A poesia ocupa espaço central no próximo Chá Acadêmico da Academia Sul-Mato-Grossense de Letras (ASL). Nesta quinta-feira, 30, a entidade abre as portas de sua sede, em Campo Grande, para receber o escritor, tradutor e professor Paulo Henriques Britto, integrante da Academia Brasileira de Letras (ABL). Com entrada gratuita, o imortal apresenta a palestra “A análise formal de um poema”, dentro do projeto “ABL na ASL: Palestras Imortais”, iniciativa realizada em parceria com o Governo de Mato Grosso do Sul por meio da Secretaria de Turismo, Esporte e Cultura (Setesc) e da Fundação de Cultura de Mato Grosso do Sul (FCMS).
Durante a exposição, Britto propõe examinar os mecanismos técnicos que estruturam um texto poético. O foco recai sobre aspectos como métrica, sonoridade, ritmo e recursos fonológicos, elementos que, segundo o autor, potencializam os sentidos e a carga emotiva de cada verso. A abordagem contempla ainda linguagem figurada, variações sintáticas e organização sonora, compondo um mapa detalhado dos fatores que convergem para a eficácia estética de um poema.
O presidente da ASL, Henrique de Medeiros, considera o tema oportuno para demonstrar a importância da escolha consciente de formas e estruturas na criação literária. Para ele, compreender como a técnica se alia à criatividade ajuda autores iniciantes e experientes a transformar ideias em obras de maior intensidade literária.
Reconhecido como um dos principais nomes da literatura contemporânea brasileira, Paulo Henriques Britto ocupa a cadeira 30 da ABL e leciona no Departamento de Letras da Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC-Rio). Sua atuação reúne poesia, conto, ensaio e tradução. Entre os prêmios que recebeu estão Portugal Telecom (atual Oceanos), Bravo!, Associação Paulista de Críticos de Arte (APCA) e Fundação Biblioteca Nacional.
Na poesia, Britto assinou títulos como “A inércia e outros poemas” (1997), “Macarrão de anjo” (2006), “Formas do nada” (2012) e “Nenhum nome” (2018). Na narrativa de ficção, publicou as coletâneas “Paraísos artificiais” (2004) e “O chanfalho” (2014). Paralelamente, construiu reputação como tradutor, com mais de cem obras vertidas do inglês para o português, incluindo trabalhos de Elizabeth Bishop, William Faulkner, Philip Roth, Thomas Pynchon e Wallace Stevens.
Programação paralela reúne artes visuais e música
O Chá Acadêmico incorpora ainda outras iniciativas culturais mantidas pela ASL em cooperação com parceiros locais. A Confraria SociArtista apresenta, por meio do projeto “Arte na Academia”, a exposição “A Menina do Vestido Azul”, da artista plástica Adriana Teixeira. A série reúne pinturas que exploram a fronteira entre realidade e imaginação, utilizando elementos de fantasia para criar narrativas visuais que convidam o público a novas leituras do cotidiano.
No campo musical, o projeto “Música Erudita e suas Fronteiras”, desenvolvido em conjunto com a Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS), traz à cena o violonista, professor e pesquisador Evandro Dotto. O repertório preparado para a ocasião transita por composições que evidenciam possibilidades sonoras do violão clássico, buscando dialogar com diferentes vertentes da música de concerto.

Imagem: Divulgação
Serviço
O evento ocorre na sede da Academia Sul-Mato-Grossense de Letras, em Campo Grande, nesta quinta-feira, 30. A programação tem início com a palestra de Paulo Henriques Britto e segue com visitação à mostra de artes visuais e apresentação musical. Todas as atividades são gratuitas e abertas ao público, sujeitas à capacidade do local.
Com a realização do projeto “ABL na ASL: Palestras Imortais”, a ASL reforça o intercâmbio entre instituições literárias nacionais e regionais, proporcionando aos participantes uma oportunidade de contato direto com autores de projeção no cenário brasileiro. Ao trazer discussões sobre a forma poética e suas implicações estéticas, o encontro busca ampliar o repertório de leitores, estudantes e escritores interessados em compreender as engrenagens internas da criação literária.
A iniciativa integra o calendário cultural de Mato Grosso do Sul, apoiada pela Setesc e pela FCMS, órgãos responsáveis por fomentar ações que difundam literatura, artes visuais e música no estado. Neste contexto, a presença de um acadêmico da ABL em Campo Grande cria um ambiente propício para a troca de experiências entre agentes culturais, pesquisadores e o público em geral, fortalecendo pontes entre produção local e panorama nacional.
Informações adicionais sobre horários específicos, reservas de lugares ou protocolos de acesso podem ser consultadas diretamente com a ASL. O contato da instituição está disponível em seus canais oficiais de comunicação.







