O presidente Luiz Inácio Lula da Silva pode incluir Três Lagoas em sua viagem a Mato Grosso do Sul na próxima quinta-feira, 25 de abril. Embora a presença do chefe do Executivo federal já esteja confirmada em Ponta Porã, onde haverá, às 14h, entrega de títulos a agricultores familiares, autoridades locais aguardam a oficialização de uma parada anterior no município para acompanhar o reinício das obras da Unidade de Fertilizantes Nitrogenados (UFN-3).
A possibilidade foi divulgada pelo deputado federal Vander Loubet, que informou depender apenas da confirmação final do Palácio do Planalto para que a cidade figure no itinerário. Caso o acréscimo se concretize, Lula desembarcará primeiro em Três Lagoas e, em seguida, seguirá para o compromisso marcado na fronteira com o Paraguai.
Retomada após uma década de paralisação
As obras da UFN-3 estavam interrompidas desde dezembro de 2014. Agora, mais de dez anos depois, o projeto entra em nova fase, impulsionado pela inclusão do segmento de fertilizantes no plano estratégico da Petrobras. O então presidente da estatal definiu essa prioridade após sucessivas reuniões que contaram com a participação do governador Eduardo Riedel e da, na época, ministra do Planejamento, Simone Tebet.
Segundo Riedel, a mobilização resultou em um investimento estimado em US$ 800 milhões, com previsão de conclusão em 2027. Quando estiver operando, a fábrica deverá produzir cerca de 15% da demanda nacional por fertilizantes nitrogenados. Atualmente, o Brasil fabrica apenas 15% do que consome e importa o restante. Com a entrada da UFN-3 em operação, a produção doméstica poderá alcançar 30%, reduzindo a dependência externa do insumo essencial ao agronegócio.
O governador também ressaltou a relevância regional do empreendimento, que considera estratégico tanto para Mato Grosso do Sul quanto para o Centro-Oeste e o país como um todo. A avaliação é compartilhada pelo ex-secretário estadual de Meio Ambiente, Desenvolvimento, Ciência, Tecnologia e Inovação, Jaime Verruck, que classifica o projeto como um dos mais importantes vetores de desenvolvimento econômico do estado.
Mobilização de empresas e geração de empregos
A Engeko, primeira empreiteira contratada pela Petrobras para atuar em três lotes da construção, instalou seu escritório administrativo na Rua Orestes Prata Tibery, área central de Três Lagoas. Paralelamente, iniciou-se o processo de contratação de mão de obra por meio da Casa do Trabalhador.
De acordo com o diretor do órgão, Sidiney Abreu, a prioridade inicial é preencher vagas com profissionais residentes no próprio município. As admissões ocorrerão de forma gradual até alcançar o contingente necessário. “O objetivo é oferecer oportunidade primeiramente à população de Três Lagoas, que aguarda esse empreendimento há muitos anos”, afirmou Abreu.
A procura por empregos e a movimentação de máquinas e equipes no canteiro de obras reforçam a percepção de que o projeto entrou em etapa irreversível, como frisa Verruck. Para ele, a sequência de contratações demonstra avanço concreto e reforça a meta nacional de diminuir a dependência de fertilizantes importados, principalmente os nitrogenados.
Expectativa local pela presença presidencial
Enquanto caminhões, técnicos e engenheiros retomam as atividades na planta industrial, cresce a expectativa entre trabalhadores, líderes políticos e empresariado local pela visita de Lula. A presença do presidente é vista como um gesto de apoio às ações para reativar um dos maiores complexos industriais de Mato Grosso do Sul, bem como sinal de compromisso federal com a expansão da produção de fertilizantes no país.
O governador Riedel segue acompanhando de perto a evolução do cronograma. Desde a elaboração de estudos técnicos até a licitação de serviços, o chefe do Executivo estadual tem participado de reuniões com a Petrobras para garantir celeridade na execução. Segundo ele, o cronograma atual prevê a conclusão total da fábrica em 2027, data considerada crucial para que o Brasil alcance índices mais equilibrados de autonomia na cadeia de insumos agrícolas.
Para os moradores de Três Lagoas, a retomada do projeto representa, além da geração imediata de postos de trabalho, estímulo à economia local por meio de novos negócios e da movimentação do setor de serviços. A expectativa é que, na fase de pico, a construção empregue milhares de trabalhadores direta e indiretamente, impactando positivamente comércio, habitação e infraestrutura urbana.
Próximos passos
Enquanto se aguarda a agenda definitiva do presidente, a Petrobras avança na contratação de outras empresas responsáveis por diferentes frentes de serviço dentro da UFN-3. A tendência é que, nas próximas semanas, novas firmas se instalem no município, ampliando o quadro de vagas oferecidas via Casa do Trabalhador.
Se confirmada, a visita presidencial deverá ocorrer antes do deslocamento a Ponta Porã, onde Lula entregará títulos de propriedade rural a famílias da agricultura familiar às 14h. Em Três Lagoas, a agenda deve contemplar vistoria ao canteiro da UFN-3, encontro com autoridades estaduais e municipais e eventuais anúncios de novas etapas do projeto.
Com os primeiros lotes retomados, estimativa de conclusão em 2027 e investimento de cerca de US$ 800 milhões, a UFN-3 consolida-se como peça-chave para a política nacional de fertilizantes. A possível presença do presidente da República no marco inicial dessa fase reforça a visibilidade do empreendimento e mantém elevados os níveis de expectativa na região.








