Arthur Lício, de 13 anos e residente em Campo Grande, foi premiado com o primeiro lugar em um programa internacional de tecnologia e liderança realizado no Humber College, no Canadá.
O jovem liderou a concepção do aplicativo Bliss, uma ferramenta que planeja itinerários e voos por meio de inteligência artificial e funciona sem conexão à internet. O intercâmbio de 21 dias reuniu estudantes de todo o país para desafios de empreendedorismo e desenvolvimento digital, e Arthur, o integrante mais jovem, assumiu a idealização da proposta tecnológica. A equipe contou com Pedro, de 17 anos, responsável pela programação, e Théo, encarregado da viabilidade financeira.
Bliss foi desenvolvido em apenas duas semanas e funciona como um assistente completo de bordo e planejamento. Segundo Arthur, “O nosso professor pediu para criarmos uma solução para problemas de viagens. Tive a ideia de criar um assistente, e o que nos diferencia é que o aplicativo consegue funcionar completamente sem internet. A resposta pode ter uma pequena defasagem de atualização recente, mas você tem todas as informações essenciais mesmo sem sinal.”
A vitória garantiu ao grupo o topo da avaliação do programa. Arthur pretende patentear a tecnologia e lançá‑la no mercado, além de estudar novas aplicações, como uma IA voltada para o setor gastronômico que sugere receitas com base nos alimentos disponíveis na geladeira. “Eu não pensei muito na idade de início, mas quando vi que era o mais novo e estava lidando com um dos melhores projetos da viagem, fiquei muito orgulhoso e feliz por conseguir me surpreender”, relata o estudante.
O interesse de Arthur pela era digital começou por volta dos 11 anos, quando o diálogo familiar sobre o papel da computação no cotidiano o estimulou. A mãe, antropóloga Viviane Luiza, afirma que a experiência internacional representa o resultado de uma formação focada em preparar jovens para os impactos sociais da tecnologia. “Sempre precisamos preparar as novas gerações para o que vem pela frente. Quando começou o debate sobre inteligência artificial, trouxe leituras e artigos para mostrar que isso já é realidade, e que ele não deveria ser apenas alguém que consome a IA, mas alguém capaz de entender o que está por trás e criar soluções”, diz Viviane.
Arthur já viveu nos Estados Unidos e no Canadá com a família, o que abriu portas para novos intercâmbios que estão em análise na Inglaterra e na Suíça. Para a mãe, o destaque individual também serve de alerta para o potencial de Mato Grosso do Sul. “Precisamos evidenciar nossas potencialidades e mostrar que a tecnologia pode ser desenvolvida em Mato Grosso do Sul, incentivando os nossos jovens a serem protagonistas dessa história digital e gerarem oportunidades para a sociedade”, defende a antropóloga.







