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MDB adota neutralidade nacional e libera diretórios para alianças regionais nas eleições

O Movimento Democrático Brasileiro (MDB) confirmou, em convenção nacional realizada de forma virtual nesta segunda-feira (27), que não apresentará candidato próprio à Presidência da República nem participará de coligações formais na disputa pelo Palácio do Planalto nas próximas eleições. A decisão estabelece uma postura de neutralidade no plano federal e transfere para os diretórios estaduais a responsabilidade de firmar acordos eleitorais de acordo com as particularidades de cada unidade da Federação.

A deliberação foi aprovada pela maioria dos convencionais que participaram remotamente do encontro. Com a medida, a cúpula partidária busca acomodar a diversidade de alianças já existentes nos estados, onde o MDB mantém parcerias heterogêneas com legendas de diferentes espectros ideológicos. Ao evitar um compromisso nacional único, a sigla pretende reduzir conflitos internos entre as alas estadual e nacional, preservando a coesão partidária durante o processo eleitoral.

Segundo dirigentes, o principal objetivo do MDB neste ciclo é concentrar recursos e esforços na eleição de governadores, deputados estaduais, deputados federais e senadores. A avaliação interna é que a fragmentação do cenário presidencial, aliada à competitividade regional, torna mais vantajoso direcionar a estrutura partidária para ampliar bancadas legislativas e conquistar posições nos executivos estaduais. Essa linha de atuação também é vista como essencial para fortalecer a legenda nas negociações parlamentares da próxima legislatura.

O presidente nacional do MDB, Baleia Rossi, destacou que a liberação dos palanques estaduais foi concebida para “unificar o partido no âmbito federal” e, ao mesmo tempo, potencializar o desempenho das candidaturas locais. De acordo com Rossi, a autonomia concedida a cada diretório permitirá ajustes táticos que reflitam as especificidades políticas, econômicas e sociais de cada estado, fator considerado decisivo para elevar o número de eleitos pela sigla.

Internamente, dirigentes argumentam que assumir neutralidade no primeiro turno contribui para evitar pressões divergentes sobre alianças regionais já consolidadas. Em vários estados, o MDB participa de governos ou compõe blocos parlamentares com partidos que deverão apoiar candidatos presidenciais distintos. Uma declaração oficial de apoio a qualquer postulante ao Planalto poderia provocar retrações estratégicas e desgaste entre militantes e lideranças locais.

A convenção ocorrida nesta segunda-feira repetiu o formato totalmente virtual adotado pela legenda em 2022. O modelo foi mantido por ser considerado capaz de assegurar plena participação dos filiados espalhados pelas 27 unidades da Federação, sem os custos logísticos de um encontro presencial. A votação pela plataforma eletrônica foi precedida de exposição da proposta de neutralidade e de espaço para manifestações de convencionais favoráveis ou contrários à orientação da Executiva Nacional.

A decisão do MDB foi tornada pública na reta final do calendário oficial de convenções partidárias, período em que as siglas definem chapas majoritárias, coligações e registros de candidatura. Até o início de agosto, outras legendas com representação no Congresso Nacional concluirão seus encontros formais, circunstância que deverá consolidar o quadro político da disputa.

Entre os partidos com convenções marcadas, o calendário prevê para 30 de julho o encontro do Partido Comunista do Brasil (PCdoB); em 31 de julho, realizam suas reuniões o Partido Socialista dos Trabalhadores Unificado (PSTU) e o Partido Verde (PV); em 1º de agosto será a vez do Partido da Causa Operária (PCO); e em 2 de agosto ocorrem as convenções do Partido dos Trabalhadores (PT) e do Partido Socialista Brasileiro (PSB). Esses eventos devem confirmar candidaturas presidenciais, coligações e programas de governo, completando o panorama eleitoral.

Com a neutralidade definida, o MDB poderá apoiar diferentes postulantes ao Planalto de forma informal em cada estado, caso dirigentes regionais julguem estratégico. A legenda, no entanto, não estampará oficialmente seu número ou logomarca em campanhas presidenciais nem figurará em atas de coligações nacionais, limitando-se a declarar respaldo local quando conveniente.

A sigla, que possui uma das maiores bancadas na Câmara dos Deputados e no Senado Federal, aposta que a liberdade de composição regional e a ênfase em disputas proporcionais garantirão maior capilaridade e influência na próxima legislatura. Nas projeções internas, essa estratégia aumenta as chances de o MDB participar do centro de gravidade político que se formará após as eleições, independentemente de quem vença a corrida presidencial.

Ao encerrar a convenção, dirigentes reiteraram que a resolução aprovada nesta segunda-feira passará a orientar imediatamente os preparativos para o pleito. Os diretórios estaduais estão autorizados a registrar coligações e candidatos até as datas-limite fixadas pelo Tribunal Superior Eleitoral, observando apenas as normas estatutárias internas e a legislação vigente. Dessa forma, o partido avança para a campanha com diretrizes claras, foco definido e autonomia descentralizada como principais pilares de sua atuação eleitoral.