Campo Grande (MS) — Uma moradora de 57 anos do bairro Moreninha III registrou queixa de estelionato depois de perder mais de R$ 9 mil em um golpe que envolveu a atuação de criminosos que se passaram por advogado e juiz. A fraude ocorreu na terça-feira, 28, e está sob investigação da Polícia Civil.
Abordagem inicial pelo WhatsApp
Segundo o boletim de ocorrência, a vítima recebeu, pela manhã, uma mensagem de WhatsApp enviada por um homem que se apresentou como seu antigo advogado. Ele alegou ter representado a mulher em uma ação ajuizada em 2008 contra uma transportadora e informou que havia um saldo de R$ 8 mil disponível para saque. Para dar aparência de autenticidade, mencionou detalhes do suposto processo e solicitou que a vítima permanecesse disponível para novos contatos.
Horas depois, a mesma linha de comunicação foi reforçada com uma videochamada de um segundo indivíduo que se identificou como juiz responsável pelo caso. Durante a conversa, o homem reafirmou que o valor já estaria liberado e orientou a vítima a acessar um link que seria encaminhado pelo próprio aplicativo para concluir o procedimento de recebimento.
Link malicioso e contratação de empréstimo
Ao clicar no endereço eletrônico fornecido, a mulher foi direcionada a uma página que aparentava pertencer ao banco onde mantém conta. Pouco depois, observou movimentações financeiras atípicas em seu extrato. O registro policial aponta que, em nome dela, foi firmado um empréstimo consignado de R$ 9.382,65 sem qualquer autorização. O valor foi imediatamente creditado na conta corrente da vítima, permitindo que os estelionatários iniciassem novas transferências.
Transferências via PIX para contas de terceiros
O golpe prosseguiu com três operações PIX: R$ 2.000,88, R$ 4.999,99 e R$ 2.900,00. As quantias, em um primeiro momento, foram destinadas a outra conta de titularidade da própria vítima em instituição financeira distinta, estratégia que dificultou a percepção imediata da fraude. Na sequência, esses recursos foram redirecionados para contas de terceiros ainda não identificados.
No total, R$ 9.642,00 saíram das contas da mulher, valor ligeiramente superior ao montante do empréstimo, indicando que pequenas tarifas ou saldos existentes também podem ter sido movimentados pelos golpistas. Todo o processo ocorreu em curto intervalo de tempo, antes que qualquer alerta de segurança fosse emitido pela instituição bancária.
Descoberta da fraude e medidas adotadas
Somente após notar o débito referente ao empréstimo e as saídas via PIX, a vítima percebeu ter sido enganada. Ela entrou em contato com o atendimento do banco, contestou as operações e recebeu orientação para formalizar o caso junto à Polícia Civil. O boletim de ocorrência foi registrado na 4ª Delegacia de Polícia de Campo Grande na mesma data.

Imagem: Divulgação
Além do processamento da denúncia, a cliente solicitou bloqueio preventivo de novas transações e encaminhou pedido de cancelamento do empréstimo consignado. A instituição financeira deve analisar a reclamação e apurar se houve falhas nos protocolos de verificação que permitiram a contratação sem consulta direta à titular.
Investigação policial
A Polícia Civil instaurou inquérito para identificar os responsáveis pelos perfis usados no WhatsApp e rastrear as contas que receberam os recursos. Entre as diligências previstas estão a solicitação de dados cadastrais às operadoras de telefonia, a requisição de informações às instituições financeiras envolvidas e a análise dos registros de IP associados ao link malicioso.
De acordo com investigadores, a utilização de supostas autoridades e profissionais do direito é prática recorrente em golpes virtuais. O contato via aplicativos de mensagem, aliado a videochamadas rápidas, visa transmitir credibilidade e pressionar a vítima a agir sem confirmar a veracidade dos fatos.
Orientações de segurança
Especialistas recomendam que pessoas contatadas sobre processos judiciais verifiquem diretamente com o fórum ou com profissionais previamente contratados antes de fornecer dados ou clicar em links. Bancos também orientam clientes a não efetuar operações a partir de páginas encaminhadas por terceiros e a reportar imediatamente qualquer irregularidade.
Até o momento, não houve recuperação dos valores subtraídos. A vítima aguarda o andamento da investigação e o desfecho da disputa bancária para eventual ressarcimento.







