O Mato Grosso do Sul alcançou o 7º lugar entre os estados brasileiros no Índice de Progresso Social (IPS) 2026, divulgado nesta quarta-feira (20). O estudo, que mede a qualidade de vida da população por meio de 57 indicadores sociais e ambientais, apontou que o estado somou 64,14 pontos na média ponderada pela quantidade de habitantes, superando a média nacional de 63,40 pontos.
O IPS utiliza duas metodologias paralelas: a média ponderada, que considera o peso demográfico de cada município, e a média simples, que atribui o mesmo valor a todas as cidades avaliadas. Na ponderação populacional, Mato Grosso do Sul assegurou posição de destaque porque parte expressiva de seus moradores vive em localidades com desempenho acima da média. Já na média simples, formada pelos 79 municípios sul-mato-grossenses, o estado registrou 60,08 pontos, resultado muito próximo dos 60,44 pontos obtidos pela média simples de todos os municípios brasileiros.
Segundo o economista Jaime Verruck, ex-secretário de Meio Ambiente, Desenvolvimento, Ciência, Tecnologia e Inovação do estado, o avanço nos indicadores sociais reflete a correlação entre crescimento econômico e melhoria da qualidade de vida. Para ele, desenvolvimento sustentável gera oportunidades de emprego, eleva renda e impacta positivamente aspectos como moradia e alimentação.
Desempenho dos principais municípios
O levantamento evidencia a concentração populacional em centros urbanos de melhor desempenho dentro do estado. Campo Grande, Dourados e Três Lagoas, que juntos abrigam elevada parcela dos habitantes, apresentaram índices superiores à média sul-mato-grossense.
Campo Grande foi o principal destaque. Entre as 27 capitais brasileiras, a cidade ocupou a 4ª colocação, atrás apenas de Curitiba, Brasília e São Paulo. Com 69,77 pontos, a capital sul-mato-grossense também figurou na 41ª posição entre os 5.570 municípios analisados, colocando-se entre as 50 localidades de melhor qualidade de vida do país.
O ranking interno do estado confirmou a liderança de Campo Grande e listou os dez municípios com maiores pontuações: Glória de Dourados (66,46), Dourados (65,89), Três Lagoas (65,47), Bataguassu (65,13), Jateí (64,68), Chapadão do Sul (64,50), Naviraí (64,42), Angélica (64,02) e Nova Andradina (63,87). Esses resultados indicam que, embora as notas variem, várias cidades de médio porte mantêm desempenho consistente e acima da referência nacional.
Indicadores avaliados pelo IPS
O Índice de Progresso Social aplica 57 métricas para aferir bem-estar e sustentabilidade, englobando três dimensões principais: necessidades humanas básicas, fundamentos do bem-estar e oportunidades. Entre os pontos analisados estão acesso a moradia digna, saneamento, educação, saúde, segurança, liberdade individual e proteção do meio ambiente. A metodologia não considera o Produto Interno Bruto (PIB) diretamente; em vez disso, foca em condições que impactam o cotidiano dos cidadãos de forma tangível.
Na edição 2026, o estudo reiterou a tendência de que localidades com alto índice de urbanização e maior oferta de serviços essenciais pontuam melhor. No caso de Mato Grosso do Sul, a infraestrutura instalada em Campo Grande, aliada ao crescimento industrial em cidades como Três Lagoas e ao agronegócio em Chapadão do Sul, contribuiu para elevar o escore estadual quando os dados são ponderados pela população.
Panorama comparativo nacional
Com 64,14 pontos na média populacional, Mato Grosso do Sul ficou ligeiramente acima da média do Brasil e reforçou sua participação no grupo de estados de desempenho elevado, embora ainda exista distância em relação às primeiras colocações. Os detalhes do relatório revelam que o país, como um todo, apresenta avanços moderados, mas lida com disparidades regionais significativas. Estados do Sul e Sudeste, tradicionalmente, lideram o ranking, enquanto parte do Norte e do Nordeste permanece abaixo da média nacional.
A posição conquistada pela unidade federativa resulta, principalmente, da combinação de políticas públicas de desenvolvimento com a captação de investimentos voltados a setores produtivos diversificados, como agronegócio, celulose, bioenergia e serviços. Esses fatores refletiram na expansão do emprego formal e no incremento da renda per capita, elementos que influenciam diretamente vários indicadores do IPS.
Expectativas para os próximos anos
A continuidade dos programas de infraestrutura, educação e saúde é apontada por analistas como fundamental para manter ou elevar o desempenho estadual nas próximas edições do índice. A ênfase em inovação, tecnologia e sustentabilidade, áreas que já possuem histórico de investimento local, tende a ampliar o impacto positivo sobre indicadores sociais e ambientais.
Representantes do setor produtivo também destacam a necessidade de fortalecer cidades de menor porte, reduzindo desigualdades internas e evitando a concentração excessiva de serviços em grandes centros. Ao distribuir melhor oportunidades de emprego e acesso a políticas públicas, o estado pode avançar ainda mais no ranking e assegurar ganhos consistentes de qualidade de vida para toda a população.
Com os resultados de 2026, Mato Grosso do Sul reafirma seu posicionamento entre as unidades federativas que combinam crescimento econômico e atenção às demandas sociais. O desempenho registrado reforça a percepção de que estratégias de desenvolvimento orientadas por dados e indicadores podem resultar em avanços concretos no bem-estar coletivo.








