As estatísticas reunidas pelo Centro de Operações de Emergências em Saúde Pública (COE) da Prefeitura de Dourados indicam redução no número de casos de chikungunya nas aldeias Bororó e Jaguapiru, localizadas na Reserva Indígena do município, em Mato Grosso do Sul. A queda coincide com o conjunto de medidas adotadas desde os decretos de emergência e calamidade, que autorizaram reforço de equipes, vacinação na atenção básica e mutirões de limpeza.
Segundo o secretário municipal de Saúde e coordenador-geral do COE, Márcio Figueiredo, as iniciativas permitiram ampliar atendimentos, contratar profissionais e implantar a vacina contra a doença na rede primária. Embora os números apontem recuo, o órgão mantém as ações de vigilância, assistência e remoção de resíduos sólidos em toda a reserva.
Atendimentos nas aldeias
Na segunda-feira, 4 de março, a Equipe 2 que atua na Aldeia Bororó realizou 54 consultas clínicas. Desses atendidos, quatro apresentaram sintomas compatíveis com a fase aguda da chikungunya, caracterizada pelo período de 1 a 14 dias após os primeiros sinais. Outros seis pacientes foram classificados na fase subaguda, de 15 a 90 dias, enquanto nenhum caso foi registrado na fase crônica, superior a 90 dias. Nesta mesma localidade, a Equipe 1 não precisou encaminhar pacientes a unidades hospitalares nem iniciar busca ativa.
Na Aldeia Jaguapiru, a Equipe 1 atendeu 82 pessoas. Três apresentaram sintomas da fase aguda, oito da fase subaguda e uma da fase crônica. Nenhum encaminhamento hospitalar foi necessário, e três amostras foram coletadas para exame de PCR. A Equipe 2, também em Jaguapiru, realizou 29 consultas, sem identificar pacientes na fase aguda; cinco foram classificados na fase subaguda e um, na fase crônica, igualmente sem necessidade de remoção.
No assentamento Nhuvera, que integra a mesma reserva, foram efetuadas 29 consultas em 4 de março. Não houve registros de fase aguda, três pessoas apresentaram sintomas subagudos e não se verificou demanda por transferência hospitalar.
Boletim epidemiológico
O informe divulgado pelo COE na terça-feira, 5 de março, consolida 3.141 notificações de suspeita de chikungunya na Reserva Indígena desde o início do surto. Desse total, 2.418 casos são considerados prováveis, 2.071 foram confirmados por critérios laboratoriais ou clínico-epidemiológicos, 723 foram descartados e 347 permanecem em investigação.
Ainda conforme o boletim, 35 pacientes estavam internados na data de referência por complicações da doença. As internações distribuíam-se da seguinte forma: um paciente no Hospital Indígena Porta da Esperança (Missão Caiuá), 18 no Hospital Universitário da Universidade Federal da Grande Dourados (HU-UFGD), um no Hospital Cassems, sete no Hospital Regional, dois no Hospital Unimed, três no Hospital da Vida e três no Hospital Evangélico Mackenzie.
Mutirão de limpeza
Paralelamente às ações de assistência, o mutirão de recolhimento de resíduos sólidos prossegue em toda a extensão da Reserva Indígena. Até 5 de março, as equipes haviam removido 250 toneladas de lixo, com foco na eliminação de potenciais criadouros do Aedes aegypti, vetor responsável pela transmissão da chikungunya, além de dengue e zika.
A força-tarefa reúne Defesa Civil estadual e municipal, Secretaria Municipal de Serviços Urbanos (Semsur), Secretaria Municipal de Saúde (Sems), Centro de Controle de Zoonoses (CCZ), Distrito Sanitário Especial Indígena (Dsei) e Secretaria de Saúde Indígena (Sesai). O trabalho inclui coleta porta a porta, transporte para locais de descarte adequado e orientações à população sobre armazenamento de resíduos e cuidados preventivos.
Próximos passos
As equipes do COE informam que continuarão monitorando a evolução dos indicadores epidemiológicos, mantendo consultas diárias, coleta de amostras para diagnóstico e busca ativa de casos. O plano operacional prevê a permanência dos mutirões de limpeza, aplicação de inseticidas conforme recomendação técnica e vacinação de grupos definidos pela estratégia municipal.
Embora a tendência seja de recuo, a Secretaria Municipal de Saúde alerta que a circulação viral ainda exige atenção. O órgão orienta residentes e visitantes da reserva a procurar unidades de saúde ao surgimento de febre, dor articular ou outros sintomas compatíveis, além de colaborar com a eliminação de recipientes que possam acumular água.









