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Suspeito de atropelamento com amputação é preso em Timbó após fugir de Mato Grosso do Sul

A Polícia Civil de Santa Catarina prendeu, na terça-feira (5), em Timbó, um homem de 28 anos investigado por um atropelamento que resultou na amputação da perna da vítima em Campo Grande, Mato Grosso do Sul. A captura foi realizada por equipes da Delegacia de Homicídios de Blumenau depois de troca de informações com a Polícia Civil sul-mato-grossense, que já havia emitido mandado de prisão preventiva contra o suspeito.

Identificado pelas iniciais R.H.S.P., o suspeito era considerado foragido desde que deixou Campo Grande logo após o acidente, ocorrido em 14 de março na Avenida Brilhante. De acordo com o inquérito conduzido pela 6ª Delegacia de Polícia da capital sul-mato-grossense, o motorista dirigia em velocidade superior ao dobro do limite permitido na via quando atingiu a vítima, que transitava em uma bicicleta. A colisão causou ferimentos graves e levou à amputação de uma das pernas do ciclista.

Localização do veículo e perícia

Logo nas primeiras horas após o atropelamento, investigadores da 6ª DP iniciaram buscas para identificar o responsável e encontrar o automóvel envolvido. O veículo, cujo modelo não foi divulgado, foi localizado na residência do investigado em Campo Grande e submetido a perícia técnica. Os laudos apontaram danos compatíveis com o impacto descrito por testemunhas, entre eles avarias no retrovisor e no vidro do lado direito. Uma peça do para-lama, recolhida ainda na cena do atropelamento, apresentou correspondência com a parte faltante do carro recolhido.

Os peritos também constataram que não havia indícios de outro veículo participando do episódio, o que levou a Polícia Civil a descartar a hipótese de racha. A análise de vestígios e imagens obtidas nas proximidades reforçou a conclusão de que o motorista trafegava em velocidade excessiva quando perdeu o controle da direção.

Fuga e dolo eventual

Para os investigadores, a sequência de condutas após o choque — fuga sem prestar socorro, ausência de apresentação espontânea às autoridades e mudança imediata para outro estado — caracterizou a chamada dolo eventual, situação em que o condutor assume o risco de produzir o resultado lesivo. Com base nesses elementos, o delegado Sam Ricardo Aranha Suzumura, titular da 6ª DP, representou pela prisão preventiva do suspeito, posteriormente deferida pelo Judiciário.

Desde então, o nome de R.H.S.P. foi incluído no sistema nacional de procurados. A localização em Timbó ocorreu após a Delegacia de Homicídios de Blumenau receber informações sobre a possível presença do foragido no Vale do Itajaí. Os policiais catarinenses montaram campana nas imediações de um endereço ligado ao investigado e efetuaram a prisão sem resistência.

Classificação do crime e próximos passos

O caso foi enquadrado como tentativa de homicídio qualificado, combinada com o crime de deixar o local do sinistro de trânsito. A qualificação leva em conta, entre outros fatores, o perigo comum gerado pela condução em alta velocidade e a omissão de socorro imediato.

Após a prisão, o suspeito passou por audiência de custódia, etapa em que o Poder Judiciário manteve a detenção. Ele foi então encaminhado ao Presídio de Jaraguá do Sul, onde permanecerá até que seja autorizada sua transferência para Campo Grande. A 6ª Delegacia de Polícia informou que a conclusão do inquérito será remetida ao Ministério Público tão logo a fase de interrogatório presencial seja possível.

Enquanto aguarda a condução do réu de volta ao Mato Grosso do Sul, a Polícia Civil prossegue na coleta de elementos complementares. Testemunhas que ainda não prestaram depoimento devem ser ouvidas nas próximas semanas, e a vítima será novamente avaliada por peritos legistas para atualização do laudo de lesões corporais.

Segundo os investigadores, a apuração sobre possíveis circunstâncias atenuantes ou agravantes prossegue, mas até o momento não há indícios de que outras pessoas tenham participado do delito. A defesa do investigado não se manifestou publicamente sobre as acusações.

Com a prisão de R.H.S.P., a Polícia Civil considera cumprida a principal medida cautelar pendente no processo. O andamento do procedimento criminal fica agora condicionado às decisões judiciais relativas ao deslocamento do suspeito e à formalização da denúncia pelo Ministério Público estadual.

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