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Engepar diversifica negócios e projeta nova fase de expansão no interior de Mato Grosso do Sul

A Engepar iniciou uma mudança estratégica para ampliar sua presença no interior de Mato Grosso do Sul. O movimento foi detalhado pelo diretor executivo, Marco Menegazzo Moreira, durante a Expoagro de Dourados, onde o executivo descreveu o avanço da empresa para além do segmento habitacional que consolidou a marca na região.

Fundada em 1997, a companhia começou com pequenas obras de infraestrutura e, ao longo dos anos, construiu um portfólio que hoje abrange rodovias, linhas de transmissão, subestações de energia, projetos industriais, urbanismo e habitação. Conforme Moreira, essa diversificação viabilizou a entrada da empresa em contratos de maior complexidade e permitiu que 90% das operações permanecessem concentradas em Mato Grosso do Sul, sem impedir a conquista de oportunidades em outros estados.

Em Dourados, a presença da Engepar ganhou força com a aquisição de uma área que, no futuro, originou o empreendimento Vila Toscana, voltado ao urbanismo residencial. A partir desse projeto, a companhia participou de outras iniciativas relevantes para a cidade, como a construção do Hospital Regional de Dourados e de duas unidades prisionais. Esses contratos reforçaram a percepção local de que o grupo atua em diferentes frentes de engenharia, não apenas no desenvolvimento imobiliário.

A ampliação de escopo incluiu a entrada em leilões de concessão promovidos pela Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel). Moreira relatou que a Engepar já prestava serviços ao setor e decidiu disputar ativos de transmissão. O primeiro resultado foi a concessão em Juazeiro do Norte, no Ceará, cuja estrutura já foi energizada e será administrada pela empresa por três décadas. O próximo passo pode ocorrer em Iguatemi, no sul de Mato Grosso do Sul, onde a companhia identifica condições favoráveis para um novo investimento.

Enquanto Campo Grande e Dourados seguem como bases de maior destaque na área habitacional, a empresa planeja levar essa operação a municípios como Três Lagoas, Rio Brilhante e cidades do chamado “bolsão da celulose”, região impulsionada pela expansão industrial ligada à produção de papel e celulose. De acordo com o executivo, a localização geográfica do estado, a força do agronegócio e a diversificação econômica criam um ambiente propício para novos aportes privados.

Atualmente, o grupo emprega cerca de mil colaboradores e mantém foco no mercado sul-mato-grossense. Apesar disso, projetos de transmissão de energia e outras obras industriais elevaram a presença fora do estado. A estratégia, segundo o diretor, combina contratos de longa duração, como concessões, com empreendimentos que oferecem retorno mais rápido, caso dos loteamentos urbanos e das construções habitacionais.

A sucessão familiar também foi abordada na entrevista realizada na Expoagro. O fundador, Clementino, continua atuante em decisões estratégicas e comerciais, mas delegou a condução executiva ao filho. A irmã do diretor passou a acompanhar reuniões de diretoria para se familiarizar com os processos internos, num modelo descrito como transição gradual, sem rupturas bruscas.

Embora o portfólio tenha se tornado mais diversificado, Moreira ressaltou que o crescimento segue apoiado em valores que, segundo ele, permanecem inalterados desde a fundação. A honestidade foi citada como pilar central para preservar a confiança de clientes, parceiros e colaboradores, além de sustentar o alinhamento interno em ciclos de expansão.

A expectativa da empresa é fortalecer a oferta de soluções em infraestrutura, energia e habitação de forma integrada. Para viabilizar a nova etapa, a Engepar monitora a agenda de leilões federais, avalia parcerias público-privadas nos municípios e mantém diálogo com prefeituras interessadas em projetos urbanos. O objetivo é avançar de forma seletiva, priorizando empreendimentos que combinem retorno financeiro e contribuição ao desenvolvimento regional.

Com esses passos, a Engepar pretende ampliar a participação em obras estruturantes e consolidar sua posição em segmentos considerados estratégicos, como o de transmissão de energia. Ao mesmo tempo, a companhia reforça a presença em cidades do interior sul-mato-grossense, buscando equilibrar expansão geográfica, diversificação de receitas e a manutenção da cultura organizacional que, de acordo com a diretoria, sustenta a imagem de “fazer bem-feito” os projetos a que se propõe.