Uma mulher de 66 anos registrou boletim de ocorrência em Cassilândia, a 419 quilômetros de Campo Grande, após perder R$ 25.291,54 em um golpe aplicado por telefone. O caso, classificado como estelionato pela Polícia Civil, ocorreu na quarta-feira (22) e envolveu a suposta oferta de reembolso de uma compra realizada no aplicativo Mercado Livre.
De acordo com o registro policial, a vítima havia adquirido uma escada na plataforma no dia 9 de julho. Na mesma data em que foi à delegacia, ela recebeu uma ligação de um homem que se apresentou como funcionário do Mercado Livre. O interlocutor informou que a venda havia sido cancelada e que, para receber o valor gasto, seria necessário confirmar dados pessoais.
O golpista pediu o nome completo, número de documentos, endereço, fotografia do rosto e a chave Pix da consumidora. Convencida de que tratava de um procedimento legítimo, a idosa forneceu todas as informações solicitadas. Posteriormente, seguiu instruções adicionais enviadas pelo suposto atendente por meio do próprio telefone.
Horas mais tarde, o neto da vítima tomou conhecimento da situação e desconfiou que a avó pudesse ter sido enganada. Ele acessou os aplicativos bancários utilizados pela família e identificou três transações não reconhecidas, executadas logo após a ligação.
A primeira movimentação ocorreu em conta mantida no Banco do Brasil, totalizando R$ 12.177,39. As demais foram realizadas pelo serviço Mercado Pago, vinculado à plataforma de comércio eletrônico. Nesse ambiente, apareceram dois débitos: um de R$ 1.982,38 e outro de R$ 11.131,77. Somados, os valores correspondem exatamente a R$ 25.291,54.
Frente às evidências, os familiares conduziram a idosa até a Delegacia de Polícia de Cassilândia, onde formalizaram a denúncia. O boletim de ocorrência descreve a sequência de fatos: a compra inicial, a abordagem telefônica do suposto funcionário, o repasse dos dados pessoais e, por fim, as três transferências financeiras. O documento ainda não aponta suspeitos identificados nem relata bloqueio dos valores ou recuperação parcial dos recursos.
A investigação ficou a cargo da equipe local da Polícia Civil, que deverá solicitar informações às instituições financeiras envolvidas para rastrear a origem das transferências. Também deve ser requerido o histórico de ligações e dados cadastrais vinculados aos perfis que receberam os valores, a fim de verificar se pertencem a contas laranja ou a intermediários do golpe.
O caso amplia o número de ocorrências envolvendo tentativas de reembolso falso em plataformas de comércio eletrônico. Nessa modalidade de estelionato, criminosos consultam anúncios recentes, entram em contato com o comprador e alegam problemas na entrega ou cancelamento da venda. Em seguida, pedem dados bancários, senhas ou confirmações por aplicativos de pagamento instantâneo.

Imagem: Gerada IA Adriano Hany
Especialistas em segurança digital recomendam que consumidores nunca repassem senhas, códigos de confirmação, imagens pessoais ou chaves Pix a terceiros que se apresentem por telefone. Plataformas como o Mercado Livre mantêm canais oficiais de atendimento dentro do próprio aplicativo e não solicitam informações confidenciais fora desse ambiente. Em situações de dúvida, a orientação é encerrar a chamada e contatar diretamente a empresa pelos meios verificados.
Até o momento, não há relato oficial sobre bloqueio preventivo das contas que receberam o dinheiro nem indícios de que o montante tenha sido parcialmente estornado. A família da vítima pretende acompanhar o avanço das investigações e, se necessário, recorrer ao suporte das instituições financeiras para tentar mitigar o prejuízo.
Enquanto a apuração prossegue, a Polícia Civil reforça que casos de estelionato devem ser registrados o mais rápido possível, pois a comunicação imediata pode facilitar a identificação de movimentações atípicas e a adoção de medidas de contenção. No episódio de Cassilândia, entretanto, o golpe só foi percebido horas depois da ação, quando os valores já haviam sido transferidos para contas externas.
Segundo o boletim, a idosa dispõe de comprovantes da compra da escada, do histórico de ligações e das movimentações bancárias, todos anexados à investigação. A polícia não divulgou prazos para novas diligências nem informou se solicitará colaboração à unidade especializada em crimes cibernéticos da capital do Estado.
O estelionato registrado em Cassilândia soma-se a outros episódios recentes no interior de Mato Grosso do Sul, em que golpistas exploram a confiança de consumidores por meio de chamadas telefônicas e aplicativos de pagamento instantâneo. Autoridades recomendam atenção redobrada, especialmente entre usuários mais velhos, considerados alvos preferenciais por apresentarem menor familiaridade com dispositivos eletrônicos e procedimentos de segurança digital.







