A implantação da rede coletora de esgoto chegou ao Jardim Columbia, na região norte de Campo Grande, desencadeando mudanças no dia a dia de moradores e comerciantes. A obra faz parte de um cronograma que abrange 22 pontos da capital sul-mato-grossense e já instalou aproximadamente 70 quilômetros de novas tubulações em diferentes bairros.
Com a expansão da infraestrutura, estabelecimentos que dependiam de fossas sépticas passam a se preparar para a conexão ao sistema público de coleta. A substituição promete aliviar o orçamento de pequenos negócios que arcam, regularmente, com o esvaziamento dessas estruturas. Segundo relatos de comerciantes, a limpeza das fossas pode ser necessária até duas vezes por mês, operação que chega a custar cerca de R$ 680 por serviço. A estimativa é de que, com a ligação ao novo encanamento, parte desse montante seja redirecionada para melhorias ou reforço do capital de giro.
Moradores antigos do setor norte também apontam benefícios ambientais. O uso prolongado de fossas, além de onerar o orçamento familiar, exige monitoramento constante para evitar transbordamentos e possíveis contaminações do solo. A chegada das adutoras elimina o risco de infiltração de resíduos e, ao mesmo tempo, encerra as interrupções operacionais enfrentadas por comércios que precisam suspender atividades durante a limpeza das fossas.
As frentes de escavação permanecem ativas em 40 ruas até a próxima sexta-feira (22). Cada trecho recebe sinalização preventiva para motoristas e pedestres, embora o ritmo das escavações possa sofrer ajustes conforme as condições climáticas. Equipes orientam condutores sobre rotas alternativas e reforçam a necessidade de reduzir a velocidade nas áreas em obra.
Intervenções previstas nesta semana
Jardim Columbia: Rua Pindaré, Rua Paranapebas e Avenida Caruma.
Guanandi II: Avenida Ezequiel Ferreira Lima, Rua Cambará, Rua Assaí e Rua Caratinga.
Tijuca: Ruas Tupacereta, Paraguaçú, Severino Pinheiro, Culuene, Xavantes, Rio da Prata, Visconde de Suassuna, Bartolomeu Mitre e Avenida Marechal Deodoro.
Itamaracá: Ruas Georgina Pereira Barbosa, Naor Lemes Barbosa, Amábile Tanarche Capi e Joana Maria de Souza.
Estrela Dalva: Ruas do Dromedário, do Camelo, da Cigarra, do Flamingo e das Palmeiras.
Nova Lima: Ruas dos Amigos, Dorcelina Folador, Santo Augusto, Madre Cristina, Florbela Espanca, Luz Del Fuego, Mãe Menininha do Gantóis, Chiquinha Gonzaga, Francisco Pereira Coutinho, Hanna Anache e Nazira Anache.
Centenário: Rua Francisco Gomes de Moraes e Avenida Guaicurus.
Tiradentes: Avenida José Nogueira Viêira e Rua do Prato.
O planejamento técnico prevê a conclusão progressiva dos trechos, permitindo a recomposição do pavimento logo após a instalação das tubulações. Em locais com grande fluxo de veículos, o serviço é realizado em etapas para minimizar impactos na mobilidade urbana. Até o momento, não há registro de paralisações significativas, mas a concessionária mantém canais de comunicação para informar, com antecedência, qualquer alteração no tráfego.
No Jardim Columbia, primeira área da zona norte a receber a nova malha de esgoto nesta fase, a maioria dos imóveis utiliza fossas sépticas desde a formação do bairro. A migração para o sistema público representa, para muitas famílias, a primeira conexão a uma rede de coleta padronizada. Para comerciantes que operam no varejo alimentício, o fim da necessidade de esgotar fossas em períodos curtos elimina riscos sanitários e amplia a capacidade de armazenamento interno, antes limitada pelas interrupções para manutenção.
Um comerciante que atua na área há mais de 20 anos calcula que gastava parte expressiva da receita mensal com a sucção dos resíduos. Segundo ele, a expectativa é reduzir despesas fixas e ampliar o estoque de produtos. Outros moradores relatam preocupação com o solo encharcado durante o período chuvoso, circunstância que tende a diminuir com o término das interligações.
De acordo com a concessionária responsável, a ampliação da rede coletora integra um programa contínuo de universalização do esgoto em Campo Grande. O objetivo é reduzir a utilização de fossas na periferia e elevar o índice de atendimento sanitário na capital. A cada fase concluída, as residências são notificadas sobre prazos e procedimentos para efetuar a ligação domiciliar, etapa que só ocorre após os testes de estanqueidade da tubulação principal.
A obra não interfere no abastecimento de água potável, mas exige cuidado redobrado com a rede pluvial e estruturas subterrâneas já existentes. Antes da escavação, técnicos verificam a posição de cabos de energia, telefonia e fibras ópticas para evitar rompimentos. Em caso de identificação de interferências, a frente de trabalho é redirecionada até a conclusão dos ajustes necessários.
Com cerca de 70 quilômetros de tubulações assentadas nesta etapa, a Prefeitura e a concessionária avaliam que o volume de obras representa avanço significativo no atendimento ao norte da cidade. Concluída a implantação, a área deve registrar redução de custos para esvaziamento de fossas, menor risco ambiental e, consequentemente, melhora na qualidade de vida dos moradores.









