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Brasil retoma segunda dose de reforço da vacina contra a poliomielite para crianças de 4 anos

O Ministério da Saúde informou que, a partir de agosto, todas as crianças de 4 anos passarão a receber uma segunda dose de reforço contra a poliomielite no Sistema Único de Saúde (SUS). A decisão, de caráter preventivo, reforça a estratégia nacional para manter o Brasil livre da circulação do poliovírus, mesmo após mais de três décadas sem registros da doença no território nacional.

A meta da pasta é elevar a cobertura vacinal para 95% até 2026, patamar considerado seguro pela Organização Mundial da Saúde (OMS) para evitar a reintrodução do vírus. Dados atuais mostram que o percentual de crianças imunizadas permanece abaixo desse objetivo, o que acende alerta em autoridades de saúde sobre a vulnerabilidade da população infantil caso ocorram novos focos da enfermidade.

A poliomielite é provocada pelo poliovírus, que se multiplica no intestino e é transmitido principalmente por contato com fezes contaminadas. Na maior parte das infecções, os sintomas são leves ou inexistentes, mas em situações menos frequentes o agente patogênico alcança o sistema nervoso central, ocasionando paralisia muscular, especialmente nos membros inferiores. Quando os músculos respiratórios são afetados, há risco de insuficiência respiratória e morte.

Entre os pacientes que evoluem para a forma paralítica, estimativas indicam que cerca de dois terços permanecem com algum grau de sequela motora. A manutenção de elevadas coberturas vacinais é, portanto, a principal ferramenta para evitar tanto a manifestação clínica da doença quanto complicações permanentes decorrentes da infecção.

Especialistas atribuem a queda na procura pelos imunizantes a fatores como redução da percepção de risco, disseminação de informações equivocadas sobre a segurança das vacinas, desigualdades regionais e dificuldades de acesso aos serviços de saúde em determinadas localidades. Esse cenário cria bolsões de baixa imunidade que podem facilitar a circulação do poliovírus caso seja reintroduzido no país.

O vírus ainda circula em algumas regiões do mundo. Viagens internacionais, migrações e o comércio global ampliam a possibilidade de entrada do agente patogênico em áreas onde a cobertura não atinge o patamar recomendado. Ao reimplantar a dose de reforço aos 4 anos, o Brasil busca reduzir essa brecha imunológica e proteger as crianças no período que antecede a vida escolar, fase em que o contato social se intensifica.

O esquema vacinal completo contra a poliomielite passa a ser composto por três doses primárias — administradas aos 2, 4 e 6 meses de idade — e dois reforços, aplicados aos 15 meses e agora novamente aos 4 anos. A mudança recupera a recomendação vigente até 2016, quando o segundo reforço foi retirado do calendário básico.

Conforme nota técnica divulgada pela Secretaria de Vigilância em Saúde, toda a rede pública utilizará exclusivamente a Vacina Inativada Poliomielite (VIP), versão adotada nacionalmente desde 2024. Por ser produzida com vírus mortos, a VIP elimina o risco, ainda que raro, de eventos adversos associados à cepa atenuada presente na antiga vacina oral (VOP).

Na rede privada, clínicas oferecem formulações combinadas que incluem a proteção contra a poliomielite. Um dos imunizantes disponíveis é a vacina dTpa+VIP, que reúne cobertura para difteria, tétano, coqueluche e poliomielite em dose única, indicada para crianças a partir de 4 anos, adolescentes, adultos, idosos e viajantes que se deslocam para regiões com circulação do poliovírus.

Também no setor privado, vacinas pentavalente e hexavalente acelulares podem integrar esquemas primários ou servir como reforço em crianças menores de 7 anos, adicionando proteção contra doenças como hepatite B e Haemophilus influenzae tipo b. Essas alternativas não substituem o calendário oficial do SUS, mas oferecem opções a famílias que buscam regimes vacinais combinados.

O Ministério da Saúde ressalta que a introdução da segunda dose de reforço não altera o intervalo recomendado entre as aplicações. As carteiras de vacinação deverão ser revisadas pelos profissionais das unidades básicas para identificar quem precisa atualizar o esquema, evitando falhas que possam comprometer a imunidade coletiva.

Com o novo calendário, autoridades sanitárias pretendem reverter a tendência de queda observada desde 2015. A pasta articula campanhas de conscientização, mobilização de equipes de atenção primária e parcerias com estados e municípios para levar a vacina a comunidades de difícil acesso. A expectativa é que a combinação de reforço adicional, vigilância epidemiológica ativa e comunicação clara com a população seja suficiente para impedir o retorno de uma enfermidade considerada eliminada no Brasil desde 1994.