O mercado brasileiro de etanol registrou aumento do volume de negociações nos últimos dias, porém os valores comercializados continuam recuando. O cenário foi identificado pelo Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), que aponta pressão de baixa sobre as cotações mesmo diante da maior movimentação entre usinas e compradores.
Segundo o Cepea, parte das usinas reduziu a participação nas transações porque considera os preços pouco atrativos no momento. Algumas companhias, após terem efetuado vendas anteriormente, optaram por aguardar novas oportunidades de mercado antes de retomar a oferta. Outras seguem negociando, mas aceitam valores menores, sobretudo em operações de grandes lotes, o que reforça a tendência de queda nas cotações.
O movimento de recuo nos preços ocorre apesar de a atividade de compra e venda ter se intensificado. A combinação de maior disponibilidade de produto e demanda ainda contida tem sido suficiente para manter o mercado pressionado. De acordo com os pesquisadores do Cepea, o atual nível de preços não estimula uma participação mais ampla das unidades produtoras, que demonstram cautela diante da perspectiva de margens apertadas.
Do lado da demanda, o ritmo de crescimento das vendas de etanol no varejo permanece tímido. Dados preliminares da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) referentes a junho confirmam que o consumo não avança no mesmo compasso da oferta. Embora haja elevação nas vendas em comparação com períodos imediatamente anteriores, o incremento é considerado modesto pelos analistas.
A lentidão da demanda explica, em parte, a flexibilidade das usinas na concessão de descontos para concretizar negócios. Em contextos de maior liquidez, lotes volumosos costumam obter melhores preços; porém, neste momento, o mesmo volume é negociado com valores inferiores, pois o comprador final resiste a elevar o ritmo de aquisição enquanto não identifica sinais mais claros de recuperação no consumo.
Dentro do segmento varejista, a procura por combustíveis depende diretamente da movimentação diária de veículos. A expectativa do setor se concentra em agosto, quando a retomada das atividades escolares costuma aumentar o fluxo de automóveis nos centros urbanos. Tradicionalmente, esse fator gera acréscimo de demanda por combustíveis, incluindo o etanol hidratado.
Empresas produtoras e distribuidoras avaliam que a volta às aulas pode trazer um impulso temporário nas vendas e contribuir para maior equilíbrio entre oferta e procura. No entanto, mesmo com essa perspectiva, as fontes consultadas pelo Cepea não projetam mudanças abruptas nos preços de curto prazo, pois a reação do mercado depende da intensidade efetiva do consumo a partir do próximo mês.

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Outro componente observado é a estratégia individual de cada unidade produtora. As usinas que realizaram vendas em patamares considerados satisfatórios nas semanas anteriores agora demonstram disposição para aguardar, esperando que a possível elevação da demanda sustente cotações mais elevadas. Já aquelas que precisam girar estoque ou preservar fluxo de caixa optam por permanecer ativas nas negociações, ainda que aceitando preços menores.
Até o momento, não há indicação de retração significativa na produção que possa alterar a relação de forças entre oferta e demanda. Dessa forma, a trajetória de preços segue condicionada ao comportamento do consumo interno, cuja reação continua modesta. A curva descendente observada recentemente reflete essa combinação de oferta disponível e crescimento contido das vendas, cenário que limita movimentos de valorização.
Analistas observam também que a dinâmica dos preços do etanol se insere num contexto mais amplo de combustíveis. Embora a notícia dos dados da ANP destaque especificamente o etanol, o desempenho desse biocombustível costuma estar ligado ao comportamento geral do mercado, que inclui gasolina e diesel. No entanto, informações detalhadas sobre esses combustíveis não foram divulgadas no levantamento referido.
Para os próximos dias, produtores, distribuidores e revendedores permanecem atentos a indicadores de consumo, sobretudo volumes efetivamente vendidos nos postos durante julho. Caso se confirme aceleração da demanda, parte das usinas que hoje seguram produto poderá retomar as ofertas a patamares de preços diferentes. Até lá, o mercado mantém os preços pressionados para baixo, com negociações concentradas em lotes maiores e participação seletiva das unidades produtoras.
Enquanto isso, o setor continua acompanhando a divulgação de números consolidados da ANP e eventuais mudanças no fluxo de veículos decorrentes do calendário escolar. O desempenho de agosto será determinante para indicar se a fase de preços deprimidos persistirá ou se haverá espaço para gradual recuperação, dependendo da resposta do consumo.







