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Raimundos lota show gratuito em Paranaíba, lembra parceria com Guns N’ Roses e pede união no rock nacional

A banda Raimundos voltou a Mato Grosso do Sul e reuniu um grande público na noite de quinta-feira, 8 de maio, durante a abertura da 9ª Costelada 2026, realizada no Parque de Exposições Daniel Martins, em Paranaíba. Foi a segunda apresentação do grupo no estado em menos de um mês: em 9 de abril, o quarteto havia sido responsável pela abertura do espetáculo do Guns N’ Roses em Campo Grande. No evento mais recente, o show foi gratuito e atraiu fãs de várias gerações, embalados por composições que marcaram quase três décadas de carreira dos brasilienses.

Com repertório focado nos clássicos que projetaram o Raimundos no cenário nacional, a performance incluiu sucessos dos anos 1990, canções do início dos anos 2000 e faixas de trabalhos recentes. A plateia acompanhou o set list do início ao fim, reforçando a popularidade do grupo entre públicos de idades distintas. A apresentação também abriu oficialmente a festa gastronômica organizada pelo Moto Grupo Rota 158, que tem programação musical e prato típico à base de costela assada no chão.

Ao deixar o palco, o vocalista e guitarrista Digão falou com a imprensa local e destacou a afinidade histórica do Raimundos com Mato Grosso do Sul. Segundo ele, a banda costuma receber convites frequentes na região e se sente acolhida pelo público do estado, que ele descreveu como trabalhador e ligado à produção de alimentos. O músico afirmou que retornar a Paranaíba foi “uma satisfação” e que a recepção calorosa do público reforça a disposição do grupo de voltar sempre que possível.

Durante a conversa, Digão comentou a identidade musical diversa que caracteriza o Raimundos desde o início. Ele recordou que a banda nasceu da mistura de punk rock com ritmos nordestinos, principalmente o forró, e nunca se prendeu a um único estilo. Para o vocalista, essa multiplicidade sonora ajuda a explicar a longevidade do projeto e o alcance de públicos variados. Ele acrescentou que cada disco do Raimundos incorpora referências distintas, mas sempre preserva uma “pitada brasileira” nas composições e nos arranjos.

O músico também recordou detalhes do convite para abrir a turnê brasileira do Guns N’ Roses. Segundo Digão, o contato partiu do produtor que trabalhou com os Raimundos na década de 1990 e hoje integra a equipe da banda norte-americana. A proposta, recebida no início deste ano, foi encarada com surpresa mas rapidamente aceita. No show de 9 de abril em Campo Grande, o Raimundos apresentou um set compacto antes da atração internacional e, de acordo com o vocalista, recebeu reconhecimento de integrantes do Guns N’ Roses tanto no palco quanto nos bastidores.

Entre esses gestos de cortesia, Digão citou o baixista Duff McKagan, que ganhou bonés e camisetas dos Raimundos e chegou a usar um dos acessórios em apresentações no Brasil e em Hollywood. O vocalista considera o episódio um “sinal de respeito” vindo de um grupo que marcou a história do rock mundial. Ele lembrou ainda que McKagan e outros membros do Guns N’ Roses divulgaram vídeos nas redes sociais mencionando a banda brasileira, o que, segundo Digão, amplia a visibilidade do rock nacional fora do país.

Questionado sobre o momento atual do gênero no Brasil, o líder do Raimundos avaliou que o rock continua com público expressivo, porém enfrenta divisões internas motivadas por diferenças ideológicas. Para ele, a fragmentação reduz a força coletiva dos artistas e dificulta avanços no mercado. O vocalista defendeu maior cooperação entre bandas, independentemente de posições políticas, argumentando que a união poderia fortalecer eventos, projetos e a circulação de novas músicas.

Apesar dos desafios, Digão demonstrou otimismo em relação ao futuro. Ele afirmou ver “sinais positivos” no aparecimento de grupos fora dos grandes centros e ressaltou que o Raimundos procura contribuir divulgando essas formações quando possível. O músico acredita que a cena nacional pode se renovar contanto que artistas, público, produtores e veículos especializados colaborem sem criar barreiras.

A Costelada 2026 prossegue nesta sexta-feira com a apresentação de sete bandas e almoço aberto ao público a partir do meio-dia. Segundo a organização, 75 ripas de costela começaram a ser assadas às 3h30 da madrugada para atender à demanda prevista. Parte da renda e de alimentos arrecadados será destinada a entidades assistenciais, entre elas o Lar Santo Agostinho, que mantém barracas no local com pratos típicos da gastronomia regional.

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