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Homicídios de jovens caem 37,9% em Mato Grosso do Sul em dez anos, aponta Atlas da Violência

Mato Grosso do Sul encerrou 2024 com 200 homicídios registrados entre pessoas de 15 a 29 anos, quantidade que representa recuo de 37,9% em relação às 322 ocorrências contabilizadas em 2014. O dado faz parte do novo Atlas da Violência, divulgado nesta semana pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) em parceria com o Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP).

Além do corte de longo prazo, o levantamento indica retração de 11,1% no comparativo anual mais recente. Entre 2023 e 2024 o indicador estadual passou de 225 para 200 mortes. Com a redução, a taxa sul-mato-grossense alcançou 31,4 assassinatos para cada 100 mil jovens, resultado considerado mais favorável do que a média nacional de 42,2 por 100 mil na mesma faixa etária.

Apesar do desempenho positivo na série histórica, o relatório reforça que a juventude continua sendo o grupo etário mais vulnerável à violência letal no Brasil. Em âmbito nacional, pessoas entre 15 e 29 anos corresponderam a 46,5% de todas as vítimas de homicídio em 2024, cenário que mantém a temática como desafio prioritário para políticas públicas de prevenção.

Nos dez anos analisados, Mato Grosso do Sul acumulou 2.433 mortes de jovens provocadas por agressões, intervenções legais ou operações de guerra, categorias definidas pelo Ministério da Saúde. O balanço evidencia a magnitude do impacto social e econômico gerado pela perda de capital humano em idade produtiva.

O perfil das vítimas locais mostra predominância masculina. Dos 200 jovens assassinados em 2024, 187 eram homens. A taxa específica para o público masculino ficou em 59,3 homicídios por 100 mil habitantes, inferior aos 87,3 registrados em 2014, mas ainda elevada. O Atlas associa a persistência desse quadro a fatores estruturais, como normas de masculinidade que incentivam a exposição a situações de risco e naturalizam a agressividade.

Para os pesquisadores, ignorar os componentes socioculturais que moldam o comportamento masculino limita a eficácia das respostas estatais. O documento recomenda o estímulo, desde o ambiente escolar, a práticas de resolução de conflitos que não envolvam violência, além de políticas que ampliem oportunidades socioeconômicas e consolidem redes de proteção em territórios vulneráveis.

O estudo observa que sexo, cor/raça, renda e localização geográfica atuam de forma combinada na distribuição da letalidade. As maiores taxas concentram-se nas periferias urbanas, onde a exposição a disputas armadas, mercados ilícitos e baixa presença do Estado potencializa o risco. No recorte regional, Norte e Nordeste concentram os índices mais altos, enquanto Sul e Sudeste apresentam patamares inferiores.

Os contrastes estaduais reforçam a heterogeneidade do fenômeno. São Paulo aparece com a menor taxa do país: 10,7 homicídios por 100 mil jovens. Na outra ponta, Bahia atinge 101,8 e Amapá lidera o ranking com 114,7. No acumulado da última década, as quedas mais acentuadas ocorreram no Distrito Federal (-79,6%), Goiás (-67,8%) e São Paulo (-58,0%). Em sentido oposto, Amapá (+45,2%), Pernambuco (+7,5%) e Bahia (+6,4%) registraram avanço nos indicadores.

Considerando o território nacional, 19.801 jovens foram assassinados em 2024, média de 54 mortes por dia. Quando se incluem os chamados “homicídios ocultos” — óbitos cuja causa não foi tipificada de forma clara — a taxa brasileira estimada sobe de 42,2 para 46,1 por 100 mil jovens, revelando possível subnotificação nos registros oficiais.

A Organização Mundial da Saúde (OMS) alerta que a eliminação prematura de contingentes significativos de jovens provoca efeitos duradouros no desenvolvimento econômico, enfraquece redes familiares de apoio e aprofunda ciclos de pobreza e exclusão social. Mesmo com a redução observada em Mato Grosso do Sul, o Atlas da Violência destaca a necessidade de continuidade e aprimoramento de ações preventivas para consolidar a tendência de queda na letalidade juvenil.

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