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Funcionário de loja é detido por desviar R$ 9,2 mil da conta de idosa em Aparecida do Taboado

A Polícia Civil prendeu em flagrante um homem de 25 anos suspeito de estelionato contra uma idosa de 66 anos em Aparecida do Taboado (MS). Segundo a investigação, o funcionário de uma loja de celulares realizou 18 transações bancárias não autorizadas que esgotaram o saldo da vítima e totalizaram R$ 9.284.

O caso veio à tona quando a aposentada tentou efetuar uma compra em um estabelecimento local e foi informada de que sua conta não possuía fundos. A informação causou surpresa, pois poucos dias antes ela recebera cerca de R$ 9 mil pela venda de um terreno. Desconfiada, a mulher procurou o banco e descobriu que, em um intervalo de poucos dias, haviam sido registradas múltiplas movimentações eletrônicas que ela desconhecia.

De acordo com o boletim de ocorrência, a idosa adquiriu um telefone celular parcelado na loja onde o suspeito trabalhava. Todo mês, ela se dirigia ao local para quitar cada prestação. Como não dominava o aplicativo bancário, entregava o aparelho desbloqueado ao funcionário, que realizava um Pix para a conta da empresa, comprovando o pagamento na tela diante dela. Esse procedimento se repetiu por vários meses sem incidentes, criando um contexto de confiança entre cliente e atendente.

No último encontro, contudo, o funcionário afirmou que precisaria de fotos do rosto da cliente para “concluir o procedimento” de pagamento. A idosa concordou, e o atendente capturou duas imagens faciais com o próprio celular. Horas depois, começaram a ocorrer as transferências irregulares que direcionaram valores para diferentes estabelecimentos comerciais.

Sentindo-se lesada, a vítima procurou o Setor de Investigações Gerais (SIG) da Polícia Civil. Com autorização da correntista, os agentes obtiveram junto ao banco o horário exato da transação mais recente. Em seguida, foram até a loja de celulares e solicitaram as imagens das câmeras de segurança correspondentes ao período identificado. As gravações mostraram o suspeito realizando compras pessoais com um aparelho da empresa justamente no momento em que a movimentação bancária foi registrada.

Diante das evidências, os investigadores abordaram o funcionário ainda durante o expediente. Segundo a Polícia Civil, o homem admitiu espontaneamente ter efetuado as transferências antes mesmo de ser interrogado formalmente. Ele recebeu voz de prisão em flagrante e foi conduzido para exame de corpo de delito. O delegado responsável ratificou a autuação e manteve o detido na carceragem, onde permanece à disposição da Justiça.

O inquérito apura os detalhes da ação criminosa, incluindo a forma como o suspeito utilizou as imagens faciais e o acesso ao aparelho desbloqueado para efetuar as operações via Pix. Técnicos da polícia analisam se houve emprego de reconhecimento facial no aplicativo ou mera posse do dispositivo para viabilizar as transferências.

Autoridades destacam que casos semelhantes podem ocorrer quando clientes compartilham senhas ou deixam celulares destravados em poder de terceiros. Para prevenir golpes, o delegado André Estafusa orienta a população a:

  • Nunca fornecer dados bancários ou senhas a outras pessoas, independentemente de vínculo profissional ou pessoal;
  • Evitar entregar celulares desbloqueados a atendentes de lojas ou prestadores de serviço;
  • Monitorar rotineiramente o extrato bancário e acionar a instituição financeira diante de qualquer movimentação desconhecida;
  • Registrar imediatamente boletim de ocorrência para facilitar a recuperação de valores e a responsabilização dos autores.

As investigações seguem para verificar se o suspeito agiu sozinho ou se há outros envolvidos. A Polícia Civil também avalia a possibilidade de recuperar parte do montante desviado junto aos estabelecimentos que receberam os pagamentos. Enquanto isso, a vítima foi orientada a formalizar contestação no banco e acompanhar o andamento processual.

O crime de estelionato está previsto no artigo 171 do Código Penal e prevê pena de um a cinco anos de reclusão, aumentada em um terço se a vítima for pessoa idosa. A soma desviada — R$ 9.284 — representa praticamente todo o valor obtido pela venda do terreno da aposentada, recurso que ela pretendia usar para despesas pessoais.

A Polícia Civil reforça que denúncias podem ser feitas de forma anônima pelo telefone 197. Informações sobre transações suspeitas são fundamentais para acelerar as diligências e evitar que outros consumidores se tornem vítimas em circunstâncias semelhantes.