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Polícia intercepta 11 quilos de drogas enviados pelos Correios para cinco estados

A Delegacia Especializada de Repressão ao Narcotráfico (Denar) apreendeu, na quinta-feira, 14, um total de 11 quilos de entorpecentes que seriam distribuídos a destinatários em Minas Gerais, Goiás, São Paulo, Rio de Janeiro e Bahia. A apreensão integra uma série de operações voltadas ao combate ao tráfico interestadual por meio de encomendas postais.

De acordo com a Denar, os agentes monitoravam remessas encaminhadas a partir da região de fronteira com o Paraguai quando identificaram pacotes suspeitos. As equipes localizaram e interceptaram as encomendas ainda em fase de triagem, antes que fossem despachadas para os centros de distribuição dos Correios e, posteriormente, para os estados de destino.

No total, foram recolhidos tabletes de maconha, porções de haxixe e uma quantidade de haxixe marroquino, todos acondicionados de forma a dificultar a detecção pelos sistemas de inspeção de rotina. A droga estava escondida em itens de uso cotidiano, como embalagens de fraldas descartáveis, latas de leite em pó e até mesmo na estrutura de uma caixa de unidade central de processamento (CPU) de computador.

Segundo a polícia, o método de ocultação demonstra o nível de organização do grupo investigado, que buscava despistar tanto a fiscalização postal quanto o controle policial nas rodovias. A verificação do conteúdo dos pacotes contou com apoio de técnicas de análise de risco e de equipamentos de varredura, utilizados durante a triagem no centro de distribuição localizado em Campo Grande, Mato Grosso do Sul.

A investigação indica que as remessas partiram de municípios situados na faixa de fronteira entre o Brasil e o Paraguai, área frequentemente utilizada por organizações criminosas para o envio de drogas a outras regiões do país. A proximidade com rota internacional facilita a aquisição de entorpecentes em grande quantidade, posteriormente segmentados em pacotes menores para reduzir a chance de grandes perdas em caso de apreensão.

Com a identificação dos pacotes, a especializada instaurou procedimentos para rastrear a origem exata das postagens, incluindo a verificação de imagens de câmeras de segurança das agências dos Correios e a análise de dados contidos nas etiquetas de envio. As primeiras diligências apontam para a atuação de um esquema com ramificações em diferentes cidades, responsável pela coleta, acondicionamento e despacho do material ilícito.

Os investigadores trabalham com a hipótese de que a rede criminosa possua células específicas para cada etapa logística: aquisição na fronteira, armazenamento temporário em depósitos improvisados, preparação das encomendas e contratação de serviços postais com documentos de identidade falsificados ou de terceiros. O cruzamento de informações pretende identificar os responsáveis por cada fase da operação.

Além do rastreamento das postagens, a Denar reforçou a fiscalização em agências próximas à fronteira, ampliou o intercâmbio de dados com a Polícia Federal e intensificou o contato com unidades policiais nos estados de destino. O objetivo é mapear possíveis receptores e determinar se a droga seria redistribuída para mercados locais ou enviada para centros de consumo de maior porte.

Até o momento, nenhum suspeito foi preso em flagrante durante a ação de interceptação. No entanto, a polícia informou que já dispõe de indícios suficientes para solicitar mandados de busca e prisão contra integrantes do grupo. As diligências permanecem em andamento, e novas apreensões não são descartadas.

A Denar ressaltou que o uso de serviços de encomenda para transporte de entorpecentes vem crescendo nos últimos anos, exigindo ações específicas de monitoramento. A combinação de fiscalização presencial, tecnologia de rastreamento e cooperação entre diferentes forças de segurança tem sido considerada essencial para conter essa modalidade de tráfico.

Os 11 quilos de droga apreendidos foram encaminhados para perícia, que deverá confirmar a pureza dos materiais e auxiliar na quantificação exata de cada substância. Concluída a análise, o laudo será anexado ao inquérito policial, que apura os crimes de tráfico interestadual e associação para o tráfico. As penas previstas somam até 25 anos de reclusão, além de multa.

Com a investigação em curso, a delegacia especializada reforçou que qualquer informação sobre suspeitos ou movimentações semelhantes pode ser repassada de forma anônima aos canais oficiais da Polícia Civil. O material interceptado permanece sob custódia da autoridade policial até decisão judicial sobre sua destinação final.