A Federação das Câmaras de Dirigentes Lojistas de Mato Grosso do Sul (FCDL/MS) anunciou a oitava edição estadual do Dia Livre de Impostos, marcada para 28 de maio, com o propósito de evidenciar o peso da carga tributária sobre produtos e serviços em todo o país.
O lançamento ocorreu em entrevista concedida nesta quinta-feira (7) pela presidente da entidade, Inês Santiago, ao programa Microfone Aberto, transmitido pela Rádio Massa FM em Campo Grande. De acordo com a dirigente, a campanha lembra que, até essa data, o trabalhador brasileiro teria dedicado todo o rendimento anual apenas ao pagamento de tributos federais, estaduais e municipais.
Criada há 19 anos no Brasil, a mobilização está na oitava edição em Mato Grosso do Sul. A iniciativa envolve lojistas de diferentes estados que, no dia programado, comercializam itens sem repassar aos consumidores o valor correspondente aos impostos. Os empresários assumem o custo da diferença e expõem, na nota fiscal ou em etiquetas especiais, o percentual normalmente destinado ao Fisco.
Segundo a FCDL/MS, determinados produtos podem ter mais de 60% do preço final composto por tributos. O exemplo citado por Inês Santiago envolve motocicletas, cujos encargos podem alcançar 65% do valor pago pelo comprador. A entidade sustenta que a elevada tributação encarece mercadorias essenciais e reduz o poder de compra, com reflexos diretos no consumo e na atividade econômica.
Dados apresentados pela federação apontam que, em Mato Grosso do Sul, a inadimplência subiu cerca de 10% recentemente. Ainda conforme o levantamento, aproximadamente 40% dos consumidores que têm dívidas em atraso estariam afastados do mercado de consumo, o que, na avaliação da instituição, restringe a recuperação do varejo e dificulta a expansão dos negócios locais.
Outro impacto citado envolve a transferência de empresas brasileiras para países vizinhos em busca de menor carga tributária. A FCDL/MS estima que pelo menos 200 indústrias tenham migrado para o Paraguai nos últimos anos, atraídas por custos operacionais mais baixos. Esse movimento, segundo a entidade, provoca perda de investimentos internos, redução de empregos e esvaziamento de cadeias produtivas regionais.
Para aproximar o tema da população, a federação mantém um programa de educação tributária em escolas particulares sul-mato-grossenses. O projeto leva informações sobre a incidência de impostos em artigos do cotidiano a estudantes da quinta série, com o intuito de estimular a consciência financeira desde a infância. Nas atividades, são mostrados exemplos práticos de quanto o recolhimento obrigatório influencia no preço de itens como cadernos, alimentos e eletrônicos.
Durante a entrevista, Inês Santiago destacou que o Dia Livre de Impostos pretende ampliar o debate sobre os efeitos econômicos e sociais da atual estrutura tributária. Ao comercializar produtos sem a parcela de tributos por um dia, a campanha busca tornar visível ao consumidor o montante que normalmente é recolhido aos cofres públicos. Segundo a dirigente, a demonstração prática facilita a compreensão do tema e reforça a importância de discutir alternativas para tornar o sistema mais equilibrado.
A iniciativa mobiliza lojistas de diversos segmentos, incluindo supermercados, farmácias, concessionárias, vestuário e eletroeletrônicos. A adesão varia conforme a capacidade de cada estabelecimento assumir o custo. Para participar, os comerciantes se cadastram junto à FCDL/MS e recebem material de divulgação que informa aos clientes o percentual de desconto correspondente aos impostos retirados da operação.
A federação argumenta que a sobrecarga tributária eleva preços, reduz margens de lucro e limita a competitividade do comércio. De acordo com a entidade, quando os custos aumentam, empresários tendem a postergar contratações ou até demitir, o que pressiona indicadores de emprego. A FCDL/MS afirma ainda que a diminuição do consumo afeta a arrecadação pública, alimentando um ciclo de estagnação econômica.
Em 2024, o Dia Livre de Impostos ocorrerá simultaneamente em vários estados, seguindo cronograma definido pela Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL). Cada federação estadual coordena a lista de participantes e os segmentos inseridos. No Mato Grosso do Sul, a expectativa é ampliar o número de estabelecimentos em relação à edição anterior e alcançar municípios além de Campo Grande, principal polo de adesões em anos anteriores.
A campanha encerra-se ao fim do expediente comercial de 28 de maio. Embora pontual, a ação serve, segundo a FCDL/MS, para demonstrar de forma objetiva quanto da renda da população é destinada a tributos e provocar discussão sobre possíveis reformas que simplifiquem o sistema, promovam justiça fiscal e fomentem o desenvolvimento econômico nacional.








