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Entidades pedem apuração rigorosa após invasão e depredação de fazendas em Sidrolândia

A invasão das Fazendas São Sebastião e Água Clara, localizadas em Sidrolândia (MS), no último fim de semana, segue repercutindo entre organizações do agronegócio e autoridades de segurança pública. A Federação da Agricultura e Pecuária de Mato Grosso do Sul (Famasul) e a Associação dos Criadores de Mato Grosso do Sul (Acrissul) divulgaram notas oficiais nesta segunda-feira (15) condenando os atos praticados nas propriedades e solicitando investigação célere, com responsabilização dos autores.

De acordo com informações da Polícia Militar, o acionamento ocorreu no sábado (13), após relatos de invasões, depredação e conflitos nas duas fazendas. Para conter os incidentes, foram mobilizados efetivos do Comando de Policiamento Metropolitano, do Batalhão de Choque, do Batalhão Rodoviário e do Batalhão Rural. A corporação afirma que a operação restabeleceu a ordem, resguardou trabalhadores e preservou a integridade dos proprietários rurais.

Relatórios preliminares apontam que, na Fazenda São Sebastião, houve destruição de maquinários agrícolas, furto de insumos, focos de incêndio e derrubada de árvores, utilizadas como barricadas para dificultar o acesso das forças de segurança. Até o momento, não foram divulgados números oficiais de prejuízos ou a quantidade de pessoas eventualmente detidas durante a ação.

Em nota pública, a Famasul classificou a ocupação como invasão acompanhada de depredação severa. A entidade relatou incêndios em galpões, roubo de tratores, defensivos, cavalos e cabeças de gado. Segundo a federação, a sede administrativa e toda a estrutura de apoio à produção foram incendiadas, situação que paralisou integralmente as atividades no local e gerou perdas consideradas incalculáveis.

A federação ressaltou que a área figura em processo fundiário que tramita há vários anos na Justiça. Por essa razão, reforçou a necessidade de assegurar o direito de propriedade enquanto não houver decisão definitiva. O texto também cobrou “medidas firmes e efetivas” do poder público para garantir segurança jurídica no campo e evitar novas ações semelhantes.

A Acrissul, por sua vez, manifestou repúdio aos acontecimentos e classificou os episódios como “atos graves de violência no meio rural”. Na avaliação da associação, a invasão, associada a incêndio, furto de bens, destruição de estruturas produtivas e intimidação de trabalhadores, configura uma série de crimes que requer apuração rigorosa por parte das autoridades competentes.

Além da solidariedade aos proprietários, familiares e funcionários afetados, a entidade enfatizou que conflitos de posse ou domínio devem ser tratados pelos mecanismos institucionais disponíveis. A nota sublinha que “não cabe a qualquer grupo impor sua vontade pela força” e afirma que disputas fundiárias precisam seguir exclusivamente os meios legais.

A mesma manifestação da Acrissul também cobrou atuação mais efetiva do Governo Federal em questões fundiárias, sobretudo nos litígios envolvendo áreas reivindicadas por comunidades indígenas. Para a associação, a lentidão processual e a insegurança jurídica têm contribuído para o agravamento de tensões no meio rural, potencializando eventos semelhantes ao registrado em Sidrolândia.

No âmbito policial, equipes permanecem destacadas na região para prevenir novos confrontos e auxiliar nos levantamentos. A Polícia Militar informou que está consolidando laudos sobre os danos patrimoniais e coletando indícios que possam identificar participantes da invasão. Todo o material deverá ser encaminhado à Polícia Civil, responsável pela investigação criminal.

Até a manhã desta terça-feira (16), não havia confirmação oficial sobre presos ou indiciados. Também não foram divulgados prazos para conclusão do inquérito. As autoridades afirmam, entretanto, que o trabalho de perícia segue em andamento, incluindo coleta de depoimentos de funcionários, moradores vizinhos e representantes das fazendas afetadas.

Paralelamente, órgãos ligados ao setor produtivo articulam ações de suporte aos proprietários e trabalhadores. A Famasul estuda formas de mensurar os prejuízos para subsidiar eventual pedido de reparação judicial. Já a Acrissul informou que mantém contato com o governo estadual para acompanhar o desdobramento das investigações e reforçar pleitos por segurança no campo.

Embora o foco da ação policial tenha sido a Fazenda São Sebastião, a Polícia Militar confirma que houve sinalização de ocupação também na Fazenda Água Clara. Segundo a corporação, não foram identificados danos significativos naquela propriedade, mas equipes permanecem de prontidão para qualquer ocorrência.

O caso reacendeu o debate sobre disputas fundiárias em Mato Grosso do Sul, onde há processos envolvendo áreas privadas reivindicadas por diferentes grupos sociais. Produtores rurais defendem maior agilidade do Judiciário nas decisões, enquanto movimentos sociais pedem avanço na demarcação de territórios. As investigações sobre os fatos registrados em Sidrolândia continuarão sob responsabilidade da Polícia Civil, com acompanhamento do Ministério Público Estadual.

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