As admissões com carteira assinada em Mato Grosso do Sul diminuíram o ritmo em abril, mas permaneceram no campo positivo graças, sobretudo, à participação feminina. Dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), divulgados pelo Ministério do Trabalho e Emprego, mostram que o Estado abriu 583 postos formais no mês, dos quais 518 foram preenchidos por mulheres e 65 por homens.
O resultado confirma a desaceleração observada após o primeiro trimestre. Entre janeiro e março, os saldos haviam sido mais robustos: 4.235 vagas em janeiro, 6.423 em fevereiro e 3.466 em março. Mesmo com a perda de fôlego, o acumulado de 2026 segue positivo. De janeiro a abril, o mercado de trabalho sul-mato-grossense criou 14.527 empregos formais.
Desempenho por setores
O setor de Serviços permaneceu o principal gerador de oportunidades. Em abril, respondeu por 813 novas vagas, compensando retrações em outros segmentos. A Indústria também contribuiu para o resultado, com a abertura de 180 postos.
A Agropecuária, por sua vez, encerrou o mês com saldo negativo de 115 vagas, enquanto o Comércio eliminou 287 posições. A Construção Civil apresentou estabilidade: foram apenas oito empregos líquidos no período.
Estoque de trabalhadores
Com a movimentação de abril, o estoque de vínculos formais em Mato Grosso do Sul passou a 679.416 trabalhadores. O dado reflete o saldo positivo obtido ao longo dos quatro primeiros meses do ano, apesar das flutuações mensais e das perdas registradas em determinados ramos de atividade.
Municípios que mais contrataram
Em âmbito municipal, Inocência liderou a geração de empregos no Estado, criando 232 vagas líquidas. O desempenho está ligado a investimentos relacionados à instalação da fábrica de celulose da Arauco, empreendimento que vem demandando mão de obra e movimentando o mercado local.
Chapadão do Sul ficou em segundo lugar, com 169 postos, seguido por Naviraí (145), Vicentina (127), Sidrolândia (103), Água Clara (95), Três Lagoas (92), Dourados (74), Angélica (72) e Corumbá (69). Esses municípios responderam, em conjunto, por parcela significativa do saldo estadual de abril.
Participação feminina em destaque
A distribuição das contratações entre homens e mulheres reforça a presença crescente das trabalhadoras no mercado formal sul-mato-grossense. Em abril, elas ocuparam 88,9% de todas as vagas criadas, percentual que contrasta com a participação masculina de 11,1%. O dado evidencia que, mesmo em um cenário de ritmo mais contido, a mão de obra feminina tornou-se determinante para o resultado positivo.
O fortalecimento das mulheres no mercado de trabalho local reflete, em parte, a expansão dos setores que mais contratam no Estado, especialmente Serviços. Atividades de saúde, educação, administração pública, alojamento e alimentação, comuns nessa área, costumam registrar maior proporção de trabalhadoras, o que contribui para o desempenho observado.
Cenário nacional
No Brasil, o Caged registrou criação de 85.888 empregos com carteira assinada em abril. O dado mostra que, assim como em Mato Grosso do Sul, o país manteve trajetória de crescimento do emprego formal, embora em patamar inferior ao verificado nos primeiros meses do ano.
Para Mato Grosso do Sul, o saldo positivo acumulado em 2026 reforça a resiliência do mercado de trabalho estadual. A combinação de investimentos privados, como a planta de celulose em Inocência, e a predominância do setor de Serviços tem sustentado a geração de vagas, mesmo diante das oscilações setoriais e da perda de dinamismo pontual na Agropecuária e no Comércio.








