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Operação Escudo Aéreo retém cocaína, mercadorias irregulares e veículos furtados na fronteira de Corumbá

Uma força-tarefa coordenada pela Receita Federal concluiu, na última semana, uma série de ações de fiscalização em Corumbá, município sul-matogrossense que faz fronteira terrestre com a Bolívia. Batizada de Operação Escudo Aéreo, a iniciativa resultou na apreensão de aproximadamente oito quilos de cocaína, na retenção de cerca de quatro toneladas de mercadorias sem documentação regular e na recuperação de dois veículos com registro de furto.

O trabalho envolveu servidores do Departamento de Repressão à Corrupção e ao Crime Organizado (DRACCO) da Polícia Civil de Mato Grosso do Sul, militares do Exército Brasileiro e agentes do Centro Nacional de Operações Aéreas da Receita Federal (CEOAR). A integração entre esses órgãos teve como objetivo intensificar a presença do poder público em rotas frequentemente utilizadas para o tráfico de drogas, o contrabando e outros delitos transnacionais.

Fiscalização em áreas rurais, rodovias e perímetro urbano

As equipes percorreram assentamentos, estradas vicinais, rodovias estaduais e trechos urbanos considerados estratégicos para a movimentação ilícita de cargas. A escolha dos pontos de abordagem levou em conta levantamentos de inteligência que indicam maior incidência de crimes ligados ao comércio irregular e ao transporte clandestino de entorpecentes na região de fronteira.

Ao longo da operação, os agentes recolheram várias categorias de produtos introduzidos no país sem o pagamento de tributos ou sem a documentação exigida pela legislação aduaneira. Entre os itens com maior volume, a Receita Federal classificou eletrônicos, vestuário, artigos de higiene, brinquedos e peças automotivas. O peso total desses materiais soma cerca de quatro toneladas, quantidade que evidencia a dimensão do fluxo ilegal de mercadorias que atravessa a linha internacional.

Recuperação de veículos e identificação de meios usados por contrabandistas

Além das mercadorias retidas, a força-tarefa localizou dois automóveis com registro de furto. Após consulta aos bancos de dados policiais, foi confirmada a subtração dos veículos em outros estados do país, indicando que a fronteira de Corumbá segue sendo utilizada como corredor para a saída ou circulação de automóveis roubados. Durante a mesma ação, três veículos adaptados para o transporte de combustível contrabandeado e outras cargas ilícitas também foram identificados e apreendidos.

A Receita Federal informou que a Escudo Aéreo integra o programa Força Especial de Repressão Aduaneira (FERA Nacional), criado para ampliar a vigilância em pontos considerados sensíveis ao avanço de organizações criminosas. O programa concentra esforços em áreas fronteiriças com histórico de apreensões significativas de drogas, armas, cigarros e produtos falsificados.

Uso de recursos aéreos e monitoramento permanente

O apoio do CEOAR permitiu o sobrevoo de regiões de difícil acesso e o acompanhamento em tempo real de deslocamentos suspeitos. Imagens captadas por aeronaves da Receita Federal auxiliaram as equipes terrestres na seleção de alvos e na abordagem simultânea de veículos, reduzindo a possibilidade de fuga de suspeitos pelos ramais secundários que cortam a zona rural corumbaense.

Segundo balanço parcial divulgado pela coordenação da operação, nenhuma pessoa foi presa em flagrante no momento das apreensões de cocaína ou de mercadorias. Os responsáveis pelos materiais ilícitos não foram localizados nos locais de armazenamento, prática recorrente em crimes de contrabando que utilizam depósitos temporários próximos à fronteira para reduzir riscos de captura.

A operação concentrou esforços numa das áreas mais vulneráveis do Mato Grosso do Sul para a entrada de entorpecentes e produtos irregulares. A proximidade com rotas que partem da Bolívia, país apontado por órgãos de segurança como fornecedor de cocaína destinada ao mercado brasileiro, aumenta a pressão sobre as forças policiais locais e torna recorrentes as ações conjuntas de fiscalização.

Com o encerramento das atividades de campo, a Receita Federal encaminhou a droga apreendida para perícia e contabilização final, enquanto as mercadorias irregulares seguiram para os procedimentos administrativos de perdimento previstos em lei. Já os automóveis recuperados foram recolhidos ao pátio da Polícia Civil, onde permanecerão até a conclusão dos trâmites necessários à devolução aos proprietários registrados.

A Operação Escudo Aéreo reforça a estratégia de integração entre instituições federais, estaduais e militares para conter o avanço do crime organizado na faixa de fronteira. As autoridades destacam que novas ações do mesmo tipo estão previstas para os próximos meses, mantendo o monitoramento contínuo de rotas usadas para o tráfico de drogas, o contrabando de mercadorias e a circulação de veículos furtados.