A Câmara Municipal de Três Lagoas, no leste de Mato Grosso do Sul, aprovou por unanimidade o projeto que autoriza a cessão em comodato de uma área pública à empresa MSFC Florestal. A decisão permite a instalação de um terminal portuário fluvial estimado em mais de R$ 100 milhões de investimentos privados. A medida foi classificada pelos vereadores como um passo estratégico para consolidar o município como polo logístico regional e impulsionar a economia local.
O presidente da Casa, Antônio Luiz Teixeira Empke Júnior, conhecido como Tonhão, ressaltou que o novo empreendimento deverá ampliar a capacidade de escoamento da produção industrial, agrícola e florestal. Segundo ele, a cidade reúne ferrovia, rodovia, hidrovia, aeroporto e potencial energético, combinação que favorece a atração de negócios. Além da construção do terminal, a empresa se comprometeu a implantar melhorias de infraestrutura e a desenvolver um parque ecológico na região da Cascalheira, onde o porto será instalado.
De acordo com Tonhão, a fase inicial da obra deve gerar centenas de empregos diretos, além de oportunidades indiretas em atividades de transporte, serviços e operações logísticas. O vereador argumenta que o efeito multiplicador se estenderá a toda a Costa Leste do Estado, contribuindo para elevar a arrecadação municipal e gerar renda em setores como comércio, hotelaria e alimentação.
O projeto aprovado prevê que a área cedida permaneça sob domínio público, com uso condicionado ao funcionamento do terminal. A cessão em comodato estabelece contrapartidas ambientais e sociais que deverão ser cumpridas pela MSFC Florestal durante a implementação e a operação do porto. Entre elas estão a recuperação de trechos degradados, a criação do parque ecológico e a manutenção periódica de vias de acesso.
Para o vereador Fernando Jurado, a instalação do novo porto recoloca Três Lagoas no mapa logístico nacional, posição que, segundo ele, havia sido enfraquecida ao longo das últimas décadas. Jurado observa que, no início dos anos 2000, o município se destacava justamente pela integração de modais, situação que volta a ganhar força com a proposta de retomar o transporte hidroviário e a reativação do ramal ferroviário que corta o território local.
O parlamentar também relacionou o projeto ao contexto da reforma tributária em discussão no país. Com a perspectiva de redução ou extinção de incentivos fiscais estaduais, Jurado avalia que fatores como logística, disponibilidade de energia e conectividade passam a ter peso maior nas decisões de investimento do setor privado. Ele argumenta que, diante desse cenário, a combinação de porto fluvial, ferrovia e malha rodoviária em Três Lagoas torna-se diferencial competitivo relevante.
Os defensores da proposta consideram que a aprovação legislativa atende a uma demanda histórica do município por diversificação econômica. Atualmente, a base industrial local é fortemente ligada ao setor de celulose, que já se beneficia do transporte aquaviário pelo rio Paraná. Com o novo terminal, a expectativa é ampliar a movimentação de cargas gerais e fomentar a instalação de empresas em segmentos como logística integrada, armazenamento e processamento de grãos.
Além dos ganhos econômicos, vereadores destacaram a possibilidade de reduzir o fluxo de caminhões em rodovias estaduais, deslocando parte do transporte para a hidrovia. A mudança pode contribuir para diminuir custos de frete, aliviar a malha viária e cortar emissões de gases associados ao modal rodoviário. Nos próximos meses, a MSFC Florestal deverá apresentar o cronograma definitivo de obras, estudos ambientais e detalhamento das contrapartidas previstas em contrato.
Com a autorização legislativa, o Executivo municipal fica apto a formalizar o termo de cessão e acompanhar o cumprimento das exigências legais. O andamento do projeto será monitorado por comissões permanentes da Câmara, que prometem fiscalizar prazos, metas de geração de empregos e investimentos em infraestrutura pública. O resultado, afirmam os vereadores, poderá posicionar Três Lagoas como referência em logística multimodal no Centro-Oeste.









