Alunos de comunidades periféricas, indígenas e quilombolas atendidos pelo projeto Madeiras Dedilhadas, da Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS), sobem ao palco do Teatro Glauce Rocha neste domingo, 14 de junho, às 16h30. O recital gratuito encerra a edição mais recente do Festival Internacional de Violão, iniciativa que ao longo de meses reuniu ensaios, concertos, palestras e atividades culturais voltadas à formação musical.
O Madeiras Dedilhadas oferece educação musical a crianças, jovens e idosos residentes em bairros como Paulo Coelho Machado, Santa Mônica, Jardim Noroeste, Parque Lageado e Tiradentes, além da Aldeia Água Bonita. Muitos participantes tiveram no projeto o primeiro contato com instrumentos de corda e com a prática artística, encontrando na universidade um ambiente de aprendizado e integração social.
A apresentação marca o resultado de um processo de preparação iniciado ainda no primeiro semestre. Durante esse período, os alunos frequentaram oficinas de técnica instrumental, aulas de teoria musical e sessões de ensaio coletivo, sempre orientados por professores da UFMS e por músicos convidados do festival. A programação previa ainda a participação em debates sobre produção cultural, gestão de carreira e história do violão latino-americano.
Além do público infanto-juvenil, o recital reunirá integrantes com mais de 60 anos, reforçando o caráter intergeracional da proposta. A convivência entre diferentes faixas etárias visa estimular a troca de experiências e demonstrar que a música pode funcionar como ponte de diálogo entre gerações, etnias e realidades socioeconômicas distintas.
Entre os artistas convidados estão os violonistas argentinos Juan Almada e Federico Díaz. Atuando em duo, os intérpretes apresentam repertório dedicado principalmente à música da América Latina e já realizaram concertos em festivais na Argentina, Chile, Estados Unidos e países europeus. Em Campo Grande, eles participam tanto de números solos quanto de execuções conjuntas com os estudantes.
O programa também inclui o violonista, compositor e pesquisador brasileiro Salomão Habib. Com mais de quatro décadas de carreira, Habib desenvolve trabalho pautado na valorização da cultura amazônica e na difusão da música instrumental produzida no Norte do país. Sua presença no festival envolve masterclasses, palestra sobre ritmos amazônicos e atuação no palco ao lado dos participantes do projeto universitário.
Durante o concerto de encerramento, o público assistirá a apresentações individuais dos alunos, seguidas pelas performances dos convidados internacionais e nacionais. A noite se conclui com execução coletiva que reúne estudantes, professores, Habib e o duo argentino, simbolizando a integração promovida pelo festival entre músicos iniciantes e profissionais de trajetória consolidada.
Fora do ambiente estritamente musical, o Madeiras Dedilhadas incluiu na programação deste ano visitas ao Centro de Ciências e ao Planetário da UFMS. As atividades buscaram aproximar os alunos do universo acadêmico, apresentando laboratórios, exposições e sessões audiovisuais sobre astronomia. Segundo a coordenação do projeto, a proposta é ampliar horizontes e reforçar a percepção de que a universidade pode ser espaço acessível para múltiplas áreas do conhecimento.
O conjunto de ações faz parte de uma política mais ampla da UFMS voltada à democratização do acesso à cultura e à arte. A instituição mantém diferentes programas de extensão que oferecem formação gratuita em música, teatro, dança e artes visuais para moradores de regiões com menor oferta de cursos especializados. No caso do Madeiras Dedilhadas, o foco recai sobre comunidades que historicamente enfrentam barreiras de acesso a práticas artísticas estruturadas.
Os organizadores do festival destacam que a participação de artistas internacionais, aliada à presença de músicos brasileiros de referência, contribui para criar um ambiente de troca cultural efetiva. Para os alunos, a experiência de compartilhar o palco com profissionais reconhecidos é apontada como estímulo à continuidade dos estudos e à busca por aperfeiçoamento técnico.
O Recital Madeiras Dedilhadas é aberto ao público e tem entrada gratuita. Interessados podem comparecer diretamente ao Teatro Glauce Rocha, localizado no campus da UFMS, em Campo Grande. A apresentação começa às 16h30 e encerra oficialmente a programação do Festival Internacional de Violão deste ano.








