Search

Porto fluvial da Bracell intensifica uso da hidrovia Tietê-Paraná e reposiciona Três Lagoas na logística da celulose

Um terminal hidroviário da Bracell será erguido às margens do rio Paraná, em Três Lagoas (MS), com investimento superior a R$ 100 milhões. A nova estrutura, projetada para a região da laje da Cascalheira, tem como objetivo deslocar grande parte do transporte de madeira das rodovias para a hidrovia Tietê-Paraná, consolidando o município como elo estratégico no escoamento da cadeia de celulose do país.

Ao utilizar o modal fluvial, a companhia pretende enviar toras colhidas em Mato Grosso do Sul até sua unidade industrial em Lençóis Paulista (SP). A navegação ocorrerá por um percurso já mapeado e operacional, o que dispensa intervenções significativas na rota aquática. Segundo a empresa, a mudança de modal reduzirá o fluxo de caminhões, diminuirá o desgaste das estradas regionais e trará ganhos diretos de competitividade à produção florestal.

Paralelamente ao terminal em Três Lagoas, a Bracell planeja construir uma fábrica de celulose em Bataguassu, também no leste sul-matogrossense. A presença simultânea do novo porto e da futura planta industrial cria um corredor logístico que integra produção, processamento e distribuição, reforçando a posição do estado no mercado brasileiro de fibras vegetais.

Mato Grosso do Sul detém atualmente mais de 1,9 milhão de hectares de eucalipto plantados e lidera a expansão da silvicultura nacional. O adensamento de áreas cultivadas, especialmente na região de Três Lagoas, intensificou a necessidade de alternativas de transporte que aliviem a infraestrutura rodoviária. A hidrovia Tietê-Paraná surge, nesse contexto, como solução para volumes crescentes de carga e para a redução de emissões associadas ao movimento de longas frotas terrestres.

Entre os benefícios diretos do projeto estão a diminuição do custo logístico por tonelada transportada, a menor degradação do pavimento nas principais rotas estaduais e a reativação plena da hidrovia, apontada por autoridades locais como componente essencial para diversificar a matriz de transporte regional. Com a retomada do modal aquaviário, o estado busca equilibrar oferta de infraestrutura e ritmo de expansão industrial.

De acordo com a prefeitura de Três Lagoas, as licenças ambientais do empreendimento tramitam junto aos órgãos competentes. O executivo municipal ressalta que a escolha de um trajeto fluvial já existente reduz impactos sobre cursos d’água e áreas de preservação, facilitando a autorização das intervenções previstas. A administração também menciona a relevância do terminal para ampliar a base de arrecadação do município diante das mudanças implementadas pela reforma tributária nacional.

A expectativa oficial é iniciar as obras ainda em 2024, após a Câmara Municipal votar ajustes no Plano Diretor e aprovar os projetos de engenharia do porto. A Bracell trabalha com cronograma que prevê colocar a estrutura em operação no segundo semestre do mesmo ano, permitindo que balsas carregadas de madeira deixem o terminal rumo ao estado de São Paulo ainda antes do próximo ciclo de colheita.

O canteiro de obras deve gerar aproximadamente 200 vagas temporárias. Concluída a construção, a operação do terminal demandará cerca de 100 postos fixos, envolvendo profissionais de logística, manutenção e apoio administrativo. Além disso, estima-se a atuação de 500 motoristas no transporte da madeira entre as áreas de plantio distribuídas por Três Lagoas, Água Clara, Brasilândia e Bataguassu até o novo porto, compondo cadeia de emprego indireta significativa para a região.

Paralelo à infraestrutura portuária, a Bracell e a prefeitura firmaram parceria para implantar um Eco Parque na área da Cascalheira, com aporte inicial de R$ 3 milhões. O espaço deverá incluir trilhas, decks, torres de observação e áreas de convivência voltadas ao lazer comunitário e à educação ambiental. O projeto será executado em etapas, conforme apresentação de plano técnico detalhado e obtenção das licenças cabíveis. A iniciativa soma-se às atividades já desenvolvidas pela MS Florestal, braço operacional da empresa responsável por plantio, colheita e transporte de madeira no estado.

Com a construção do porto, a retomada da navegação comercial na hidrovia Tietê-Paraná ganha impulso e coloca Três Lagoas no centro de um corredor multimodal que integra produção florestal, indústria de celulose e logística de exportação, reforçando a posição de Mato Grosso do Sul no cenário nacional do setor.

Isso vai fechar em 35 segundos