O Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) do Ministério Público do Paraná (MPPR) desencadeou, na manhã desta segunda-feira (15), a Operação Panóptico. A ação tem como alvo núcleos do Primeiro Comando da Capital (PCC) que, segundo as investigações, continuam coordenando crimes mesmo após a prisão de suas principais lideranças. Ao todo, foram expedidos 304 mandados de prisão e 255 de busca e apreensão em quatro estados, incluindo Mato Grosso do Sul e Paraná.
No Mato Grosso do Sul, o município de Naviraí, situado na região sul do estado e considerado ponto estratégico de fronteira e escoamento, recebeu parte das equipes. Os mandados pretendem interromper o apoio logístico prestado à facção e reduzir a capacidade de comunicação entre integrantes internos e externos ao sistema prisional. Das ordens de prisão, 176 recaem sobre pessoas já recolhidas em unidades penitenciárias, medida que busca cortar o repasse de comandos às redes que atuam nas ruas.
De acordo com o MPPR, cerca de 90% dos mandados foram cumpridos ao longo do dia. As buscas resultaram na apreensão de oito armas de fogo – entre pistolas calibre 9 mm e revólveres –, além de munições de diversos calibres. As equipes também localizaram aproximadamente 1,2 quilo de cocaína, porções de crack e maconha, além de dispositivos eletrônicos usados para bloquear o sinal de rastreamento de tornozeleiras eletrônicas.
Em Curitiba, policiais encontraram e desmantelaram um laboratório caseiro destinado ao refino e à preparação de drogas. A estrutura clandestina, segundo os investigadores, abastecia pontos de distribuição gerenciados pela facção.
Ao todo, cerca de mil agentes das polícias Civil, Militar, Penal e Científica foram mobilizados para a operação. O volume de efetivo foi justificado pelo perfil de risco atribuído aos alvos que permanecem em liberdade. Em algumas cidades do interior do Paraná, houve resistência armada durante o cumprimento das ordens judiciais, situação que exigiu reforço táctico e protocolos de segurança adicionais.
Dois investigados morreram em confrontos registrados em Cambé e Nova Londrina. Em Cambé, um policial militar foi ferido por estilhaços na mão e na região dos olhos; ele recebeu atendimento médico e não corre risco de morte, segundo informações repassadas pelas equipes de saúde que acompanharam a operação.
A Operação Panóptico concentra esforços em reduzir a influência de líderes do PCC que, mesmo presos, mantêm capacidade de ordenar execuções, administrar pontos de tráfico e movimentar recursos financeiros. Ao bloquear a comunicação entre as lideranças internas e os braços operacionais externos, o MPPR espera comprometer a cadeia de comando da facção e dificultar a execução de novos delitos.
Além das prisões e apreensões realizadas nesta fase, as investigações seguem para identificar bens, contas bancárias e eventuais empresas de fachada ligadas ao grupo. O objetivo é estrangular o fluxo de recursos que sustenta o narcotráfico, o contrabando de armas e outras atividades ilícitas mantidas pela organização na região Centro-Oeste e em estados vizinhos.
As autoridades não divulgaram a lista completa dos alvos por questões de sigilo processual. Os presos nesta etapa responderão a inquéritos por crimes como organização criminosa, tráfico de drogas, posse ilegal de arma de fogo e lavagem de dinheiro. Conforme a legislação, eles serão encaminhados a audiências de custódia e, posteriormente, distribuídos em unidades prisionais definidas pelo Departamento de Administração Penitenciária.
O MPPR informou que novas etapas da Operação Panóptico poderão ser deflagradas a partir da análise do material apreendido, do rastreamento dos dispositivos eletrônicos e da quebra de sigilo de dados autorizada pela Justiça. As evidências coletadas irão subsidiar procedimentos complementares e eventuais denúncias contra outros integrantes do PCC que não foram alcançados nesta primeira fase.
Por enquanto, a força-tarefa avalia o impacto imediato da operação na redução da circulação de drogas e armas na fronteira sul-mato-grossense, bem como na contenção de ordens criminosas originadas do interior das prisões. O balanço final com números consolidados de presos, objetos apreendidos e diligências concluídas deve ser divulgado pelo MPPR após o encerramento das atividades operacionais.









