Os registros de violência doméstica em Três Lagoas apresentaram crescimento nos sete primeiros meses de 2026. Dados da Polícia Civil indicam que, entre janeiro e julho, foram lavrados 616 boletins de ocorrência relativos a esse tipo de crime, quantidade 4,8% superior aos 588 casos anotados no mesmo intervalo de 2025.
O balanço parcial reforça a necessidade de intensificar ações de prevenção, proteção às vítimas e responsabilização dos agressores, apontaram as autoridades locais. Considerando que restam cinco meses para o encerramento do ano, a projeção é de que o total de 2026 se aproxime ou até ultrapasse o acumulado de 2025, quando foram registradas 1.085 ocorrências.
Março lidera número de ocorrências em 2026
O mês de março concentrou o maior volume de notificações em 2026, com 108 boletins. Na sequência aparecem abril, com 95 registros, e junho, com 88. A distribuição mensal demonstra que a violência contra a mulher permanece entre as principais demandas atendidas pelas forças de segurança no município.
Em 2025, o pico de ocorrências ocorreu em dezembro, período em que a Polícia Civil contabilizou 117 casos. Ainda que o comparativo com o ano anterior seja provisório, o ritmo atual sugere tendência de crescimento ou, no mínimo, de manutenção dos índices elevados.
Fatores que influenciam o aumento das denúncias
Especialistas consultados pela Polícia Civil avaliam que o acréscimo nas notificações pode refletir tanto a expansão dos episódios de agressão quanto o fortalecimento das redes de acolhimento, que encorajam as vítimas a procurar ajuda. A Lei Maria da Penha garante acesso a medidas protetivas, mas a concessão depende da formalização da queixa, etapa considerada decisiva para interromper o ciclo de violência.
O boletim de ocorrência também viabiliza o encaminhamento da vítima a serviços de apoio social, psicológico e jurídico. Dessa forma, o ato de denunciar se converte no principal instrumento para acionar a rede de proteção e responsabilizar o agressor.
Canais de denúncia e atendimento
Em situações de risco iminente, a orientação é ligar imediatamente para a Polícia Militar pelo número 190. Para registrar a ocorrência, a vítima pode dirigir-se à Delegacia de Atendimento à Mulher (DAM) ou a qualquer unidade da Polícia Civil.

Imagem: Divulgação.
Outro canal disponível é o Ligue 180, serviço nacional que funciona 24 horas por dia, sete dias por semana. A ligação é gratuita e sigilosa, oferecendo orientação e encaminhamento às estruturas de apoio existentes.
As autoridades ressaltam que familiares, vizinhos e amigos também têm legitimidade para denunciar agressões. O envolvimento da comunidade é visto como fundamental porque o silêncio tende a perpetuar a violência, enquanto a denúncia representa o primeiro passo para garantir segurança e assistência à vítima.
Responsabilização e prevenção
Com o aumento das notificações, a Polícia Civil informa que intensificou as investigações para assegurar a responsabilização dos autores. Paralelamente, órgãos municipais e estaduais promovem campanhas de conscientização voltadas a prevenir novas ocorrências e a divulgar os serviços disponíveis.
A integração entre segurança pública, judiciário, assistência social e organizações da sociedade civil figura entre as estratégias para ampliar a eficácia das respostas. Segundo os gestores desses setores, a contínua atualização de dados estatísticos serve de base para a elaboração de políticas públicas direcionadas ao enfrentamento da violência doméstica.
Embora as estatísticas de 2026 ainda sejam parciais, o avanço sobre os números de 2025 alerta para a urgência de ações coordenadas. A expectativa é de que a manutenção ou ampliação das redes de apoio, aliada a medidas de responsabilização rápida e efetiva, contribua para frear o crescimento dos índices e oferecer maior proteção às vítimas.







