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Estoques de sangue seguem críticos em Dourados mesmo com campanha Junho Vermelho

O Dia Mundial do Doador de Sangue, lembrado em 14 de junho, evidenciou a dificuldade enfrentada pelo Hemosul de Dourados para manter reservas adequadas de hemocomponentes. Mesmo com a mobilização da campanha Junho Vermelho, o volume de doações registradas no município permanece muito abaixo do nível considerado seguro para atendimento da macrorregião.

Responsável pelo abastecimento de todos os hospitais de Dourados e de outras dez cidades vizinhas, o hemocentro necessita, segundo a coordenação local, de aproximadamente 1,2 mil doações mensais. Esse patamar permitiria repor continuamente os estoques e garantir atendimento a diferentes demandas hospitalares, que vão de cirurgias eletivas a emergências decorrentes de acidentes ou complicações clínicas.

Os números atuais, contudo, variam de 750 a 900 bolsas por mês. A diferença entre o necessário e o efetivamente coletado pressiona o sistema e reduz a margem de segurança para procedimentos que dependem de transfusões imediatas. A situação é agravada pela limitação de validade de alguns componentes, como plaquetas ‒ essenciais no tratamento de pacientes oncológicos, casos graves de dengue e quadros hemorrágicos ‒, que podem ser utilizadas por apenas cinco dias após a coleta.

De acordo com a coordenação, dois fatores explicam a tendência de queda. Primeiro, o envelhecimento do público que doa com frequência tem reduzido a base de voluntários aptos, pois muitos superaram a idade limite ou passaram a enfrentar condições de saúde impeditivas. Em paralelo, a adesão de jovens à prática ainda ocorre em ritmo insuficiente para compensar essas baixas.

Em âmbito nacional, o índice de doadores regulares também permanece aquém do recomendado. Estimativas do Ministério da Saúde indicam que entre 1,6% e 1,8% da população brasileira doa sangue com regularidade, enquanto a Organização Mundial da Saúde classifica como ideal uma taxa situada entre 3% e 5%. Essa lacuna reflete diretamente na capacidade de resposta dos hemocentros, sobretudo nos períodos de maior demanda ou em situações de emergência.

A defasagem registrada em Dourados não é caso isolado em Mato Grosso do Sul. Outras unidades estaduais relatam estoques reduzidos, o que limita a possibilidade de remanejamento interno quando um hemocentro enfrenta escassez repentina. Com menor margem de manobra, cresce o risco de interrupção de procedimentos hospitalares que dependem de transfusões programadas ou de atendimento a vítimas de traumas.

Além do desafio de atrair novos voluntários, o Hemosul de Dourados reforça que a continuidade das doações é fundamental para equilibrar os estoques ao longo de todo o ano. Homens podem doar até quatro vezes em um intervalo de 12 meses, com período mínimo de 60 dias entre cada coleta. Para mulheres, o limite é de três doações anuais, respeitando intervalo de 90 dias. A reposição dos hemocomponentes no organismo ocorre rapidamente, mas a necessidade hospitalar é permanente.

O processo de doação segue protocolos que visam garantir segurança ao doador e ao receptor. É preciso apresentar documento oficial com foto, ter entre 16 e 69 anos ‒ menores de idade precisam de autorização e presença de responsável ‒, pesar no mínimo 51 quilos, estar bem alimentado e em boas condições de saúde. Antes da coleta, são realizados triagem clínica, teste de hemoglobina e verificação de sinais vitais.

Algumas recomendações são reforçadas para reduzir eventuais recusas no momento do atendimento. É aconselhável evitar alimentos gordurosos nas quatro horas que antecedem a doação, não ingerir bebida alcoólica nas 12 horas anteriores e aguardar repouso adequado após atividades físicas intensas. Quem teve sintomas gripais deve aguardar dez dias após o desaparecimento dos sinais para doar. Já candidatos imunizados contra a covid-19 podem doar conforme prazo específico para cada tipo de vacina, geralmente entre 48 horas e sete dias.

A importância da doação regular também se explica pela possibilidade de uma única bolsa beneficiar até quatro pacientes. O sangue total é fracionado em concentrado de hemácias, plaquetas, plasma e crioprecipitado, produtos indicados para tratamentos distintos. Com o consumo constante desses componentes na rede hospitalar, qualquer oscilação na entrada de novos volumes pode comprometer cirurgias, partos de risco, atendimentos oncológicos e cuidados intensivos.

Mesmo diante das dificuldades, a coordenação do Hemosul de Dourados mantém a expectativa de que a campanha Junho Vermelho contribua para ampliar a consciência coletiva. A proposta é que a doação seja encarada como um hábito solidário de longo prazo e não apenas um gesto pontual em datas comemorativas ou emergências noticiadas.

O atendimento ao público ocorre de segunda a sexta-feira em horário comercial, com possibilidade de agendamento para reduzir filas e respeitar protocolos de biossegurança. Informações sobre horários especiais, documentos necessários e requisitos de saúde podem ser obtidas diretamente na unidade ou por telefone.

Profissionais de saúde reiteram que a estabilidade dos bancos de sangue depende exclusivamente da mobilização voluntária da comunidade. Manter o fluxo contínuo de doações é considerado estratégico para a garantia de tratamentos, cirurgias e intervenções de urgência que salvam vidas diariamente em Dourados e nos municípios vizinhos.

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