Pesquisadores brasileiros e britânicos iniciaram nesta segunda-feira (1º), em Campo Grande, uma imersão acadêmica voltada à criação de soluções que conciliem preservação ambiental e desenvolvimento econômico no Pantanal sul-mato-grossense. A ação integra o Interdisciplinary Transnational Education for Sustainable Bioeconomy (Immerse Pantanal), programa que reúne cerca de 30 participantes dos dois países em atividades de campo, debates e produção de conhecimento ao longo do bioma.
A iniciativa é resultado de parceria entre a Universidade Estadual de Mato Grosso do Sul (UEMS), a University of Birmingham e o Brazil Institute. Durante as próximas semanas, o grupo percorrerá diferentes regiões pantaneiras para analisar experiências locais, dialogar com comunidades tradicionais, acompanhar projetos do setor produtivo e identificar práticas que possam ser replicadas ou aperfeiçoadas.
O secretário estadual de Meio Ambiente, Desenvolvimento, Ciência, Tecnologia e Inovação, Artur Falcette, participou da abertura e ressaltou que a presença de especialistas estrangeiros amplia a visibilidade internacional do Estado nas discussões sobre sustentabilidade. Para ele, o intercâmbio possibilita avaliar o território a partir de diferentes perspectivas e fortalece a busca por estratégias que aliem progresso socioeconômico e conservação dos ecossistemas.
Ao longo da programação, os envolvidos terão contato com iniciativas ligadas à conservação da fauna e da flora, projetos de inovação em biotecnologia e modelos de produção sustentáveis já em operação no Mato Grosso do Sul. A proposta central é discutir caminhos para geração de renda que não pressionem os recursos naturais do Pantanal, reconhecido como a maior planície alagável continental do planeta.
Entre os temas em foco estão manejos pecuários de baixo impacto, cadeia de produtos florestais não madeireiros, turismo de natureza e tecnologias que reduzam emissões de gases de efeito estufa. Os organizadores destacam que a abordagem interdisciplinar permitirá integrar conhecimentos de biologia, economia, engenharia, ciências sociais e políticas públicas, construindo recomendações aplicáveis a diferentes realidades do bioma.
O Immerse Pantanal dialoga com diretrizes defendidas pelo Governo de Mato Grosso do Sul para fortalecer a bioeconomia e avançar em metas climáticas, como a neutralização das emissões líquidas de carbono até 2030. Segundo a secretaria estadual, projetos que impulsionem cadeias de valor associadas à biodiversidade podem gerar empregos e receita sem comprometer a integridade ambiental, tornando-se pilares de um novo modelo de desenvolvimento regional.
Além das atividades de campo, o programa prevê a realização de oficinas, seminários e sessões de trabalho conjunto em universidades e instituições de pesquisa. Esses encontros servirão para sistematizar dados, comparar experiências internacionais e elaborar relatórios com orientações práticas destinados a gestores públicos, empresários e organizações da sociedade civil.
Outra vertente do projeto é a produção de um documentário que apresentará a públicos estrangeiros as iniciativas visitadas no Pantanal. A obra reunirá depoimentos de pesquisadores, produtores rurais, representantes de comunidades tradicionais e autoridades, destacando exemplos de uso sustentável da biodiversidade e desafios para sua expansão. A expectativa é que o material sirva de referência para outros biomas que enfrentam pressões semelhantes.
Os resultados obtidos durante a imersão serão divulgados em 2027 no evento Pantanal Day, programado para ocorrer no Reino Unido com apoio da Embaixada do Brasil. Na ocasião, serão apresentados estudos de caso, métricas de impacto e propostas de cooperação voltadas à ciência, inovação e conservação ambiental. A realização do encontro em solo britânico busca ampliar a rede internacional de parceiros interessados no bioma.
Para os organizadores, o Pantanal oferece condições singulares para estudos sobre bioeconomia devido à diversidade de ecossistemas aquáticos e terrestres, à presença de comunidades tradicionalmente adaptadas às cheias sazonais e à relevância econômica da agropecuária regional. Essas características tornam o bioma um laboratório vivo para testar políticas públicas e tecnologias que conciliem produção e preservação.
A iniciativa reforça a percepção de que, além de patrimônio natural, o Pantanal pode se consolidar como polo de conhecimento e inovação em sustentabilidade. Ao conectar universidades, governos e setor produtivo, o projeto pretende contribuir para soluções que beneficiem tanto a população local quanto a agenda ambiental global, estabelecendo um modelo que ultrapasse fronteiras e inspire outros territórios com desafios semelhantes.









