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Suposto líder do tráfico é executado a tiros em estacionamento no Jardim dos Estados, em Campo Grande

Maurilho Murer Chaves, de 36 anos, foi morto a tiros na noite de domingo, 21, no estacionamento de uma pizzaria situada na Rua Paraíba, no bairro Jardim dos Estados, em Campo Grande (MS). Apontado em inquéritos policiais como liderança do tráfico de drogas na Vila Nhanhá, ele não resistiu aos disparos e faleceu antes da chegada do socorro médico.

De acordo com informações registradas no boletim de ocorrência, Chaves chegou ao estabelecimento acompanhado de outro homem. Ainda no estacionamento, foi surpreendido por suspeitos armados que desceram de um veículo — a polícia não informou o modelo nem a cor — e passaram a atirar. Ao notar a aproximação, o alvo correu entre os carros estacionados, mas foi alcançado e atingido várias vezes. A pessoa que o acompanhava conseguiu se afastar e não sofreu ferimentos.

Equipes da Força Tática do 1º Batalhão da Polícia Militar foram acionadas por clientes da pizzaria e encontraram a vítima caída próximo a um dos acessos ao restaurante. O Corpo de Bombeiros confirmou o óbito minutos depois. Nenhum dos ocupantes ou funcionários do estabelecimento foi ferido durante a ação criminosa.

Peritos criminais e investigadores da Polícia Civil localizaram aproximadamente 15 cápsulas deflagradas de calibre 9 milímetros espalhadas pelo chão, indicando uso de pistolas automáticas. Além das cápsulas, projéteis alojados em veículos estacionados foram recolhidos para exame balístico. O celular e um cartão bancário pertencentes a Chaves estavam próximos ao corpo e foram apreendidos. O automóvel que ele utilizava também foi encaminhado para análise, a fim de verificar possíveis vestígios de disparos ou marcas de pneus que ajudem a reconstituir a dinâmica da fuga.

Conforme depoimentos obtidos no local, os autores deixaram o estacionamento logo após os disparos e teriam seguido por rotas distintas, dificultando a visualização da placa do veículo. As imagens das câmeras de segurança da região, inclusive de imóveis vizinhos e de estabelecimentos próximos, foram requisitadas para identificar a direção tomada pelos atiradores e a quantidade exata de envolvidos.

Maurilho Murer Chaves era conhecido pelos apelidos “Maurilho do Nhanhá” e “Gago” e constava em dossiês policiais como integrante de um esquema de tráfico de drogas na região sul da capital sul-mato-grossense. Em 2021, foi um dos alvos da Operação Ouro Branco, deflagrada pela Delegacia Especializada de Repressão ao Narcotráfico (Denar). Na ocasião, o Ministério Público de Mato Grosso do Sul denunciou diversos investigados por tráfico e associação criminosa, apontando a existência de uma rede que abastecia pontos de venda em bairros periféricos de Campo Grande.

Embora tenha sido formalmente citado em processos ligados à referida operação, a situação processual de Chaves não foi detalhada pela polícia no momento. Interrogados na noite do crime, familiares confirmaram que ele respondia em liberdade e que sua rotina incluía visitas frequentes a restaurantes e bares da cidade, mas disseram desconhecer ameaças recentes.

A Delegacia Especializada de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP) assumiu a investigação. Os agentes trabalham com a hipótese de execução relacionada a disputas internas no tráfico, mas não descartam outras motivações. O delegado responsável informou que a linha de apuração depende da perícia balística, da quebra de sigilo dos dispositivos eletrônicos apreendidos e de eventuais testemunhos que possam reconhecer os autores.

Até a conclusão desta reportagem, ninguém havia sido preso. A polícia reforçou o pedido para que moradores da região encaminhem gravações ou informações que ajudem no esclarecimento do caso. A identidade de eventuais colaboradores será mantida em sigilo.

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