Um homem de 56 anos foi preso em flagrante nesta semana, em Campo Grande, por manter um ferro-velho irregular instalado dentro de uma área de preservação permanente no Bairro North Park. A ação foi conduzida por equipes da Delegacia Especializada de Repressão aos Crimes Ambientais e de Atendimento ao Turista (Decat), após denúncias que indicavam a retomada da atividade criminosa no mesmo local onde o suspeito já havia sido flagrado em março deste ano.
Ao chegarem ao endereço, os policiais constataram que o terreno, que abriga uma nascente, estava novamente ocupado com grande volume de sucata, materiais recicláveis e resíduos diversos. Segundo a investigação, parte desses resíduos deveria ter sido encaminhada para o Ecoponto municipal ou para a concessionária Solurb, responsável pela coleta de lixo na capital sul-mato-grossense. Em vez disso, parte do material foi queimada no próprio local, liberando fumaça e partículas poluentes na atmosfera.
Durante a fiscalização, a equipe também localizou tanques que continham um material isolante semelhante à lã de vidro. A substância foi recolhida para análise da Coordenadoria-Geral de Perícias, que verificará os potenciais impactos à saúde humana e ao meio ambiente. A presença desse tipo de resíduo, se confirmada, agrava o risco de contaminação do solo e da água provenientes da nascente existente na área protegida.
Além da queima de lixo e do acúmulo de entulhos, os agentes identificaram ligações clandestinas de energia elétrica e de água no imóvel. Tais conexões irregulares reforçam o caráter ilícito da ocupação e representam mais um fator de degradação ambiental, já que podem gerar vazamentos, sobrecarga na rede e desperdício de recursos naturais.
Diante das evidências, o homem recebeu voz de prisão em flagrante por crime de poluição ambiental, previsto na legislação brasileira. Ele foi conduzido para a unidade policial responsável, onde permanece à disposição da Justiça. A reincidência, registrada menos de quatro meses após a primeira prisão, será considerada pelo Poder Judiciário na análise das medidas cabíveis.
A Prefeitura de Campo Grande foi comunicada e iniciará a remoção dos resíduos acumulados, bem como a limpeza do terreno. Esta é a segunda intervenção municipal no mesmo ponto, que permanece classificado como área de preservação permanente em razão da nascente que abastece cursos d’água da região. A administração municipal informou que adotará providências adicionais para evitar novas invasões e garantir a recuperação ambiental do local.
Conforme a Polícia Civil, o material recolhido passará por perícia para medir o grau de contaminação do solo, da água e do ar. O laudo técnico deverá orientar o Ministério Público e os órgãos ambientais sobre eventuais medidas compensatórias, além de subsidiar o inquérito que apura responsabilidade criminal e civil do suspeito.

Imagem: Divulgação
Crimes contra o meio ambiente, como o registrado no North Park, estão sujeitos a penalidades que vão de multa à detenção, variando conforme a gravidade e a extensão do dano causado. A legislação determina pena de um a cinco anos de reclusão para quem causar poluição que resulte em danos à saúde ou à fauna e flora. A reincidência, segundo especialistas, pode levar a aumento da pena e dificultar a concessão de benefícios, como liberdade provisória.
A Delegacia Especializada reforçou que denúncias sobre crimes ambientais podem ser feitas de forma anônima por meio do telefone 197 ou pelos canais eletrônicos da instituição. O órgão ressaltou a importância da participação da população na identificação de práticas que coloquem em risco áreas protegidas, recursos hídricos e a qualidade de vida da comunidade.
Até a conclusão da perícia e a remoção completa dos resíduos, a área permanece sob monitoramento das autoridades. O objetivo é impedir novos focos de incêndio, evitar a entrada de caminhões transportando sucata e coibir qualquer tentativa de reinstalar o ferro-velho. A prefeitura deverá instalar sinalização que indique a proibição de ocupação e alertas sobre a presença da nascente, medida que visa conscientizar moradores e visitantes sobre a relevância ambiental do espaço.
O caso acrescenta mais um registro de poluição ambiental na capital sul-mato-grossense e reforça o desafio enfrentado pelas autoridades para conciliar crescimento urbano, atividades comerciais e preservação de ecossistemas sensíveis. A investigação prossegue para apurar se há outros envolvidos na operação do ferro-velho clandestino e se houve destinação irregular de resíduos por terceiros.







