A Secretaria Municipal de Saúde de Três Lagoas decidiu antecipar para agosto a campanha anual de multivacinação destinada a crianças e adolescentes. A iniciativa, tradicionalmente programada para ocorrer entre setembro e outubro, segue orientação do Programa Nacional de Imunizações (PNI) e tem como objetivo reverter a redução nos índices de cobertura vacinal verificada no município, além de prevenir o retorno de doenças imunopreveníveis como o sarampo.
De acordo com a coordenadora municipal de Imunização, Humberta Azambuja, a estratégia foi adotada porque o município ainda não alcançou o mínimo de 95% de cobertura recomendado pelo Ministério da Saúde para todas as vacinas do calendário infantil. O percentual é considerado necessário para manter a chamada imunidade coletiva, que impede a reintrodução e a circulação de vírus e bactérias entre a população.
Entre as crianças com menos de um ano de idade, apenas a vacina BCG — aplicada logo após o nascimento, ainda na maternidade — ultrapassou a meta oficial. As demais vacinas destinadas a esse grupo etário apresentam, em média, 89% de cobertura. No grupo de crianças com um ano ou mais, somente os imunizantes contra meningite e varicela atingiram os 95% estabelecidos como parâmetro de segurança.
A situação que mais preocupa as autoridades de saúde locais envolve a poliomielite. Segundo dados da coordenação de imunização, a aplicação do esquema primário da vacina antipólio em crianças com menos de 12 meses chegou a 87,27%. O cenário se agrava no reforço administrado a partir de um ano, cuja cobertura está em 75,04%, bem abaixo do nível considerado adequado para evitar a reintrodução do poliovírus.
Embora não haja registro de circulação do vírus da pólio no município no momento, a baixa adesão às doses recomendadas amplia o risco de retorno da doença caso o agente infeccioso seja novamente introduzido na região. A coordenadora ressalta que o movimento de pessoas entre diferentes localidades pode favorecer a disseminação do vírus, tornando essencial a atualização da caderneta vacinal.
Além de disponibilizar todas as vacinas previstas no calendário infantil, a campanha trará a inclusão da Pneumo 20, imunizante que protege contra um número maior de sorotipos da bactéria Streptococcus pneumoniae, responsável por quadros de pneumonia, otite, meningite e outras infecções respiratórias graves. A introdução da nova vacina amplia a cobertura oferecida anteriormente pela Pneumo 10 e reforça a barreira contra doenças respiratórias em crianças.

Imagem: Divulgação.
O Dia D da multivacinação foi marcado para 22 de agosto. Nessa data, todas as unidades de saúde de Três Lagoas funcionarão exclusivamente para vacinação das 7h30 às 11h30, sem oferta de outros serviços. A Secretaria de Saúde, porém, enfatiza que não é necessário aguardar a mobilização específica: as salas de vacinação permanecem abertas de segunda a sexta-feira, das 7h30 às 17h30, sem interrupção para o almoço, garantindo acesso diário aos imunizantes.
Pais e responsáveis devem procurar a unidade de saúde mais próxima portando documento de identificação da criança e a caderneta de vacinação. Nos postos, profissionais conferem as doses já aplicadas, orientam sobre eventuais atrasos e realizam a administração imediata das vacinas pendentes, conforme a faixa etária e o histórico individual.
A Secretaria Municipal de Saúde reforça a importância da participação ativa da comunidade para recuperar os níveis de cobertura considerados seguros. A antecipação da campanha busca facilitar o acesso, otimizar a logística de distribuição de doses e reduzir o intervalo entre a identificação de falhas de cobertura e a administração de vacinas, contribuindo para a proteção coletiva contra doenças já controladas no país.
Com o início da mobilização em agosto, o município pretende atingir ou superar a meta de 95% em todos os imunobiológicos recomendados, assegurando que crianças e adolescentes estejam devidamente protegidos antes do período de maior circulação de vírus respiratórios, que coincide com a segunda metade do ano. A Secretaria destaca, ainda, que o monitoramento dos indicadores de vacinação continuará após a campanha, a fim de direcionar ações adicionais sempre que necessário.







