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Oferta reduzida de milho de segunda safra mantém preços firmes no mercado interno

O avanço da colheita do milho de segunda safra em todas as regiões produtoras do país ainda não se reflete em maior disponibilidade para negociação. Segundo análise do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), a proporção de área já colhida figura abaixo do registrado em temporadas anteriores, o que mantém o cereal escasso no curto prazo e sustenta a valorização nas principais praças acompanhadas.

A cautela dos produtores é apontada como fator central para o quadro de menor oferta. Muitos agricultores têm postergado as vendas na expectativa de condições mais favoráveis de preços, estimulados pela recente elevação das cotações internacionais. A alta externa reforça a possibilidade de melhora na paridade de exportação, tornando potencialmente mais atrativa a destinação do produto aos terminais portuários nas próximas semanas.

Com a oferta limitada, compradores enfrentam maior disputa pelo volume disponível. Ao mesmo tempo, indústrias de ração, cooperativas e granjas vêm priorizando o consumo dos estoques formados anteriormente, reduzindo o ritmo de novas aquisições. Essa estratégia é baseada na projeção de que o avanço da colheita aumente a disponibilidade interna e possa pressionar os preços futuramente.

Em Mato Grosso do Sul, Estados do Centro-Oeste e regiões do Matopiba, agentes de mercado relatam incremento nas cotações mesmo durante o período de safra. Praças como Campo Grande, Dourados, Paranaíba, Três Lagoas e Aparecida do Taboado registram negociações pontuais a valores superiores aos observados no início do mês, refletindo o equilíbrio apertado entre oferta e demanda local.

Além do ritmo mais lento da entrada de produto, a capacidade de armazenagem nas propriedades influencia a decisão dos produtores. Em diversas fazendas, silos e armazéns ainda comportam parte significativa da safra 2022/23, permitindo que o novo volume seja estocado sem necessidade imediata de liquidação. Essa margem logística favorece a retenção do grão até que o cenário de preços seja considerado satisfatório para venda.

Analistas ressaltam, entretanto, que o comportamento dos vendedores pode sofrer alteração repentina caso haja necessidade de liberar espaço nos armazéns ou reforçar o caixa para custear a próxima safra. Nessa hipótese, um incremento simultâneo da oferta interna poderia suavizar a trajetória de alta ou mesmo provocar recuo das cotações, especialmente se coincidir com volumes expressivos de colheita ainda pendente.

No front externo, tradings monitoram o movimento cambial e as novas projeções de demanda, sobretudo da Ásia e do norte da África. Caso se confirme a valorização do milho nos principais terminais internacionais, as exportações brasileiras tendem a ganhar ritmo, competindo com o consumo doméstico pelo grão disponível. A definição da logística nos portos, custos de frete e janela de embarque também será determinante para mensurar a quantidade efetivamente destinada ao mercado internacional.

Para o curto prazo, o Cepea indica que o balanço entre disponibilidade restrita e demanda contida deverá continuar sustentando preços relativamente firmes. Entretanto, a evolução da colheita, o fluxo de exportações e as decisões de venda dos produtores permanecem como variáveis-chave para direcionar o mercado até o fim do ciclo.

Em síntese, enquanto o volume comercializado se mantém aquém do potencial produtivo da segunda safra, a combinação de oferta controlada e perspectiva de melhora na rentabilidade das exportações reforça a atual sustentação de preços. O andamento dessas variáveis ao longo das próximas semanas definirá se a firmeza observada se prolongará ou se haverá ajuste conforme a maior quantidade de milho chegar efetivamente aos canais de comercialização.