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Prévia do IPCA recua para 0,41% em junho, mas inflação em 12 meses atinge 4,8%

A prévia da inflação oficial, medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo 15 (IPCA-15), encerrou junho com variação de 0,41%, informou o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) nesta quinta-feira, 25 de junho. O resultado representa a segunda desaceleração consecutiva do indicador, que havia registrado 0,89% em abril e 0,62% em maio. Apesar do ritmo menor, a taxa acumulada em 12 meses avançou para 4,80%, superando o teto de 4,50% fixado como meta pelo Conselho Monetário Nacional para 2024.

O comportamento do índice foi influenciado principalmente pelos grupos Habitação e Alimentação, responsáveis por aproximadamente dois terços da alta mensal. Dentro de Habitação, a tarifa de energia elétrica residencial exerceu o maior peso individual, enquanto, em Alimentação, a pressão veio de diversos produtos consumidos no domicílio, ainda que em intensidade menor do que no mês anterior.

Energia elétrica lidera as pressões de alta

A conta de luz subiu 2,04% em junho, contribuindo com 0,10 ponto percentual para o IPCA-15. O IBGE atribui o aumento à adoção da bandeira tarifária amarela, que acrescenta R$ 1,88 a cada 100 quilowatts-hora consumidos, e a reajustes aplicados em concessionárias de várias capitais pesquisadas. Com isso, Habitação marcou elevação de 0,63% no período.

Além da energia elétrica, taxas de água e esgoto (0,20%) e condomínio (0,31%) também avançaram, mas com impacto menos expressivo. Por outro lado, gás de botijão recuou 0,47%, atenuando parcialmente o efeito das demais tarifas sobre o orçamento doméstico.

Alimentos seguem em alta, porém em ritmo menor

A alimentação no domicílio registrou variação de 0,87%, abaixo dos 1,73% observados em maio. Entre os itens que mais encareceram estão batata-inglesa (29,42%), tomate (17,27%), feijão-carioca (14,29%) e cebola (9,54%). Já carnes (-0,39%) e óleo de soja (-0,32%) apresentaram queda, ajudando a conter uma elevação mais acentuada do grupo.

No acumulado do primeiro semestre, produtos como tomate, cenoura e batata já mais que dobraram de valor, reflexo de condições climáticas adversas que afetaram lavouras e reduziram a oferta no mercado interno. No segmento de alimentação fora do domicílio, a alta de 0,47% foi puxada principalmente pelo subitem refeição (0,39%), enquanto o lanche ficou praticamente estável (0,05%).

Combustíveis aliviam a pressão no grupo Transportes

Transportes apresentou variação negativa de 0,03% em junho, contribuindo para limitar o avanço geral do IPCA-15. Esse resultado foi influenciado pela queda de 1,22% nos combustíveis, com recuos de 5,30% no etanol, 0,73% na gasolina e 1,47% no óleo diesel. O gás veicular manteve-se praticamente estável (-0,05%).

Apesar do alívio proporcionado pelos combustíveis, alguns itens dentro do mesmo grupo exerceram pressão de alta. As passagens aéreas subiram 7,24% e o subitem emplacamento e licença (1,20%) também avançou, reflexo de ajustes sazonais e da renovação da frota em algumas localidades.

Demais grupos e impacto no acumulado anual

Dos nove grupos pesquisados, seis registraram aumento em junho. Vestuário (0,53%) e Saúde e cuidados pessoais (0,45%) apresentaram variações próximas ao índice geral. Artigos de residência subiram 0,59%, enquanto Comunicação avançou 0,20%. Já Educação ficou praticamente estável (0,05%) e Despesas pessoais teve alta de 0,22%. Nenhum desses grupos, entretanto, exerceu influência tão significativa quanto Habitação e Alimentação.

No período de 12 meses encerrado em junho, a inflação de 4,80% permanece acima do limite superior da meta. A persistência da pressão de preços em itens voláteis, como alimentos, e em componentes administrados, como energia elétrica, explica parte do desvio em relação ao objetivo de política monetária.

Próximos dados oficiais

O IPCA-15 funciona como um indicador adiantado do comportamento da inflação e cobre o intervalo entre 16 de maio e 15 de junho. A divulgação do IPCA cheio, referente ao mês de junho, está prevista para 10 de julho, quando o IBGE apresentará o resultado consolidado do período. Até lá, analistas de mercado e formuladores de política econômica usarão o desempenho da prévia para calibrar expectativas sobre juros, câmbio e perspectivas de consumo.

Os números divulgados nesta quinta-feira reforçam a avaliação de que a inflação segue em trajetória de desaceleração mensal, mas ainda sem convergir de forma sustentável para o centro da meta anual. A evolução dos preços de energia, a influência das condições climáticas sobre produtos agrícolas e a volatilidade dos combustíveis permanecerão no radar dos agentes econômicos nos próximos meses.

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