As marcas deixadas por dinossauros às margens do Rio Nioaque, em Mato Grosso do Sul, ganharam destaque no Dino Experience, realizado em 1º de abril. O encontro reuniu especialistas em paleontologia, empreendedores do setor de viagens, representantes de entidades públicas e produtores locais para discutir caminhos capazes de transformar o sítio arqueológico em polo de visitação, gerar renda e ampliar a oferta de serviços na região.
Durante a programação, os participantes visitaram a área onde as pegadas estão catalogadas. O roteiro permitiu avaliar in loco as condições de preservação, as possibilidades de sinalização interpretativa e as necessidades de infraestrutura para receber turistas de diferentes perfis. A avaliação predominante foi de que o patrimônio paleontológico apresenta potencial competitivo diante de outros atrativos do estado, sobretudo por reunir em um único ponto vestígios pré-históricos, paisagem natural, história regional e manifestações culturais.
Entre os convidados esteve Márcio Clare, responsável pelo parque temático Terra dos Dinos, em Miguel Pereira (RJ). A experiência dele foi apresentada como referência de negócio baseado em fósseis e réplicas de espécies extintas, cujo modelo combina educação, lazer e comércio integrado. Para Clare, a autenticidade das pegadas sul-mato-grossenses e o envolvimento de moradores representam condição favorável para desenvolver produtos turísticos diversificados, que podem ir de trilhas guiadas a eventos educativos voltados a escolas.
Além da visita técnica, painéis e mesas-redondas discutiram formas de associar a atração natural a outros segmentos econômicos locais. Produtores rurais expuseram alimentos típicos, artesãos exibiram peças que remetem à fauna pré-histórica e pequenos empresários apresentaram propostas de hospedagem domiciliar. A intenção é criar um circuito capaz de prolongar a permanência do visitante, estimular o consumo de artigos regionais e fortalecer a identidade de Nioaque como destino voltado a conhecimento e contato com a natureza.
Representantes do Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae/MS) detalharam linhas de capacitação e financiamento disponíveis para empreendimentos turísticos. Segundo a entidade, o crescimento do fluxo de turistas costuma provocar expansão de restaurantes, comércio de souvenires e transporte local, abrindo espaço para novos postos de trabalho. O município, portanto, poderia aproveitar o incremento de demanda para estruturar cadeia produtiva que mantenha parte da receita no próprio território.
A proximidade entre Nioaque e o traçado projetado da Rota Bioceânica foi outro ponto destacado. O corredor internacional, que ligará Brasil, Paraguai, Argentina e Chile por meio de rodovias, deve intensificar o transporte de cargas e a circulação de viajantes. Autoridades municipais avaliaram que a localização estratégica, combinada a um atrativo raro como as pegadas, favorece a inclusão de Nioaque como parada obrigatória no itinerário de quem atravessa o Centro-Oeste rumo ao Pacífico.
Durante o Dino Experience, técnicos do poder público e pesquisadores reforçaram a necessidade de equilibrar promoção turística e preservação. Entre as propostas apresentadas estão a instalação de passarelas elevadas para evitar desgaste do solo, a criação de centro de interpretação com informações sobre a Era Mesozoica e a adoção de protocolos de visitação controlada. O objetivo é garantir que o aumento de visitantes não comprometa a integridade dos vestígios, estimados em milhões de anos.
A organização do evento considerou fundamental envolver a comunidade no processo de planejamento. Moradores foram incentivados a participar de oficinas sobre hospitalidade, produção de material informativo e coleta seletiva de resíduos. A ideia é que o turismo temático funcione como vetor de desenvolvimento social, distribuindo benefícios entre diferentes setores e reduzindo a dependência de atividades tradicionais, como agricultura e pecuária.
Com a conclusão do Dino Experience, os encaminhamentos previstos incluem a elaboração de um plano de turismo sustentável, a busca de parcerias com universidades para pesquisa contínua e a criação de calendário anual de eventos ligados à paleontologia. A prefeitura pretende ainda formalizar convênios com órgãos estaduais para melhoria de acessos viários e instalação de sinalização turística na rodovia que liga Nioaque a Campo Grande.
Os organizadores projetam que as primeiras ações de infraestrutura e marketing sejam implementadas até o fim do ano. Caso o cronograma seja cumprido, visitantes poderão encontrar, em curto prazo, trilha interpretativa às margens do Rio Nioaque, área de apoio com sanitários e lanchonete, além de loja de produtos artesanais inspirados nos animais que habitaram a região há milhões de anos. A expectativa é que o novo roteiro contribua para diversificar a economia municipal e posicione Nioaque no circuito de turismo científico de Mato Grosso do Sul.








