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Suspeito morto pelo Choque em Ponta Porã deixou São Paulo um dia antes do mandado e planejava cruzar a fronteira

O homem conhecido pelo apelido “Branca de Neve”, morto durante operação do Batalhão de Choque em Ponta Porã, na sexta-feira (14), saiu do estado de São Paulo um dia antes de a Justiça expedir mandado de prisão contra ele e permaneceu escondido na região de fronteira por pouco mais de uma semana. A informação foi apresentada pelo comandante do Choque, tenente-coronel Rigoberto Rocha, em entrevista coletiva concedida na manhã desta segunda-feira (17).

De acordo com o oficial, o suspeito contava com uma rede de apoio que lhe permitiu instalar-se rapidamente em uma chácara próxima à linha internacional com o Paraguai. O imóvel servido como ponto de abrigo e também como base logística para uma possível fuga ao país vizinho. “Ele chegou a Ponta Porã logo após deixar São Paulo e encontrou toda a estrutura pronta”, relatou Rocha.

Investigações apontam que diferentes construções dentro da propriedade eram utilizadas pelo grupo. Em duas delas ocorreram confrontos armados. O primeiro tiroteio envolveu o suspeito considerado líder, que portava uma pistola 9 mm e acabou baleado e morto no local. Minutos depois, em outro ponto da chácara, policiais trocaram tiros com um segundo homem, que também reagiu e foi atingido fatalmente. Nenhum agente ficou ferido na ação.

Na casa principal da chácara, equipes encontraram um casal e outra mulher. Os três foram conduzidos para depoimento, prestaram esclarecimentos e, em seguida, foram liberados por não haver indícios imediatos de participação direta nos crimes investigados.

Um quarto envolvido foi preso sob a suspeita de favorecer a permanência do grupo criminoso em Mato Grosso do Sul. Conforme o comandante, ele cedia moradia, veículos e apoio logístico, inclusive na tentativa de atravessar a fronteira. O detido responderá pelo crime de favorecimento pessoal.

Rocha explicou que a presença de lideranças de facções vindas de outros estados na faixa de fronteira tem sido cada vez mais frequente. Segundo ele, a região oferece rotas rápidas para o Paraguai e serve de refúgio temporário para criminosos que buscam escapar de mandados judiciais. “Quando surge uma liderança desse porte, na maioria das vezes ela vem de fora. A partir do ingresso em território sul-mato-grossense, passa a ser monitorada de perto”, afirmou.

Os investigadores verificam agora quem participou do suporte ao grupo desde a chegada a Ponta Porã. A polícia pretende identificar financiadores, proprietários de veículos utilizados e eventuais contatos que intermediaram o acesso à propriedade rural. Documentos apreendidos, imagens de câmeras de segurança e registros telefônicos já estão sob análise.

A operação de sexta-feira teve início a partir de informações compartilhadas pela inteligência de São Paulo, que alertou sobre a movimentação do foragido rumo ao Mato Grosso do Sul. Com base nos dados, equipes do Batalhão de Choque foram deslocadas à fronteira para monitorar possíveis esconderijos. A aproximação ocorreu no período da tarde, quando os policiais confirmaram a presença dos suspeitos na chácara e iniciaram o cerco ao local.

No primeiro contato visual, o líder sacou a pistola 9 mm e efetuou disparos contra os agentes, o que desencadeou a reação imediata da equipe. Após cessar o confronto, os policiais avançaram para outras edificações da área, onde encontraram o segundo homem armado. O desfecho foi semelhante, com troca de tiros e morte do segundo suspeito.

Além das armas empregadas pelos criminosos, a polícia apreendeu munições, celulares e documentos que poderão auxiliar no mapeamento da rede de apoio. O material será periciado pela Polícia Científica.

As investigações prosseguem sem prazo divulgado para conclusão. O Batalhão de Choque informou que novas diligências poderão ocorrer em endereços ligados ao grupo tanto em Mato Grosso do Sul quanto em outros estados. O objetivo é localizar eventuais cúmplices e desarticular rotas usadas por facções para atravessar a fronteira.

O nome verdadeiro do suspeito morto não foi divulgado, pois o inquérito segue em sigilo. Também não foram apresentados detalhes sobre a organização criminosa à qual ele se vinculava. A polícia reforçou que qualquer informação adicional dependerá do avanço das apurações e do aval do Poder Judiciário.

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