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Operação desarticula quadrilha de furtos em empresas de celulose e prende 10 suspeitos em Brasilândia

Uma operação conjunta das polícias Civil e Militar de Mato Grosso do Sul e São Paulo prendeu, na quinta-feira (7), dez pessoas suspeitas de integrar uma quadrilha especializada em furtos a propriedades rurais, empresas do setor de celulose e prestadoras de serviços na região de Brasilândia (MS). A ação cumpriu 10 mandados de prisão e 13 de busca e apreensão, após investigações que apontam prejuízos milionários às vítimas.

Coordenada pela Delegacia de Polícia Civil de Brasilândia, a ofensiva mobilizou mais de 40 agentes de diversas unidades. Segundo a polícia, o grupo, além dos furtos, atuava em receptação e lavagem de dinheiro. Somente uma companhia de celulose registrou perdas superiores a R$ 1 milhão em 2024, valor atribuído à subtração de insumos, equipamentos e combustíveis essenciais à atividade industrial.

Esquema investigado há um ano

As apurações começaram há cerca de 12 meses e revelaram uma organização considerada sofisticada pelas autoridades. O foco dos criminosos eram implementos agrícolas, defensivos, máquinas, ferramentas, combustíveis e outros itens de alto valor utilizados no campo e nas fábricas do segmento florestal. A dinâmica do grupo incluía planejamento detalhado, logística própria para transporte dos produtos furtados e canais de revenda rápida no mercado paralelo.

Para viabilizar as ações, os investigados cooptavam funcionários e motoristas ligados às empresas prejudicadas. Com acesso privilegiado, esses colaboradores forneciam vídeos, rotinas operacionais e localização exata dos materiais de interesse do bando. De posse dessas informações, os executores realizavam os furtos em horários estratégicos, reduzindo o risco de flagrante e facilitando a retirada dos bens.

O aprofundamento da investigação ocorreu após a apreensão do telefone celular de um dos suspeitos no início do ano. Mediante autorização judicial, a análise de dados telemáticos expôs a estrutura hierárquica do grupo, rotas de escoamento da mercadoria e indícios de ocultação de patrimônio, elementos que fundamentaram os mandados cumpridos nesta etapa da operação.

Prisões e flagrantes

Entre os detidos, dois foram autuados em flagrante por posse ilegal de arma de fogo e receptação de insumos agrícolas pertencentes a empresas de celulose. Um dos apontados como líder do esquema foi capturado em Andradina (SP), enquanto outro investigado foi localizado pela Polícia Militar em Paulicéia (SP). A polícia segue à procura de Márcio Alves de Menezes, que não foi encontrado durante o cumprimento das ordens judiciais e é considerado foragido.

Durante as diligências, foram apreendidos 22 veículos avaliados em aproximadamente R$ 1,5 milhão, entre carros de luxo e motocicletas. Diversos bens estavam registrados em nome de terceiros, circunstância que, de acordo com a Polícia Civil, reforça a suspeita de prática de lavagem de dinheiro para mascarar a origem ilícita dos recursos obtidos com a revenda dos itens furtados.

Além dos veículos, os policiais recolheram duas armas de fogo, munições de vários calibres e grande quantidade de insumos agrícolas de procedência irregular. Todo o material foi encaminhado para perícia, a fim de comprovar a vinculação com os crimes investigados e subsidiar futuras denúncias do Ministério Público.

Força-tarefa interestadual

A operação contou com o apoio das delegacias de Anaurilândia, Bataguassu e Santa Rita do Pardo, além de equipes especializadas do Garras, Deleagro e DERF. Do lado paulista, participaram a Polícia Civil de Andradina e as unidades da Polícia Militar de Brasilândia, Força Tática de Três Lagoas e Polícia Militar Rural. O trabalho integrado permitiu o cumprimento simultâneo dos mandados nos dois estados, estratégia considerada fundamental para evitar fugas e ocultação de provas.

Os presos foram encaminhados para unidades prisionais de Mato Grosso do Sul, onde permanecem à disposição da Justiça. Eles poderão responder por furto qualificado, receptação, associação criminosa, posse irregular de arma de fogo e lavagem de dinheiro. As penas somadas podem ultrapassar 20 anos de reclusão, conforme a participação de cada envolvido.

As investigações prosseguem para identificar outros integrantes e eventuais coautores responsáveis pela comercialização dos produtos subtraídos. A Polícia Civil também analisa operações financeiras suspeitas a fim de rastrear o destino dos valores obtidos e recuperar bens adquiridos com recursos ilícitos.

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