Um empresário de 64 anos foi preso na noite de quinta-feira (8) em Paranaíba, no leste de Mato Grosso do Sul, após a Justiça decretar sua prisão preventiva por crimes sexuais cometidos contra meninas da própria família. A ação foi cumprida por equipes da Delegacia de Atendimento à Mulher (DAM) do município.
De acordo com a Polícia Civil, a ordem de prisão foi expedida a partir de representação do Ministério Público Estadual no curso da ação penal que apura as denúncias. A investigação aponta que os abusos vinham ocorrendo havia vários anos e envolvem crianças de diferentes gerações do mesmo núcleo familiar.
O caso chegou ao conhecimento das autoridades quando uma adolescente de 13 anos revelou, durante a elaboração de um trabalho escolar, que sofrera abusos do investigado aos 9 anos de idade. A jovem confidenciou o episódio a profissionais da escola, que notificaram o Conselho Tutelar e, em seguida, a Polícia Civil. A partir desse relato, a DAM abriu inquérito, coletou depoimentos e reuniu indícios que sustentaram o pedido de prisão preventiva.
Nos primeiros depoimentos, a adolescente relatou que os encontros ocorriam em uma propriedade rural às margens do Rio Paranaíba. Segundo ela, o suspeito — casado com a tia-avó das vítimas — aproveitava momentos em que as crianças ficavam sozinhas para praticar atos libidinosos. Ainda conforme o relato, o homem pedia que a menor mantivesse segredo, apresentando os abusos como “brincadeira” ou “segredinho” entre eles.
Durante o avanço das apurações, outras mulheres da família procuraram espontaneamente a delegacia. Uma delas afirmou ter sido molestada pelo investigado aos 7 anos, descrevendo um padrão de comportamento que se repetia há décadas. Os novos depoimentos reforçaram a suspeita de que a prática criminosa ocorria de forma reiterada e silenciosa dentro do ambiente familiar.
A escola frequentada pela adolescente encaminhou ofício à DAM relatando que a aluna passou a sofrer crises recorrentes de ansiedade após ter sido perseguida recentemente pelo empresário nas proximidades do colégio. O documento aponta que os abalos emocionais afetaram diretamente o rendimento escolar da estudante, motivo pelo qual a equipe pedagógica solicitou acompanhamento especializado e providências das autoridades.
Com base nos elementos colhidos, a delegada responsável pelo inquérito representou pela prisão preventiva, argumentando que a medida era necessária para proteger as vítimas, evitar a intimidação de testemunhas e impedir a continuidade dos delitos. O Ministério Público manifestou-se favoravelmente, e o juízo competente acolheu a solicitação, expedindo o mandado cumprido na quinta-feira.
Os policiais civis localizaram o empresário na zona urbana de Paranaíba. Após a leitura dos direitos, ele foi conduzido à unidade policial para registro da ocorrência e, em seguida, transferido ao estabelecimento prisional da região, onde permanecerá à disposição da Justiça. A defesa poderá peticionar reconsideração, mas, até o momento, não houve pedido de revogação da custódia.
O investigado foi formalmente denunciado pelo crime de estupro de vulnerável, previsto no artigo 217-A do Código Penal, com agravantes relacionados ao vínculo familiar e à posição de autoridade exercida sobre as vítimas. Caso seja condenado, a pena pode ultrapassar 15 anos de reclusão, considerando as circunstâncias qualificadoras.
Paralelamente à prisão, a Polícia Civil continua a apuração para identificar outras possíveis vítimas e reunir provas complementares, incluindo perícias psicológicas, exames de corpo de delito indiretos e análise de laudos escolares. As investigações também buscam confirmar se houve omissão de terceiros que tinham conhecimento dos fatos e deixaram de comunicar às autoridades competentes.
A Delegacia de Atendimento à Mulher reforçou que denúncias de violência sexual podem ser feitas de forma anônima pelos canais de atendimento da Polícia Civil ou diretamente nas unidades especializadas. O órgão destaca que o acolhimento adequado e a preservação do sigilo são fundamentais para romper o ciclo de abusos contra crianças e adolescentes.
Até a conclusão do inquérito, a DAM manterá contato com órgãos de assistência social e psicológica para garantir acompanhamento às vítimas e aos familiares que desejarem apoio. O processo criminal tramita em segredo de justiça devido à natureza dos crimes e à proteção legal conferida a menores de idade.









