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Polícia de Dourados descobre que relato de roubo com agressão era falso

Uma investigação conduzida pelo Setor de Investigações Gerais e pelo Núcleo Regional de Inteligência (SIG/NRI) da Polícia Civil em Dourados, Mato Grosso do Sul, concluiu que um suposto roubo envolvendo agressões com pedaço de madeira, notificado na quarta-feira (24), jamais ocorreu. O caso havia sido registrado no bairro Dioclécio Artuzi II e apontava que um homem de 50 anos, identificado como O. M. B., teria sido atacado, derrubado ao solo e teve carteira, dinheiro e bicicleta levados por desconhecidos.

A versão inicial motivou a abertura de inquérito para apurar o crime. Conforme a ocorrência, equipes de resgate encontraram a vítima no local com lesões na cabeça e a encaminharam à Unidade de Pronto Atendimento (UPA) da cidade. Ainda no atendimento pré-hospitalar, relatou-se à polícia que a violência teria sido praticada por indivíduos armados com um objeto de madeira, que golpearam a vítima antes de subtrair seus pertences.

Com a informação de possível roubo qualificado, agentes do SIG iniciaram diligências na manhã de quinta-feira (25). O primeiro passo foi confirmar o estado de saúde do homem e colher depoimentos. Ao chegarem à UPA, os policiais descobriram que ele havia deixado a unidade antes mesmo de realizar exames médicos. A ausência de laudo dificultava a comprovação das lesões e das circunstâncias narradas no registro inicial.

Na sequência, os investigadores seguiram até o imóvel onde, segundo a vítima, teria ocorrido o ataque. No endereço, encontraram tanto a bicicleta quanto a carteira que constavam como subtraídas. Os objetos estavam intactos, sem sinais de arrombamento ou de alteração em sua disposição. O achado contrariou a hipótese de roubo e levantou dúvidas sobre a narrativa apresentada.

Diante das inconsistências, a equipe policial intensificou as buscas até localizar o homem. Conduzido à delegacia, ele prestou novo depoimento e admitiu que não fora assaltado. Contou que tinha consumido todo o dinheiro que possuía em drogas e bebidas alcoólicas, encontrava-se “completamente embriagado” no momento dos fatos e, por esse motivo, não se lembrava com clareza da cronologia dos acontecimentos.

O. M. B. acrescentou que as agressões resultaram de um desentendimento ocorrido durante o uso de entorpecentes. Não soube apontar quem o teria agredido nem detalhar o motivo exato da briga, alegando falta de lucidez em razão da embriaguez. Com a confissão, os policiais descartaram a ocorrência de roubo e providenciaram a alteração do boletim para retirar a tipificação do crime patrimonial.

Segundo a Polícia Civil, as investigações prosseguem para identificar os envolvidos na briga e esclarecer as circunstâncias que levaram às lesões registradas. Até o momento, não há informação sobre o paradeiro de eventuais agressores ou sobre o objeto de madeira mencionado inicialmente. O trabalho pericial e os depoimentos de testemunhas servirão para definir se haverá responsabilização criminal por lesão corporal ou por comunicação falsa de crime.

O caso reforça a orientação da polícia para que vítimas ou testemunhas apresentem informações precisas ao registrar ocorrências. Falsos relatos mobilizam equipes, desviam recursos públicos e podem levar à responsabilização legal de quem transmite dados inverídicos. O artigo 340 do Código Penal prevê pena de detenção de um a seis meses, além de multa, para quem provocar a ação de autoridade comunicando crime inexistente.

Em relação ao estado de saúde de O. M. B., a polícia informou que, apesar dos ferimentos na cabeça, ele recebeu atendimento médico posteriormente e não apresenta risco de morte. A Unidade de Pronto Atendimento não divulgou detalhes sobre laudos ou exames complementares. A investigação, conduzida pelo SIG/NRI, permanece em andamento e novas diligências serão realizadas para esclarecer definitivamente o episódio.

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