A 85ª Expogrande encerrou-se com resultados financeiros inéditos e consolidou-se como um dos principais motores econômicos de Mato Grosso do Sul. Durante 11 dias de programação, a feira somou mais de R$ 850 milhões em negócios e recebeu público superior a 129 mil visitantes, números que superam todas as edições anteriores, segundo a Associação dos Criadores de Mato Grosso do Sul (Acrissul).
O balanço foi detalhado nesta quinta-feira (7) pelo presidente da entidade, Guilherme Bumlai, em entrevista ao programa Microfone Aberto, da Rádio Massa FM Campo Grande. De acordo com o dirigente, o desempenho histórico reflete o atual momento de valorização da pecuária brasileira, especialmente nos segmentos de boi gordo e bezerros, e confirma a centralidade do agronegócio na economia estadual.
Negócios movimentados dentro e fora da pista de leilões
Entre os fatores que impulsionaram o faturamento, destacam-se os leilões realizados no parque de exposições, responsáveis por mais de R$ 53 milhões. O volume negociado envolveu animais de corte e de reposição, além de genética de elite, acompanhando a tendência de preços firmes no mercado pecuário nacional. A procura intensa por lotes de qualidade elevou a competitividade dos lances e contribuiu para o avanço do ticket médio das vendas.
Além dos remates, as transações englobaram máquinas, implementos, insumos, veículos utilitários e pacotes de tecnologia voltados à produção agropecuária. Bancos, cooperativas de crédito e concessionárias atuaram de forma integrada para disponibilizar linhas de financiamento especiais, com prazos alongados e taxas diferenciadas, facilitando a concretização dos negócios. Segundo a Acrissul, a presença de instituições financeiras ajudou a acelerar liberações de recursos e antecipou investimentos planejados por produtores rurais para o próximo ciclo agrícola.
Efeito multiplicador sobre comércio e serviços
O movimento registrado no parque reverberou em diversos segmentos da economia local. Hotéis, restaurantes, empresas de transporte, lojas de roupas e prestadores de serviços em geral se beneficiaram do fluxo de visitantes e da expansão da demanda por produtos ligados à cadeia produtiva pecuária. Para a Acrissul, esse efeito multiplicador reforça o papel do agronegócio como indutor de geração de renda e empregos em Campo Grande e em outras regiões do estado.
De acordo com a avaliação da entidade, quando o produtor rural obtém resultado positivo, tende a reinvestir na propriedade, a renovar sua frota de máquinas e a consumir bens e serviços na cidade, ativando uma cadeia que se estende da indústria ao varejo. Essa dinâmica confirma o setor primário como “locomotiva” da economia sul-mato-grossense, colocando a pecuária em posição estratégica para a arrecadação de tributos e para a atração de novos empreendimentos.
Programação voltada às famílias aproxima campo e cidade
Além da pauta de negócios, a Expogrande reforçou seu perfil de evento familiar e educativo. A edição de 2023 contou com o projeto Fazendinha, desenvolvido em parceria com o Serviço Nacional de Aprendizagem Rural (Senar), que ofereceu atividades interativas a crianças de escolas públicas e particulares. Por meio de oficinas práticas, o espaço apresentou as etapas da produção de alimentos, os cuidados com o meio ambiente e a importância do bem-estar animal, estimulando o contato de estudantes urbanos com a realidade do campo.
Shows musicais, exposições temáticas, competições de laço e provas de julgamento de raças também fizeram parte da agenda, ampliando o tempo de permanência dos visitantes e diversificando as fontes de receita da feira. Conforme a organização, a proposta é manter a Expogrande como ambiente de integração entre produtores, consumidores e fornecedores, fortalecendo a imagem do setor agropecuário perante a sociedade.
Perspectivas internacionais para 2027
De olho no futuro, a Acrissul pretende ampliar a dimensão internacional da feira no médio prazo. A entidade já iniciou tratativas para atrair, a partir de 2027, embaixadas, consulados e compradores estrangeiros interessados no mercado de carne bovina brasileira. A estratégia inclui a promoção de rodadas de negócios bilaterais, a realização de seminários sobre protocolos sanitários exigidos por diferentes países e a apresentação de soluções tecnológicas que atendam aos requisitos ambientais e de rastreabilidade.
Com esse movimento, a organização busca posicionar a Expogrande como plataforma de exportação de gado em pé, genética animal e cortes especiais, contribuindo para ampliar a participação de Mato Grosso do Sul no comércio exterior do agronegócio. A expectativa é que a presença de delegações estrangeiras incremente o valor agregado das transações e estimule parcerias comerciais de longo prazo.
Os resultados expressivos da 85ª edição, aliados à perspectiva de maior inserção nos mercados globais, reforçam a importância do evento no calendário agropecuário nacional e confirmam a força do setor na economia estadual.








