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Marcelo Miranda Soares, ex-governador de Mato Grosso do Sul, morre aos 87 anos em Campo Grande

Marcelo Miranda Soares, que liderou o Executivo de Mato Grosso do Sul em dois períodos e exerceu mandato no Senado Federal, morreu na manhã desta terça-feira (23), em Campo Grande, aos 87 anos. A família confirmou o falecimento. O ex-governador estava internado após diagnóstico de pneumonia que evoluiu com complicações, agravadas por um quadro de insuficiência renal crônica que o acompanhava havia vários anos.

Nascido em 1936, Miranda formou-se em Engenharia Civil antes de ingressar na vida pública. Sua primeira função eletiva de destaque foi a Prefeitura de Campo Grande, assumida em 1976. Três anos depois, ainda durante o regime militar, foi nomeado governador de Mato Grosso do Sul, permanecendo no cargo de 1979 a 1980. Naquela gestão, conduziu projetos de infraestrutura e iniciou reorganização administrativa do recém-criado estado, desmembrado de Mato Grosso em 1977.

Com a redemocratização, o político retornou ao Palácio Guaicurus, sede do governo sul-mato-grossense, dessa vez escolhido pelo voto direto. Ele venceu o pleito de 1986 e comandou o estado de 1.º de janeiro de 1987 a 1.º de janeiro de 1991. Durante o segundo mandato, intensificou programas de pavimentação e ampliou a rede pública de ensino, além de atuar na consolidação da máquina estadual, que ainda passava por ajustes estruturais após a separação territorial.

Concluído o período à frente do governo, Miranda manteve-se na política. Foi eleito senador da República, representando Mato Grosso do Sul no Congresso Nacional. No Senado, integrou comissões permanentes, apresentou projetos voltados a transporte e logística e participou de debates sobre a distribuição do Fundo de Participação dos Estados.

Além da carreira parlamentar, o engenheiro ocupou cargos técnicos em órgãos federais. Entre as funções no Executivo nacional, esteve na direção do Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (DNIT), onde acompanhou cronogramas de obras rodoviárias e supervisionou contratos de manutenção em rodovias federais que cruzam a região Centro-Oeste.

O histórico de saúde do ex-governador vinha exigindo cuidados constantes. Portador de insuficiência renal crônica, ele realizava acompanhamento médico periódico e chegou a necessitar de procedimentos de hemodiálise em fases mais agudas da doença. A internação mais recente ocorreu após diagnóstico de pneumonia. Apesar do tratamento com antibióticos e suporte respiratório, o quadro evoluiu rapidamente, resultando em falência de múltiplos órgãos.

A trajetória de Miranda coincidiu com etapas decisivas da formação institucional de Mato Grosso do Sul. Criado como estado há apenas 47 anos, o território dependia de ações de infraestrutura básica, definição do aparato administrativo e integração ao cenário nacional. Nesse contexto, seus dois mandatos no governo estadual ficaram marcados pela expansão da malha viária, esforço de atração de investimentos agropecuários e instalação de unidades de ensino técnico para qualificação de mão de obra.

Na esfera municipal, a passagem pela Prefeitura de Campo Grande foi caracterizada por programas de urbanização, ampliação do sistema de abastecimento de água e regularização fundiária de bairros periféricos. Tais iniciativas contribuíram para a posterior elevação da capital ao status de metrópole regional, elemento que facilitou a migração populacional interna na década de 1980.

Durante o período parlamentar, Miranda articulou, em parceria com lideranças do Centro-Oeste, projetos de incentivo fiscal direcionados à indústria sucroenergética e ao cultivo de grãos, setores que se consolidaram como pilares da economia estadual. Os debates no Senado também envolveram defesa da manutenção de repasses do Fundo Constitucional de Financiamento do Centro-Oeste.

O corpo de Marcelo Miranda Soares será velado em Campo Grande, em cerimônia restrita a familiares e amigos próximos, conforme informado pela família. Detalhes sobre sepultamento ainda não foram divulgados até o momento. Órgãos públicos estaduais devem divulgar nota de pesar e decidirão se haverá luto oficial.

Com a morte do ex-governador, Mato Grosso do Sul perde um dos nomes que participaram ativamente dos primeiros anos de sua estruturação administrativa. A trajetória do engenheiro e político abrange desde o poder municipal até funções em nível federal, evidenciando a dimensão de sua atuação na cena pública regional e nacional.

Não há previsão de homenagens públicas adicionais, mas a Assembleia Legislativa do estado e a bancada sul-mato-grossense no Congresso devem registrar a passagem do ex-chefe do Executivo nos anais das respectivas casas, procedimento previsto para ex-governadores e senadores falecidos.

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