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Bebê prematuro recebe alta após 46 dias de internação em Campo Grande

Um recém-nascido prematuro deixou o hospital em Campo Grande após 46 dias de cuidados intensivos. Allan, que chegou ao mundo com 29 semanas de gestação, recuperou-se o suficiente para voltar para casa com os pais e a irmã mais velha, encerrando uma etapa que mobilizou equipes médicas, de enfermagem e apoio multiprofissional.

O parto ocorreu em 1º de maio na Maternidade Cândido Mariano, instituição que mantém parceria com a Unimed Campo Grande para oferecer assistência materno-infantil. Na ocasião, Allan pesava 1,735 quilo e media 39 centímetros, índices considerados bem abaixo dos parâmetros de um nascimento a termo. Imediatamente após o parto, o bebê foi encaminhado à Unidade de Terapia Intensiva Neonatal (UTI), onde permaneceu em observação contínua até atingir condições clínicas seguras para a alta.

A trajetória começou ainda na gestação, classificada como de alto risco para a mãe, a técnica de enfermagem Alexia Nicole dos Santos Miranda, de 27 anos. Por volta da 26ª semana, ela sofreu um descolamento de placenta que exigiu intervenção cirúrgica para prolongar a gestação. A partir desse evento, Alexia passou a ser monitorada por uma equipe formada por obstetras, enfermeiros, psicólogos, assistentes sociais e outros profissionais, com o objetivo de reduzir riscos para mãe e filho.

Segundo a ginecologista e obstetra responsável, Dra. Analícia Neves Fiorentino, o trabalho conjunto foi decisivo para o resultado positivo. A especialista destaca que, além da tecnologia disponível na UTI neonatal, a atuação integrada de diferentes áreas proporcionou ambiente estável, fundamental para o desenvolvimento de bebês prematuros. Durante o período de internação, Allan recebeu suporte respiratório, acompanhamento nutricional e estímulos adequados ao seu estágio de crescimento.

Embora não pudesse permanecer ao lado do filho em tempo integral, a mãe relata que o contato frequente com a equipe e a atualização constante sobre o quadro clínico ofereceram segurança. Alexia lembra que, antes do nascimento, sua principal incerteza era saber se ouviria o choro do bebê na sala de parto. O primeiro sinal de vitalidade veio com um choro vigoroso, considerado um indício favorável pelos profissionais.

O processo de ganho de peso foi acompanhado de perto. Em neonatologia, o crescimento diário, mesmo em gramas, é importante para avaliar a resposta do organismo a intervenções médicas e nutricionais. A cada avanço, os parâmetros de monitoramento foram ajustados, sempre com vistas a reduzir o tempo de permanência em unidade intensiva sem comprometer a segurança.

Além do aspecto clínico, a maternidade adotou práticas de cuidado humanizado, que incluem estímulo à participação dos pais sempre que possível, orientação sobre aleitamento materno e suporte psicológico. Segundo o diretor administrativo da Unimed Campo Grande, Filipe Vieira, resultados como o de Allan validam o modelo de parceria implantado há um ano com a Maternidade Cândido Mariano, baseado em integração de recursos tecnológicos e atenção centrada na família.

Na segunda-feira, 15, os profissionais que acompanharam a evolução do recém-nascido comemoraram a liberação para o convívio domiciliar. O momento da alta envolveu a entrega de orientações sobre rotina de alimentação, sinais de alerta e consultas de acompanhamento. Essas recomendações são padrões para prematuros, que frequentemente precisam de acompanhamento ambulatorial até completar marcos de desenvolvimento equivalentes a bebês nascidos a termo.

O caso reforça dados de entidades pediátricas que apontam a prematuridade como um dos principais desafios de saúde neonatal. Bebês que nascem antes da 37ª semana apresentam maior risco de complicações respiratórias, infecções e dificuldades na regulação de temperatura corporal. Intervenções precoces em ambiente adequado, aliadas a equipes multidisciplinares, elevam as chances de desfechos positivos.

Para a família, o retorno para casa representa o início de uma nova fase. Embora o período hospitalar tenha sido marcado por incertezas, Alexia avalia que o acolhimento recebido contribuiu para enfrentar a ansiedade. Ela destaca a postura dos profissionais, que mantiveram diálogo aberto e forneceram informações detalhadas, permitindo compreender cada etapa do tratamento.

A história de Allan integra uma série de atendimentos realizados no primeiro ano de cooperação entre a operadora de saúde e a maternidade. De acordo com a administração das duas instituições, o objetivo é consolidar um protocolo de atendimento que una infraestrutura, capacitação profissional e ênfase no fator humano, considerado essencial no cuidado a gestantes de alto risco e recém-nascidos prematuros.

Allan seguirá acompanhamento pediátrico periódico, prática recomendada para crianças que passaram por internações prolongadas em UTI neonatal. O cronograma inclui avaliações de crescimento, audição, visão e desenvolvimento motor. Com a alta, a família assume responsabilidades cotidianas, agora respaldada por orientações formalizadas durante o processo de transição hospitalar para o lar.

Casos como este evidenciam os avanços da neonatologia e a importância do trabalho coordenado entre diferentes especialidades. A trajetória, iniciada com complicações gestacionais e concluída com a liberação médica ao fim de 46 dias, ilustra a capacidade de recuperação de recém-nascidos prematuros quando submetidos a cuidado intensivo qualificado e suporte familiar consistente.

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