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Professora do Colégio Anglo destaca preparação dos alunos para a 9ª Feira da Liderança em Três Lagoas

A 9ª Feira da Liderança do Colégio Anglo foi realizada na noite de sexta-feira (6) em Três Lagoas, reunindo estudantes do ensino médio que transformaram obras literárias clássicas em apresentações, montagens e debates. O evento, organizado pela professora de literatura e língua portuguesa Édila de Cássia Souza Santana, teve como principal objetivo aproximar os alunos da leitura, da criatividade e do pensamento crítico.

Para Édila, responsável pela organização das atividades do ensino médio, a feira representou mais do que uma atividade escolar; foi a oportunidade de ver a literatura ganhar forma fora das páginas dos livros. Cada montagem elaborada pelos estudantes ajudou a contar não apenas as histórias das obras, mas também parte da trajetória dos próprios alunos dentro da escola.

A professora ressaltou que, diante de uma geração imersa em tecnologia, o maior desafio dos professores de linguagem é fazer com que jovens, adolescentes e crianças leiam. Ela apontou que a leitura exige atenção e que a linguagem tecnológica, mais rápida, compete com a literatura, que valoriza o modo como os fatos acontecem.

Édila enfatizou que a leitura não pode ser apresentada de forma forçada, pois isso pode gerar bloqueios nos estudantes. O caminho, segundo ela, passa por tornar o livro uma experiência agradável e compartilhada, não restrita apenas aos professores de língua portuguesa ou literatura.

Trabalho dos estudantes

No segundo ano do ensino médio, os alunos desenvolveram uma leitura comparada entre “A Hora da Estrela”, de Clarice Lispector, e “Quarto de Despejo”, de Carolina Maria de Jesus. O projeto buscou analisar as narrativas de duas protagonistas ligadas a espaços periféricos e marcadas por invisibilidade social.

Já o primeiro ano preparou uma apresentação inspirada em “O Auto da Compadecida”, obra que a professora destacou como um clássico capaz de aproximar os estudantes da diversidade cultural brasileira.

Para a docente, o contato com personagens, contextos e linguagens diferentes amplia o repertório dos alunos, exercita a imaginação e permite reconhecer problemas humanos que atravessam épocas e lugares. Ela descreveu a leitura como um encontro em que o aluno encontra personagens, ideias diferentes e, ao mesmo tempo, a si mesmo.

A literatura, segundo a professora, também desenvolve empatia, pois coloca o leitor diante de vidas, conflitos e realidades distintas das suas, permitindo que o estudante se coloque no lugar do outro.

Comparação de obras

Ao ser questionada sobre a obra que gostaria que todos os alunos conhecessem, Édila citou “A Hora da Estrela”, de Clarice Lispector, e explicou que a incluiu em uma análise comparativa com “Quarto de Despejo” dentro de um projeto de leitura que também contribui para a preparação dos estudantes para vestibulares e ENEM.

Ela apontou que ambas as obras dialogam ao apresentar protagonistas marginalizadas: Macabéa, personagem de Lispector, é uma nordestina que migra para o Rio de Janeiro, enquanto Carolina Maria de Jesus narra sua vida no Canindé, em São Paulo, em um ambiente hostil e degradante. Apesar das diferenças de gênero – ficção pura em Lispector e mistura de diário, ficção, fato e história em Carolina – as narrativas convergem em facetas de exclusão social.

A comparação, segundo a professora, abre espaço para discutir a realidade brasileira a partir de duas mulheres em contextos diferentes, mas atravessadas por formas de exclusão. Essa abordagem reforça a capacidade dos estudantes de analisar criticamente a literatura e relacioná‑la ao seu próprio entorno.

Édila reiterou que a linguagem tecnológica, mais rápida, compete com a literatura, que valoriza o processo de compreensão. Ela defende que a leitura deve ser incentivada de maneira prazerosa, permitindo que o livro seja descoberto pelos alunos sem imposição.

Ao encerrar sua participação, a professora agradeceu diretores, coordenadores e toda a equipe envolvida na realização da Feira da Liderança, destacando que o evento reforça o papel da escola como espaço de leitura, imaginação e formação crítica.