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Quedas do petróleo e chuvas na Índia pressionam preços internacionais do açúcar

Os contratos futuros do açúcar recuaram nas principais bolsas internacionais nesta terça-feira, 28, em um movimento influenciado pela desvalorização do petróleo e pela melhora das condições climáticas na Índia. A combinação desses fatores reforça a expectativa de aumento da oferta mundial da commodity nos próximos meses e limita o espaço para altas nas cotações.

Desempenho das bolsas

Em Nova York, o contrato para outubro foi negociado a 14,56 centavos de dólar por libra-peso. Em Londres, o mesmo vencimento encerrou o dia cotado a 454,90 dólares por tonelada. Ambos registraram queda em relação à sessão anterior, acompanhando a tendência negativa observada desde o início da semana.

Influência do petróleo mais barato

A redução recente dos preços do petróleo diminui a atratividade econômica do etanol, biocombustível que compete com a gasolina no mercado de combustíveis. Quando o petróleo se desvaloriza, o preço da gasolina tende a cair, reduzindo a competitividade do etanol. Como consequência, usinas podem optar por redirecionar uma fatia maior da cana-de-açúcar para a fabricação de açúcar, cujo preço segue remunerador em comparação ao etanol.

Esse possível realinhamento industrial eleva a perspectiva de maior produção de açúcar, ampliando a oferta global e acrescentando pressão baixista aos contratos futuros. Operadores de mercado acompanham de perto a movimentação das usinas brasileiras e de outros grandes produtores para avaliar o impacto efetivo dessa mudança na balança entre oferta e demanda.

Clima favorável na Índia

Outro elemento decisivo para o recuo das cotações é a evolução do clima na Índia, segundo maior produtor mundial de açúcar. A recuperação das chuvas de monção reduziu as preocupações relacionadas ao desenvolvimento da safra 2026/27. A regularidade das precipitações neste início de período úmido reforça a previsão de uma colheita robusta, o que tende a aliviar restrições de oferta que estavam no radar de investidores.

Embora as perspectivas tenham melhorado, o comportamento das chuvas entre junho e setembro segue crucial. Esse intervalo concentra as fases de crescimento mais sensíveis da cana-de-açúcar indiana. Qualquer alteração no regime pluviométrico pode reverter a sensação de conforto que agora predomina no mercado.

Situação da safra no Centro-Sul brasileiro

No Brasil, a região Centro-Sul, maior polo canavieiro do planeta, registrou produção de 6,838 milhões de toneladas de açúcar até maio da safra 2026/27, de acordo com dados da União da Indústria de Cana-de-Açúcar e Bioenergia (Unica). O volume representa queda de 2% em comparação com o mesmo período do ciclo anterior.

A retração decorre do maior direcionamento da cana para o etanol observado no início da temporada. Até maio, 41,42% da matéria-prima foi destinada à produção de açúcar, contra 50,09% no ano passado. Essa preferência inicial pelo biocombustível contribuiu para a redução do volume acumulado de açúcar, mesmo em um cenário de preços internacionais relativamente firmes.

Fatores monitorados pelo mercado

Analistas destacam que três variáveis permanecem centrais para a formação de preços nos próximos meses: o comportamento do petróleo, a evolução climática na Índia e a estratégia industrial das usinas brasileiras. Qualquer mudança expressiva em um desses pontos pode alterar rapidamente a dinâmica de oferta e demanda, com reflexos imediatos nas bolsas de Nova York e Londres.

No curto prazo, a continuidade da desvalorização do petróleo pode estimular mais açúcar no mix de produção global, reforçando o viés de baixa. Já um eventual retorno da pressão climática sobre a agricultura indiana poderia reaquecer as cotações. No Brasil, decisões sobre o mix entre açúcar e etanol tendem a responder tanto aos sinais de preço quanto às variações cambiais e de consumo doméstico de combustíveis.

Enquanto isso, participantes do mercado mantêm postura cautelosa. Operações de hedge, ajustes de posição e revisões de estimativas de produção são conduzidos à medida que novos dados sobre clima, moagem e estoques se tornam disponíveis. O cenário permanece volátil, mas, por ora, o sentimento predominante é de alívio quanto ao risco de escassez, refletido nos preços mais baixos observados nesta sessão.