que continuará respondendo às eventuais acusações com documentos e informações oficiais.

A Operação Buraco Sem Fim, deflagrada pelo Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado (Gaeco) do MPMS, cumpriu mandados de busca, apreensão e prisão em Campo Grande. A investigação apura supostas fraudes em licitações e pagamentos superfaturados em serviços de manutenção asfáltica contratados pela administração municipal. Até o momento, o Ministério Público não detalhou oficialmente todas as empresas e agentes públicos investigados, mas confirmou que analisa a legalidade de aditivos contratuais e a execução dos serviços.

Em nota divulgada anteriormente, a Prefeitura de Campo Grande informou cooperar com o Ministério Público, disponibilizando documentos e dados solicitados. A administração municipal declarou ainda que instaurou procedimento interno para revisar contratos e aditivos ligados à manutenção de vias, compromisso que inclui a avaliação dos termos firmados em 2022 e dos acréscimos posteriores.

Enquanto as apurações seguem, Marquinhos Trad reforça a tese de que eventuais irregularidades ocorreram após o término de seu mandato e prossegue contestando qualquer tentativa de inclusão de sua gestão nas suspeitas examinadas pelo MPMS.