O mercado de câmbio registrou forte valorização do real nesta terça-feira (5). Em um dia marcado pelo aumento do apetite internacional por ativos de risco, o dólar comercial encerrou os negócios cotado a R$ 4,91, queda de 1,12% em relação ao fechamento anterior. Trata-se do menor patamar nominal da moeda norte-americana desde meados de 2021, refletindo fluxos externos favoráveis e a percepção de que o Brasil continuará oferecendo juros elevados por um período prolongado.
Durante a sessão, o movimento de baixa ocorreu de forma praticamente linear. A cotação chegou a tocar R$ 4,90 na mínima intradiária, sem sinalizar recuperação consistente ao longo do pregão. No acumulado de 2026 — marcador utilizado pelos agentes para comparar o desempenho anual — a divisa já apresenta desvalorização superior a 10% frente ao real, indicando um desmonte gradual de posições defensivas construídas anteriormente.
Cenário externo impulsiona moedas emergentes
A principal força por trás da depreciação do dólar foi o ambiente externo mais favorável. Investidores globais retomaram a busca por rendimento em mercados emergentes, movimento que costuma fortalecer divisas como o real. A melhora na percepção de risco teve origem, em grande parte, na continuidade de um cessar-fogo parcial entre Estados Unidos e Irã, que contribuiu para aliviar temores de escalada militar no Oriente Médio. Com menor incerteza geopolítica imediata, gestores voltaram a rebalancear portfólios em direção a ativos considerados mais arriscados, favorecendo bolsas e moedas de países com fundamentos fiscais e monetários relativamente sólidos.
Juros brasileiros permanecem no centro das atenções
No front doméstico, a divulgação da ata da última reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) reforçou a percepção de que a taxa básica de juros permanecerá em patamar elevado por mais tempo. Embora o documento não tenha trazido novidades substanciais, a ênfase no compromisso com o controle da inflação foi interpretada como sinal de continuidade de uma política monetária restritiva. Taxas mais altas no Brasil ampliam o diferencial em relação aos rendimentos oferecidos por economias avançadas, estimulando a entrada de recursos de investidores estrangeiros em busca de retorno, fenômeno conhecido como carry trade. Esse fluxo adicional de dólares, por sua vez, pressiona a cotação para baixo.
Bolsas avançam no Brasil e nos Estados Unidos
O clima positivo também se refletiu no mercado acionário. O Ibovespa, principal índice da B3, subiu 0,62%, impulsionado tanto pela melhora do humor global quanto por resultados corporativos divulgados ao longo do dia. Papéis de setores sensíveis à atividade doméstica lideraram os ganhos, enquanto companhias exportadoras tiveram desempenho mais moderado, acompanhando a apreciação do real. Nos Estados Unidos, o S&P 500 avançou, em sintonia com a percepção de menor aversão ao risco que permeou as principais praças financeiras internacionais.
Petróleo recua, mas permanece acima de US$ 100
Na direção oposta, as cotações do petróleo registraram queda próxima de 4%. A diminuição dos preços ocorreu em resposta à leitura de risco geopolítico ligeiramente menor após a manutenção do cessar-fogo parcial no Oriente Médio, região responsável por parcela relevante da oferta global da commodity. Apesar do recuo, o barril continua negociado acima de US$ 100, indicando que o mercado ainda precifica a possibilidade de novos choques de oferta caso o conflito volte a se intensificar. A volatilidade persistente no petróleo segue no radar de analistas, pois pode repercutir tanto na inflação quanto nas expectativas de juros ao redor do mundo.
Mercado mantém postura cautelosamente otimista
O conjunto dos indicadores desta terça-feira mostra um mercado mais confiante no curto prazo, porém atento a potenciais reveses. A combinação de juros domésticos altos, fluxo externo favorável e redução temporária das tensões geopolíticas sustentou a apreciação do real, mas participantes ressaltam que o cenário internacional permanece suscetível a mudanças rápidas. Qualquer sinal de recrudescimento de conflitos no Oriente Médio, alteração na trajetória de juros das principais economias ou decepção com dados macroeconômicos pode reverter parte dos ganhos recentes.
Por ora, o dólar em torno de R$ 4,90 reforça a tendência de queda observada desde o início do ano, enquanto a B3 e as bolsas globais continuam se beneficiando do movimento de busca por risco. Ao mesmo tempo, a manutenção de preços elevados do petróleo lembra que a instabilidade segue presente e exige monitoramento constante por parte de investidores, empresas e formuladores de políticas públicas.









