Campo Grande concentra, nesta quinta-feira (18), as discussões sobre os rumos da agropecuária nacional. A sede da Federação da Agricultura e Pecuária de Mato Grosso do Sul (Famasul) recebe o Fórum Internacional da Agropecuária (FIAP 2026), que reúne autoridades federais e estaduais, representantes de organismos multilaterais, lideranças empresariais e especialistas estrangeiros para projetar o futuro do agronegócio brasileiro.
Com o tema “Receita Brasileira: a resposta da agropecuária à demanda mundial por alimentos e energia”, o encontro examina o papel do país em um cenário de demanda crescente, transformações nas cadeias globais de suprimentos e necessidade de soluções sustentáveis. A programação, concentrada ao longo do dia, inclui painéis sobre segurança alimentar, comércio exterior, pecuária, biocombustíveis, infraestrutura e inovação.
Brasil de importador a grande exportador
Na abertura, o presidente do Sistema Famasul, Marcelo Bertoni, ressaltou a evolução do setor nos últimos 40 anos. Segundo ele, o país passou de importador a protagonista no fornecimento de alimentos, saltando de 58,1 milhões para 352,2 milhões de toneladas de grãos. Bertoni atribuiu o desempenho ao avanço científico, ao investimento em tecnologia e ao esforço de milhões de produtores. Ele também destacou que Mato Grosso do Sul tem diversificado culturas, adotado sistemas de integração lavoura-pecuária-floresta e implementado ferramentas de rastreabilidade e bioenergia, o que reforça a imagem de um estado alinhado às exigências dos mercados internacionais.
Infraestrutura como principal gargalo
O governador de Mato Grosso do Sul, Eduardo Riedel, participou do fórum e apontou a logística como maior desafio para a expansão da produção. De acordo com o chefe do Executivo estadual, o ambiente de negócios já favorece novos investimentos, mas a competitividade depende da melhoria de rodovias, ferrovias, hidrovias e aeroportos. Riedel afirmou que o governo estadual direciona recursos a essas frentes e que a modernização da infraestrutura é determinante para reduzir custos de escoamento e ampliar o alcance dos produtos sul-mato-grossenses.
O governador também reforçou o papel da tecnologia no campo e destacou que os sistemas de defesa sanitária animal e vegetal do estado operam de forma informatizada, garantindo rastreamento eficiente e reconhecido em âmbito nacional. Outro ponto citado foi a Rota Bioceânica, corredor logístico que deve conectar o Centro-Oeste brasileiro aos portos do norte do Chile, abrindo caminho para novos mercados na Ásia e na costa oeste das Américas.
Programa federal para áreas degradadas
Em nome do Ministério da Agricultura e Pecuária, o secretário de Comércio Exterior, Pedro Cunto, apresentou o programa Caminho Verde. A iniciativa prevê a recuperação de 40 milhões de hectares de áreas degradadas, com adoção de práticas sustentáveis capazes de elevar a produção sem ampliar a fronteira agrícola. Segundo Cunto, o governo já disponibiliza 30 bilhões de reais em linhas de crédito específicas e orienta produtores a procurar instituições financeiras habilitadas, uma vez que os projetos exigem monitoramento detalhado.
Participação internacional e temas em debate
O FIAP 2026 conta com delegações da Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO), do Ministério da Agricultura e Pecuária, da Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (ApexBrasil), da Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (ABIEC), além de executivos de empresas como a JBS, embaixadores e adidos agrícolas. A presença desses atores confere ao fórum caráter estratégico, pois permite alinhar expectativas de mercado, políticas públicas e demandas de sustentabilidade.
Entre os tópicos discutidos, ganham destaque:
- Segurança alimentar em um contexto de populações urbanas crescentes;
- Tendências do comércio internacional e possíveis impactos de barreiras tarifárias e não tarifárias;
- Pecuária de baixo carbono e rastreabilidade como requisitos de acesso a mercados premium;
- Expansão dos biocombustíveis e potencial brasileiro na produção de energia limpa;
- Oportunidades derivadas da Rota Bioceânica e de novos corredores logísticos;
- Financiamento verde e instrumentos de crédito ligados a metas de sustentabilidade.
Organização do evento
O fórum é promovido pelo Canal Rural e pela BR IN Eventos, com correalização da Famasul. Recebem apoio institucional a ApexBrasil, o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, o Governo de Mato Grosso do Sul, o Serviço Nacional de Aprendizagem Rural (Senar), o Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae) e empresas do setor. A expectativa dos organizadores é que os debates consolidem propostas para serem apresentadas em agendas nacionais e internacionais até 2026, ano em que ocorrerá a próxima edição.
Ao final dos painéis, será elaborado um documento-síntese com recomendações para políticas públicas, investimentos privados e parcerias globais, reforçando o objetivo do encontro: posicionar o Brasil como fornecedor confiável de alimentos e energia, capaz de combinar aumento de produtividade com conservação ambiental.








