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Passeios literários buscam reviver memórias da antiga Estrada de Ferro em Campo Grande

Campo Grande (MS) — A história da Estrada de Ferro Noroeste do Brasil volta a circular pela antiga estação ferroviária da capital sul-mato-grossense a partir do início de agosto. O projeto Locomotiva de Histórias realizará cinco passeios literários que percorrem 41 murais instalados no Museu de Arte Urbana Casa Amarela, transformando depoimentos de ex-ferroviários, familiares e antigos passageiros em narrativas apresentadas ao público durante o roteiro.

A programação está marcada para os dias 2, 7, 8, 12 e 13 de agosto, sempre com grupos limitados a 15 participantes. Cada visita reúne até oito histórias resultantes de entrevistas, pesquisas documentais e trabalho de curadoria literária conduzido pela escritora e pesquisadora Tatiana De Conto. As inscrições não têm custo e precisam ser feitas antecipadamente, condição necessária para garantir vaga em razão da capacidade reduzida de cada sessão.

O trajeto, concebido como um “livro a céu aberto”, distribui-se pela Rua dos Ferroviários, número 118, no bairro Cabreúva, onde funcionava a antiga estação. Ao longo do percurso, os murais criados pelo artista visual Guido Drummond recebem nova camada de significado: além do valor estético, passam a operar como pontos de leitura oral, estimulando a compreensão do papel da ferrovia na formação econômica, social e cultural de Campo Grande.

Conteúdo digital amplia acesso às narrativas

Para complementar a experiência presencial, o projeto prepara o lançamento de um acervo audiovisual previsto para 29 de agosto. O material reunirá vídeos que registram as mesmas histórias contadas nos passeios, todos acompanhados por recursos de acessibilidade em Libras. O acesso será gratuito e poderá ser feito de qualquer dispositivo conectado à internet. Nos próprios murais, QR Codes direcionarão o visitante ao site oficial, permitindo que moradores e turistas retornem às narrativas mesmo fora das datas de visita guiada.

Segundo os organizadores, a integração entre arte urbana, literatura e tecnologia busca preservar a memória coletiva de um período decisivo para o desenvolvimento local. A chegada dos trilhos da Estrada de Ferro Noroeste do Brasil, no início do século XX, estimulou o crescimento urbano, atraiu mão de obra de diferentes regiões e criou um fluxo comercial que redefiniu o território hoje ocupado por Campo Grande.

Metodologia baseada em relatos orais

O conteúdo literário foi construído a partir de depoimentos concedidos por trabalhadores que atuaram no trecho sul-mato-grossense da ferrovia, bem como por familiares e pessoas que utilizavam o trem como principal meio de transporte. As entrevistas foram gravadas, transcritas e analisadas, dando origem a textos ficcionalizados sem perder a fidelidade aos fatos narrados. A abordagem transforma lembranças individuais em patrimônio compartilhado, reforçando a importância de registrar vivências antes que se percam com o tempo.

A Associação dos Ferroviários Aposentados e Pensionistas colaborou no levantamento de fontes e na mobilização de ex-empregados. Para a entidade, documentar essas memórias equivale a preservar parte da identidade urbana, já que a ferrovia exerceu influência direta sobre bairros, comércio e dinâmica populacional da capital.

Funcionamento dos passeios

Cada grupo parte da Casa Amarela e segue um circuito previamente definido, onde mediadores apresentam as obras visuais e leem as narrativas correspondentes. O formato privilegia a oralidade, prática que aproxima o público dos personagens retratados nos textos. Ao final do roteiro, os participantes podem interagir, fazer perguntas e compartilhar recordações individuais relacionadas ao tema.

A organização recomenda o uso de calçados confortáveis e chegada com pelo menos 15 minutos de antecedência. Em caso de chuva intensa, as atividades poderão ser remarcadas, informa a coordenação. Como as vagas são reduzidas, a desistência deve ser comunicada para que outras pessoas na lista de espera sejam chamadas.

Serviço

Passeios literários: 2, 7, 8, 12 e 13 de agosto.
Horários: conforme disponibilidade na inscrição.
Capacidade: até 15 pessoas por grupo.
Local de saída: Museu de Arte Urbana Casa Amarela, Rua dos Ferroviários, 118, bairro Cabreúva, Campo Grande (MS).
Inscrições: gratuitas, com reserva antecipada.
Lançamento do site e acervo audiovisual: 29 de agosto.

Com a iniciativa, organizadores esperam que o público percorra o mesmo caminho trilhado pelos antigos vagões, mas guiado agora por palavras e imagens que resgatam o vínculo entre a cidade e seus trilhos.