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Brasil ultrapassa 1 milhão de gestantes vacinadas contra o vírus sincicial respiratório

O Ministério da Saúde divulgou nesta semana que o Brasil superou a marca de 1 milhão de gestantes imunizadas contra o vírus sincicial respiratório (VSR), agente que responde pela maioria dos casos de bronquiolite em bebês. O resultado, alcançado pouco mais de um ano após a inclusão do imunizante no Sistema Único de Saúde (SUS), sinaliza avanço na estratégia de proteção de recém-nascidos contra infecções respiratórias graves.

A vacinação de gestantes contra o VSR foi incorporada ao calendário do SUS em 2025. O esquema prevê a aplicação de dose única a partir da 32ª semana de gravidez. Ao ser vacinada, a mulher produz anticorpos que atravessam a placenta e oferecem proteção ao filho nos primeiros meses de vida, fase considerada a de maior risco para complicações respiratórias.

Estudos citados pela pasta indicam eficácia de 81,8% do imunizante na prevenção de quadros graves de VSR durante os primeiros 90 dias após o nascimento. A perspectiva é reduzir não apenas a incidência da bronquiolite, mas também a pressão sobre leitos pediátricos em períodos de sazonalidade de vírus respiratórios.

A bronquiolite é uma infecção que acomete sobretudo crianças menores de 2 anos. A doença provoca inflamação das pequenas vias aéreas dos pulmões e manifesta-se com tosse, febre, coriza, chiado no peito e dificuldade para respirar. Nos casos mais severos, o bebê pode apresentar pausas respiratórias e recusar alimentação, exigindo internação imediata.

Com o avanço da campanha, o ministério registrou queda expressiva nas internações e óbitos de crianças pequenas por Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG) associada ao VSR. Até abril deste ano, as hospitalizações caíram 52% em comparação com o mesmo período de 2023, enquanto as mortes diminuíram 63%. Os números reforçam o impacto da imunização materna sobre a saúde infantil e sobre a rede hospitalar.

De acordo com a secretária de Vigilância em Saúde, a ampliação da cobertura vacinal entre gestantes tem se mostrado decisiva para conter surtos de bronquiolite nos meses mais frios, quando o VSR costuma circular com maior intensidade. A estratégia de imunização materna, adotada em outros países, foi considerada pela pasta a forma mais rápida de oferecer proteção aos recém-nascidos, uma vez que crianças com menos de seis meses ainda não podem receber vacinas específicas contra o vírus.

O ministro da Saúde, Alexandre Padilha, atribuiu o resultado ao trabalho conjunto de profissionais de saúde, gestores estaduais e municipais e à confiança da população nas vacinas oferecidas pelo SUS. Segundo ele, o país retomou níveis de cobertura considerados referência internacional, alcançando o melhor índice de imunização infantil dos últimos nove anos. Padilha também mencionou que o fortalecimento do Programa Nacional de Imunizações (PNI) foi fundamental para enfrentar ceticismos que vinham impactando campanhas anteriores.

Durante agenda em Lauro de Freitas, na região metropolitana de Salvador (BA), o ministro anunciou o início das obras da primeira maternidade municipal, que receberá investimento de R$ 103 milhões do Novo PAC Saúde. A unidade deverá ampliar a oferta de partos humanizados e de atendimento neonatal de alta complexidade, colaborando com a regionalização do cuidado materno-infantil.

Além da construção da maternidade, a cidade baiana contará com capacitação de equipes para incentivar o pré-natal adequado e a adesão à vacina contra o VSR. A pasta informou que ações semelhantes de infraestrutura e qualificação profissional serão estendidas a outros municípios prioritários, a fim de acelerar o alcance das metas de vacinação entre gestantes.

O Ministério da Saúde recomenda que todas as gestantes dentro da faixa gestacional indicada procurem as unidades do SUS para receber a vacina. Mulheres que iniciaram o pré-natal em clínicas particulares também podem ser imunizadas na rede pública, apresentando documento de identificação e cartão de pré-natal atualizado. Não há contraindicação para a aplicação conjunta com outras vacinas recomendadas durante a gravidez, como a dTpa e a influenza.

A pasta reforça que a vacinação materna não substitui outras medidas de prevenção da bronquiolite e de infecções respiratórias em bebês. Orientações incluem manter ambientes ventilados, evitar exposição da criança a pessoas com sintomas de gripe, realizar higienização frequente das mãos e incentivar o aleitamento materno exclusivo nos primeiros seis meses de vida.

A meta do Ministério da Saúde é atingir, até o final do ano, 80% das gestantes elegíveis, o que corresponde a cerca de 2,3 milhões de mulheres. Para isso, campanhas de comunicação serão intensificadas em rádio, televisão e redes sociais, com foco nos benefícios da transferência de anticorpos ao bebê e na redução do risco de hospitalização.

O governo federal também negocia com fabricantes a expansão do fornecimento de doses para 2026, garantindo continuidade ao programa. A expectativa é que a vacinação de gestantes contra o VSR se consolide como política permanente dentro do PNI, ao lado de outras estratégias de proteção materna e neonatal.

Com a marca de 1 milhão de gestantes vacinadas, o Brasil sinaliza avanço na cobertura pré-natal e no enfrentamento de doenças respiratórias em recém-nascidos, combinando oferta gratuita de imunizantes, investimentos em infraestrutura de saúde e ações de sensibilização da população.

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