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Mercado ajusta projeções e vê inflação a 4,92% e Selic a 13,25% neste ano

As expectativas de inflação e de juros para 2024 voltaram a subir, segundo o Boletim Focus divulgado pelo Banco Central nesta segunda-feira, 18 de março. O relatório, que consolida estimativas de centenas de instituições financeiras, apontou alta pela décima semana consecutiva na previsão para o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), agora em 4,92%.

O ajuste no quadro inflacionário pressionou também as projeções para a taxa básica de juros. Os analistas elevaram a estimativa da Selic de 13% para 13,25% ao ano ao fim do período. O movimento indica percepção de menor espaço para cortes na taxa atualmente fixada em 14,5% pelo Comitê de Política Monetária (Copom).

Inflação segue acima da meta oficial

A projeção de 4,92% para o IPCA permanece acima do teto de tolerância definido pelo Conselho Monetário Nacional (CMN), que estipula meta central de 3% com intervalo de 1,5 ponto percentual para mais ou para menos. Há quatro semanas, o Focus indicava inflação de 4,8%, o que demonstra deterioração gradual das expectativas de preços.

Os resultados recentes do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) ajudaram a consolidar o cenário de pressão. Em abril, o IPCA avançou 0,67%, ritmo menor que o observado em março, mas ainda puxado pelo grupo de alimentos e bebidas, que registrou alta de 1,34% e exerceu o maior impacto sobre o índice geral.

Trajetória esperada para juros

Com a Selic estimada em 13,25% no encerramento de 2024, o mercado indica que o ciclo de afrouxamento monetário deverá ser mais contido do que se imaginava no início do ano. Para 2025 e 2026, as projeções apontam recuo progressivo da taxa para 11,25% e 10%, respectivamente. A elevação de 0,25 ponto percentual na previsão desta semana reflete a percepção de que um IPCA persistentemente acima da meta exige postura mais conservadora da autoridade monetária.

Números projetados para os próximos anos

Além de inflação e juros, o Boletim Focus reúne estimativas para crescimento econômico e câmbio. Os principais números são:

  • IPCA: 4,92% em 2024; 4% em 2025; 3,65% em 2026.
  • Selic: 13,25% em 2024; 11,25% em 2025; 10% em 2026.
  • Produto Interno Bruto (PIB): expansão de 1,85% em 2024; 1,77% em 2025; 2% em 2026.
  • Dólar: R$ 5,20 ao fim de 2024; R$ 5,27 em 2025; R$ 5,34 em 2026.

As projeções para PIB e câmbio permaneceram estáveis em relação à semana anterior, sugerindo que, na avaliação dos agentes financeiros, o ambiente de atividade e o comportamento da moeda norte-americana não sofreram alterações relevantes no curto prazo.

Meta fiscal e crédito mais caro

Com a redução limitada da Selic, empréstimos, financiamentos e investimentos produtivos tendem a continuar em patamar elevado de custo. A taxa básica serve de referência para todas as modalidades de crédito, impactando diretamente famílias e empresas. Ao mesmo tempo, o cenário de inflação acima do objetivo oficial dificulta o cumprimento das metas fiscais, pois pressiona os gastos vinculados a benefícios e obrigações indexadas ao índice de preços.

Contexto de longo prazo

Apesar da pressão corrente, o Focus aponta desaceleração gradual dos preços a partir do próximo ano, quando a inflação recuaria para 4% e depois para 3,65%. Ainda assim, a taxa projetada para 2025 se mantém acima do núcleo central da meta. Para atingir o objetivo, será necessário que a política monetária permaneça em terreno considerado contracionista por período prolongado, justificando a manutenção da Selic acima de dois dígitos até 2026.

Já o câmbio, mantido em R$ 5,20 para 2024, apresenta tendência de leve depreciação do real nos anos seguintes. Esse movimento pode exercer influência adicional nos preços internos, especialmente em setores dependentes de insumos importados, configurando mais um fator de atenção para o controle inflacionário.

No caso do PIB, a projeção de crescimento de 1,85% para o ano corrente é a mesma há três semanas, sinalizando expectativa de expansão moderada, sustentada principalmente pelo setor de serviços e pelo desempenho do agronegócio. Para 2025, o número recua a 1,77%, antes de avançar a 2% em 2026, ritmo considerado insuficiente para reduzir de forma expressiva o desemprego e melhorar a renda média no curto prazo.

Próximos passos do Copom

O Comitê de Política Monetária reúne-se a cada 45 dias para avaliar as condições econômicas e definir a meta da Selic. A próxima decisão acontecerá em maio. À luz dos dados divulgados no Focus, parte do mercado passou a projetar corte menor do que o inicialmente previsto, avaliando que os sinais de inflação resistente e câmbio mais fraco justificam cautela. Mesmo assim, analistas seguem monitorando indicadores de atividade, emprego e inflação corrente para validar ou revisar suas apostas sobre o ritmo de flexibilização monetária.

O Boletim Focus é divulgado todas as segundas-feiras pelo Banco Central e compila estimativas de mais de uma centena de consultorias, bancos e gestoras de investimento. O documento serve como termômetro das expectativas privadas para os principais indicadores econômicos do país e é acompanhado de perto por formuladores de políticas públicas, investidores e tomadores de decisão em empresas dos mais diversos setores.

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